Intervenção dos EUA no Atlântico Sul

O interesse norte-americano em controlar o Atlântico Sul e impedir o acesso do Brasil a tecnologias de ponta na área militar são dois pontos que o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira destaca na ação que resultou no afastamento da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista semana passada ao PT na Câmara, site oficial da liderança do Partido dos Trabalhadores, Moniz Bandeira salienta as negociações dos Estados Unidos com o governo de Maurício Macri, na Argentina, para instalação de bases militares nesse país, ampliando a presença da Otan na região – a Organização do Tratado do Atlântico Norte já está representada por forças britânicas nas Malvinas.

Ao mesmo tempo, as investigações da Operação Lava Jato enfraquecem a principal empresa nacional e somente afeta companhias brasileiras, deixando multinacionais longe das investigações. Também se levantam suspeitas contra a fábrica de submarinos, onde se constrói o submarino nuclear, com transferência para o Brasil de tecnologia francesa, o que permite “perceber o intuito de desmontar o programa de rearmamento das Forças Armadas, reiniciado pelo presidente Lula e continuado pela presidente Dilma Rousseff”, destaca o historiador. “E é muito possível que, em seguida, o alvo seja a fabricação de jatos, com transferência de tecnologia da Suécia, o que os EUA não fazem, como no caso do submarino nuclear. É preciso lembrar que, desde o governo de Collor de Melo e, principalmente, durante a gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil foi virtualmente desarmado, o Exército nem recursos tinha para alimentar os recrutas e foi desmantelada a indústria bélica, que o governo do general Ernesto Geisel havia incentivado, após romper o Acordo Militar com os Estados Unidos, na segunda metade dos anos 1970.”

O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não se tratou, portanto, de um ato isolado, por motivos domésticos, internos do Brasil”, afirmou Moniz Bandeira. Ele lembra que a China tornou-se o principal parceiro comercial do Brasil, com investimentos previstos superiores a US$ 54 bilhões, e o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil. Nosso país, “ao desenvolver uma política exterior com maior autonomia, fora da órbita de Washington, e de não intervenção nos países vizinhos e de integração da América do Sul, conforme a Constituição de 1988, constituía um obstáculo aos desígnios hegemônicos dos EUA, que pretendem impor a todos os países da América tratados de livre comércio similares aos firmados com as repúblicas do Pacífico. Os EUA não se conformam com o fato de o Brasil integrar o bloco conhecido como Brics e seja um dos membros do banco em Xangai, que visa a concorrer com o FMI e com o Banco Mundial”, ensina o cientista político.

Velho e novo

A nova presidente do BNDES, Maria Sílvia Bastos, está jogando pesado na mudança no banco, trazendo novos consultores, todos com ideias privatistas (o ocaso da Oi recomendaria, na melhor das hipóteses, caldo de galinha e cautela). Mas a mudança atinge também a parte física: salas e divisórias estão sendo modificadas.

Música na Itália

A turnê europeia do Música no Museu esteve semana passada em Roma, com apresentação para quase 200 pessoas no Palacio Pamphilj, sede da embaixada brasileira. Brilhou a pianista Ingrid Barancovski, com um programa de autores brasileiros, Villa-Lobos, Almeida Prado e Ricardo Tacuchian. No final muitos aplausos e um bis de Claudio Santoro. O projeto coordenado por Sergio Costa e Silva passou por Portugal e Paris e estará em Viena, no Palácio Rotschild, nesta semana.

Rápidas

A Segunda Guerra Mundial 70 Anos Depois, coletânea de 15 artigos de especialistas da historiografia brasileira sobre o conflito que mudou a história da humanidade, será lançado nesta quarta-feira, 18h, no Bistrô Multifoco (Av. Mem de Sá, 126, Lapa – Rio de Janeiro/RJ). A obra é organizada pelos professores Francisco Carlos Teixeira (UFRJ/Eceme), Paulo Gomes Neto (ABI), João Claudio Platenik Pitillo (Unirio) e Roberto Santana Santos (Uerj) *** O guia internacional World Intellectual Property Review (WIPR) indicou, em sua última edição, dois advogados e um engenheiro do escritório Di Blasi, Parente & Associados na área de Patentes – Gabriel Di Blasi, Paulo Parente Marques Mendes e Marcelo Oliveira de Souza. Foram citados 16 brasileiros. O escritório também foi indicado no guia internacional Leaders League e no anuário IP Stars Managing Intellectual *** O professor Marcelo Tesserolli, coordenador do curso de Turismo da Facha/RJ, foi eleito presidente do Fórum Nacional de Cursos de Turismo e Hotelaria durante o I Encontro Nacional de Coordenadores e Docentes de Cursos de Turismo e Hotelaria, realizado na sede da OAB/RJ. O Fórum, que discute estratégias e melhorias no ensino, foi criado em 2003 e tem representatividade no Conselho Nacional de Turismo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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