Inutilidade cara

O rebaixamento, enfim, da França pela Standard&Poor”s (S&P)confirma que esse tipo de agência tem duas utilidades: serem engenheiros de obras feitas e operarem os mercados financeiros. Até então detentora da classificação máxima do cartel das agências – “AAA” – a França captara, no início do mês, 7,96 bilhões de euros em bônus, pagando juros de 3,29% para os papéis de dez anos – que responderam por 50% do total da emissão – acima dos 3,18% que pagara apenas um mês antes.

Viés de baixa
Já os Estados Unidos, que tiveram seu rating rebaixado pela mesma Standard&Poor”s (S&P), em agosto, viram como reação à operação do mercado provocada pela decisão da S&P crescer a procura pelos títulos do seu Tesouro. A piora da classificação dos EUA, em vez de elevar os juros pagos pelo país para captar recursos, recuaram para 1,94% para os papéis de dez anos. Na prática, com uma inflação pouco acima de 2%, isso representa juros negativos. Ou o mercado gosta de rasgar dinheiro ou o prestígio do cartel das agências está em forte viés de baixa, inclusive junto aos investidores.

Não leu
Apesar do cada vez mais intenso debate sobre o livro A Privataria Tucana, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), não se vexou de elogiar a privatização no estado. Puxou sardinha para sua brasa, dizendo que iniciou o processo quando era presidente da Assembléia Legislativa.

Bom negócio
Pode-se citar vários casos em que a privatização no Rio de Janeiro foi danosa para o público, como metrô, trens urbanos e barcas. Mas um é particularmente emblemático pelo volume de perdas para o contribuinte: a venda do Banerj. O banco estadual foi comprado pelo Itaú, em 1997, por R$ 311 milhões (equivalente a R$ 746 milhões em dezembro de 2011). Nestes 14 anos, a folha dos servidores e todos os pagamentos do estado estiveram centralizados naquela instituição privada.
Ano passado, o governo estadual vendeu a parte podre que restara do Banerj (chamada de Berj) para o Bradesco, e, junto, a exclusividade de pagar a folha do funcionalismo e operar com o estado. Estima-se que estes dois direitos, pelo prazo de três anos, renderam aos cofres públicos R$ 700 milhões, ou pouco mais de R$ 230 milhões por ano.
Ou seja, em 14 anos o Rio poderia ter ganho R$ 3,2 bilhões, ou quatro vezes mais do que o arrecadado com a privatização. Para ser mais justa, esta coluna reduziria este valor à metade, pois a venda da folha de pagamento é um negócio que só tomou impulso há alguns anos. Ainda assim, seria mais do que o dobro do que o Itaú pagou – sem esquecer todo o patrimônio imobiliário transferido para o banco privado. E sem falar nas perdas econômicas que a falta de um banco estadual causou. São Paulo, quando vendeu o Banespa, manteve a Nossa Caixa.

Raízes
Influências dos ritmos portugueses, árabes e africanos na música brasileira de raiz (baiões e xotes), mescladas ao som dos povos indígenas. Esse é o caldo de cultura do CD instrumental Malê, recém-lançado pelos músicos Alexandre Lemos e Maíra Ribeiro. A dupla paulista, que vive desde 2009 no Mato Grosso, interpreta grandes clássicos da música brasileira e composições próprias, num resgate criativo da musicalidade das manifestações populares brasileiras. O CD, gravado com apoio da Funarte, pode ser encomendado em http://projetomale.wordpress.com

Sustentável
ONGs e outros grupos da sociedade com status consultivo no Conselho Social e Econômico das Nações Unidas (Ecosoc) podem fazer, até 15 de maio, o pré-credenciamento de seus representantes para a Rio+20. Instituições registradas na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável também estão habilitadas para dar início ao processo obrigatório a todos os interessados em participar da Conferência, de 20 a 22 de junho, ou da terceira sessão preparatória, de 13 a 15 de junho. A ONU informa que outras instituições da sociedade que não satisfazem esses requisitos também podem participar do evento. Para tanto, devem enviar, até  20 de fevereiro, um formulário que será avaliado pelo Ecosoc. Mais informações no site da ONU.

Artigo anteriorDuas Itálias
Próximo artigoFábrica da AAA
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Desigualdade, Big Tech e EUA são maiores ameaças à democracia

7 em 10 chineses avaliam que seu país vai bem na questão.

O poder do monopólio em rebaixar os salários

Um tributo a Joan Robinson, ‘uma das economistas mais importantes do século 20’.

Ricos querem pagar só 10% do imposto de Biden

Elisão fiscal ameaça levar US$ 900 bi do pacote para as famílias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Em cinco anos, SP reduziu em 32%, mortes no trânsito

Só Região Metropolitana reduziu em 29%; queda nas fatalidades em nível nacional foi de 22%.

Mercado reage em dia pós-Copom

Destaque para os pedidos por seguro-desemprego nos EUA.

Boas expectativas para o dia

Hoje, mercados começando aparentemente com realizações de lucros recentes e aguardando a decisão do Banco Central inglês sobre política monetária.

Mesmo com perdas de 75%, empresas em favelas mantêm 80% dos empregos

São mais 289 mil comércios registrados nas cerca de 6 mil comunidades em todo o Brasil.

OMS pede redução de desigualdades no acesso à higiene das mãos

Organização destaca que pandemia mostrou dramaticamente a importância da prática na redução do risco de transmissão.