Investidores arredios

Hoje é dia de depoimento do presidente do Fed, Jerome Powell, e do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, no Senado americano.

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Ontem foi dia de investidores completamente arredios aos mercados de risco no mundo, principalmente na parte da tarde, e isso se estende hoje aos mercados da Ásia e também na Europa. Ontem a Bovespa encerrou com queda de 1,60% (a Vale salvou o dia) e dólar beirando R$ 5,60, em alta para R$ 5,595, enquanto o Dow Jones mostrou desvalorização de 1,92% e o Nasdaq com -3,02%, com destaque negativo para as ações da Tesla que chegaram a cair mais de 10% e as ligadas ao segmento de tecnologia. A aversão ao risco ampliou muito e vendas precipitadas foram surgindo.

Hoje mercados da Ásia terminaram o dia com quedas repercutindo o mercado de Nova Iorque e destaque negativo para a Coreia do Sul com razões diplomáticas com a Coreia do Norte. Europa operando em queda, mas já recuperando um pouco das mínimas e futuros do mercado americano também tentando recuperação. Aqui, atenção com a eventual perda do patamar de 94 mil pontos que vínhamos marcando, pois, pode acelerar vendas.

Motivo da aversão ao risco se liga ao novo aumento do contágio pela Covid-19 em países, regiões e as incertezas daí derivadas sobre a retomada da recuperação global e necessidade de maior flexibilização da política monetária e principalmente da fiscal.

No cenário externo, a Austrália e o Canadá rejeitaram maior austeridade da política fiscal e o BoJ (o Banco Central japonês) indica que pode flexibilizar ainda mais, caso necessário. Na China, a controladora da plataforma TikTok deixou a decisão de compra da plataforma nos EUA obrigada por Donald Trump e com oferta da Oracle e Walmart, para que o governo de Pequim decida. Na Alemanha, o índice IFO de expectativa econômica de setembro subiu para 93,4 pontos, previsão era pouco maior.

Nos EUA, Trump anunciou que quatro vacinas estão em fase final de testes e aproveitou para criticar demora do FDA, o órgão que regula medicamentos. Já seu secretário Larry Kudlow indicou que empresas chinesas registradas nas Bolsas de NY terão um ano para adequação as normas impostas. Hoje também é dia de depoimento do presidente do Fed, Jerome Powell, e do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, no Senado americano.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava estabilidade, com o barril cotado a US$ 39,93. O euro era transacionado em US$ 1,164 e juros dos notes de 10 anos com taxa de juros de 0,67%. O ouro e a prata tinham novo dia de queda na Comex e commodities agrícolas também com quedas na Bolsa de Chicago.

Aqui, itens sensíveis ao câmbio ameaçam repique depois de comportamento idêntico dos alimentos e afetam as expectativas inflacionárias e taxas de juros de títulos de mais longo prazo. O governo também diz que pode apoiar a reforma tributária gestada na Câmara, em troca da nova CPMF sobre transações digitais e usada para desonerar a folha de pagamentos. O Pacto Federativo terá medidas impopulares, donde podemos inferir que será difícil caminhar nesse restante de ano.

Na agenda do dia muitos indicadores com capacidade de mexer com os mercados. Sairá o RTI-relatório trimestral de inflação e a confiança do comércio pela FGV, e nos EUA os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, as vendas de casas novas de agosto e a atividade industrial de Kansas de setembro. Além disso, teremos muitos discursos ao longo do dia de dirigentes do Fed, incluindo as arguições já citadas de Powell e Mnuchin. Com isso, ficamos na dependência do RTI e do comportamento dos mercados americanos para definição interna.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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