Intimidar para reinar

A sistemática política de intimidação e assassinatos de sindicalistas na Colômbia, noticiada na coluna sexta-feira passada,  encontra correspondência no processo de concentração de renda no país. Segundo o pesquisador José Luciano Vasquez, da Escola Nacional Sindical da Colômbia, em 2003, os 20% mais ricos da população detinham 62,7% do
rendimento/consumo do país, cabendo aos 20% mais pobres apenas 2,5%. Além disso, naquele ano, 17,8% dos colombianos viviam com menos de US$ 2 por dia. Esses dados não contabilizam todo o período da presidência de Álvaro Uribe (2002-2010).

A culpa é dos sindicatos
Apesar dessa situação de concentração de renda, segundo Vasquez, os sindicatos colombianos, que existem há cerca de 100 anos, são rejeitados por 63% da população e o 50% têm uma imagem negativa deles. O pesquisador atribui essa contradição entre a piora da situação dos trabalhadores e seu afastamento das entidades que poderiam defendê-los às sistemáticas campanhas contra os líderes sindicais, que, desde 1986, resultou em 11.096 atos de violência, incluindo ameaças, desaparecimento e mortes, dos quais apenas 118 casos tiveram sentença judicial.

Sem defesa, sem emprego
A combinação de concentração de renda e desmobilização social resulta no elevado desemprego, que vitima 20 milhões de trabalhadores, dos quais 12 milhões estão na economia informal, dois milhões, desempregados, além de um milhão de jovens, e dois terços não possuem Previdência Social.

Mais que seguro
Com a perda nos investimentos financeiros, o aumento das taxas de inflação e a mudança no cenário mundial, as seguradoras globais estudam a melhor forma de alocar os seus ativos. Nessa linha, buscam investimentos que as protejam contra a volatilidade de preços, mas que dêem bom retorno financeiro – até as aplicações em economias emergentes têm ganhado espaço como boas opções.
A resseguradora Swiss Re, por exemplo, acaba de divulgar o estudo Insurance investment in a challenging global environment (em http://media.swissre.com/documents/sigma5_2010_en.pdf).
No Brasil, nunca houve grande preocupação sobre aplicações das seguradoras. As taxas de juros elevadas levam as aplicações para títulos públicos, garantidos e com liquidez. O especialista Francisco Galiza, porém, acha que, no futuro, é provável que esse cenário mude e novas opções passem a ser discutidas.

Maior controle
A empresa de software Totvs venceu o edital da Dataprev, empresa de TI da Previdência Social, e está em fase de implantação de sistemas de contabilidade, custos, auditoria e outros na estatal. Os programas devem começar a operar em janeiro.

Responsável
Produtos socialmente responsáveis de alta qualidade, diferenciados e personalizados. Essa é a proposta da Jeitos & Formas, que sugere presentes como o envio de mensagens personalizadas, impressas em tecidos reciclados de garrafas pets, dentro de uma sacolinha que pode ser reutilizada como porta celular, acompanhado por uma boneca de pano artesanal e antialérgica. As bonecas são fabricadas por cooperativas de costureiras de comunidades carentes em Santa Cruz, Niterói e Cidade de Deus, todas no Estado do Rio de Janeiro. Mais informações em www.jeitoseformas.com.br.

Eldorado
Estão em andamento negociações para a concretização de uma grande joint-venture entre empresas do Canadá e do Brasil para a construção, aqui, de um grande estaleiro. A iniciativa visa a atender, principalmente, à demanda por embarcações da Transpetro e da Petrobras, na área do pré-sal.

Importando a crise
Com a situação na Europa sendo agravada pela tentativa dos burocratas da União Européia de imporem goela abaixo dos europeus políticas recessivas e o desmonte do Estado de bem-estar social, a presidente Dilma Housseff deve ficar particularmente atenta ao canto da sereia dos que defendem que dê partida ao seu governo com políticas de cortes de gastos públicos e elevação de juros, para agradar ao “mercado”. Corre o risco de importar a crise para o Brasil

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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