Intruso no ninho

“Na convicção dos membros da comissão (da Caixa que apura a quebra do sigilo bancário do caseiro Nildo), os empregados agiram no cumprimento de determinação de superior hierárquico, não considerada ilegal.” A conclusão é da Caixa, que passou a bola: “A análise da conduta do ex-presidente Jorge Mattoso, por não ser empregado da instituição, é de competência da Polícia Federal, que já instaurou inquérito para tal, e da Controladoria Geral da União (CGU).”

Varigbras
O principal argumento de quem se opõe a um auxílio do Hospital Lula para salvar a Varig é que seria imoral colocar dinheiro da viúva para socializar o prejuízo de uma empresa privada. Dogmas neoliberais, porém, impedem que se diga, com todas as palavras, qual a melhor solução para o caso: estatizar a empresa. Se a palavra causa arrepios em quem defende o Estado mínimo e a sabedoria do mercado, nem por isso significa que a opção deve ser excluída do debate. A Varig, que, na imaginação dos brasileiros, sempre foi uma estatal, cumpriria assim seu destino. O Governo Federal é o principal credor (e também devedor) da empresa e só teria a perder se a companhia fosse à bancarrota; perderia também o país, por não ter opções à altura para atender a um país em que as distâncias são gigantescas; e perderia o consumidor, que acabaria na mão de apenas duas empresas.
Para quem torce o nariz para a proposta de uma Varig controlada pelo governo e com ações nas mãos de outros credores – como o fundo de pensão dos funcionários – vale lembrar que uma das companhias aéreas mais pontuais, lucrativas e com menor índice de acidentes do mundo é a estatal Finnair. E a Finlândia, cuja economia é uma das que mais cresce entre os países ricos, é pouco maior que o estado do Rio Grande do Sul.

Sai Proar, entra Proer
Como último movimento para salvação, a Varig poderia se transformar em banco: a ajuda sairia rapidamente…

Obstáculo
Ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont e ver uma manifestação dos funcionários da Varig, a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, aproveitou para lembrar que, em 2004, o governo estadual ajudara a empresa, ao devolver créditos tributários à Varig, que assumiu o compromisso de ampliar suas atividades no Rio. Rosinha aproveitou para alfinetar o Governo Lula: “Os empregados aceitam abrir mão de parte de seus direitos trabalhistas e previdenciários, em nome da preservação da empresa; os credores privados admitem renegociar as dívidas para que a Varig continue funcionando; mas todas as propostas esbarram na frieza dos credores estatais.”

Falso bolivariano
A nota aqui publicada em que se enxergava tintas bolivarianas nas cores da camisa do Madureira, atribuindo a essa coincidência a possibilidade de que o simpático time do clube do subúrbio carioca pudesse repetir, nos gramados, o feito da Vila Isabel – apoiada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez – no Sambódromo, mostrou-se precipitada. Na verdade, pela conhecida aliança entre os cartolas do Madureira com o presidente do Vasco, Eurico Miranda, o viés era de vice.

Mutismo caro
Como advertia nota aqui publicada, clientes da Vivo, privados há cerca de duas semanas do controle sobre seu consumo, se surpreendem quando, após longos minutos de espera, conseguem falar com o serviço de atendimento da empresa. A se acreditar na informação dos atendentes, muitos clientes já estouraram em muito suas franquias. Tudo isso, sob o silêncio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que parece indiferente à falta de prazo para que o sistema de comunicação da Vivo volte a funcionar.

Cofre
Se é verdade o que a revista Veja disse sobre a reunião entre o ministro Marcio Thomaz Bastos e o ex-ministro Antonio Palocci, além da indignação – como mostra a coluna aqui ao lado – o fato motiva também uma pergunta: de onde sairia o R$ 1 milhão para adoçar a boca do pato?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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