Investidores começam a questionar quanto tempo ficar em renda variável

638
Bolsa de Valores
Bolsa de Valores (Foto: divulgação)

A segunda-feira foi movimentada no Brasil e exterior. “Estamos vivendo uma tempestade nos cenários nacional e internacional. No campo internacional, estamos vendo muita instabilidade com a questão do Talibã tomando o poder no Afeganistão e a China acenando ao Talibã, o que não pesa bem nos mercados internacionais”, avalia Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Segundo ele, no âmbito local, foram muitos ruídos vindo de Brasília, além da preocupação com o teto de gastos, o que gera aversão ao risco no pregão local. “Os principais papéis que estão caindo hoje são empresas que já tiveram destaque nesse ano de alta, principalmente CASH3 [Méliuz], que acumulava alta de 100% nas últimas 4 semanas e cai quase 30%. Os investidores estão vendendo participação para colocar lucro no bolso”, disse.

Jansen Costa lembra que o que geralmente acontece quando existe aversão dos investidores ao risco é um cenário de alta de juros e dólar descontrolado, mas não é isso que está acontecendo. Não há fluxo estrangeiro pesando na bolsa, mas sim fluxo local de realização de lucros.

Ele analisa que no campo da renda fixa, com taxas atrativas, os investidores começam a questionar o tempo de deixar dinheiro em renda variável. Na última sexta, a bolsa brasileira praticamente zerou os ganhos no ano. Então, os investidores começam a questionar se, com os juros subindo, vale ficar aplicado em renda variável e não deixar dinheiro na renda fixa.

Espaço Publicitáriocnseg

Outros papéis que caíram bastante nesta segunda-feira são de empresas que divulgaram resultados corporativos na última sexta-feira. “O mercado corporativo continua vendo oportunidade na bolsa. A Rede D’Or, por exemplo, fez tentativa de aquisição da Alliar. Isso mexeu com preços dos ativos no dia de hoje”.

Dólar

O dólar fechou nesta segunda-feira acima de R$ 5,28, maior elevação desde maio. “Vemos ainda dólar no zero a zero, bolsa caindo e DIs longos caindo. Basicamente é fluxo de zeragem de bolsa para outros ativos e não necessariamente saída de capital. Muitos papéis que já estavam operando abaixo de 10% de queda tiveram certa recuperação no intraday do mercado”, analisa Jansen Costa.

No campo fiscal, ele chamou atenção para a questão dos precatórios que mexe com mercado. A Agência Senado publicou em seu site que a Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgou relatório de acordo com o qual a PEC dos Precatórios (PEC 23/2021) pode trazer instabilidade para economia. Segundo a IFI, a proposta materializa risco fiscal com clareza, causando aumento dos juros por exemplo.

Jansen Costa também citou outros acontecimentos como a publicação da ata do Fomc (ata da reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto) e encontro internacional dos Bancos Centrais para definir o que fazer com a futura retirada dos estímulos dos EUA.

“Resultados da China mostram também a desaceleração do país com a pandemia. O investidor avesso a risco acaba tirando dinheiro da renda variável. Analistas tocam no ponto de que muitos papéis estão ficando bem atrativos em termos de valuation, mas o medo do mercado é que a bolsa brasileira seja reprecificada, mesmo barata, para um valuation muito menor”, observou.

Leia também:

Atividade econômica tem alta de 1,14% em junho

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui