Investidores pessoa física na Bolsa: houve queda ou aumento?

Número de investidores pessoa física caiu 1,1%; mas sem levar em conta os clientes do Nubank, conta se inverte

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Fachada da B3, Bolsa de Valores brasileira
Fachada B3. Foto: divulgação

A Bolsa de Valores brasileira perdeu no ano passado cerca de 54.823 investidores pessoa física. O número de CPFs cadastrados e ativos na B3 caiu 1,1%, chegando a 5,74 milhões de contas. É a primeira queda em sete anos.

De acordo com Luigi Wis, especialista em investimentos da Genial, o dado pode dar a impressão que investidores estão deixando a Bolsa, mas não é isso que está acontecendo de fato. “Essa queda é reflexo de um evento relacionado ao Nubank que distorceu o dado”, explica o especialista.

O evento a que ele se refere é a saída do Nubank da Bolsa brasileira, o que levou consigo cerca de 550 mil investidores pessoa física. Isso porque, em 2021, a fintech anunciou a distribuição de uma ação para cada um dos seus clientes. “Se expurgar o número de investidores do Nubank, houve aumento de quase 500 mil CPFs na Bolsa”, destaca Wis.

Importante explicar que a fintech lançou BDRs nível 3 no Brasil quando fez o IPO em 2021. Depois, em setembro de 2022, deslistou seus BDRs, para BDRs nível 1 não patrocinados. Dessa forma, deixou de ser listada na Bolsa brasileira.

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Nubank saiu da Bolsa brasileira e levou 550 mil investidores pessoa física
pix no cartão nubank (foto reprodução site)

Responsável pela queda de mais de 500 mil investidores na Bolsa, a fintech levou mais de 750 mil investidores ao mercado acionário brasileiro em 2021, quando estreou na B3.

Além do baque da saída do Nubank, a Bolsa sentiu ainda os reflexos da falta de IPOs. Nenhum foi lançado ano passado e houve até algumas operações de fechamento de capital. Desta forma, a B3 registrou queda de 0,4% no número de empresas listadas ano passado na comparação com 2022, com um total de 446 empresas.

Projeções para investidores pessoa física em 2024

A expectativa para este ano, no entanto, é pela volta dos IPOs e pelo aumento no número de investidores na Bolsa, especialmente com a queda da Selic, a taxa básica de juros. “A expectativa é que o ingresso de novos investidores deve acelerar em 2024, podendo superar 1 milhão de CPFs novos”, projeta Wis.

Gabriel Duarte, analista da Ticker Research, concorda que as expectativas do mercado para 2024 estão baseadas principalmente na queda de juros que já vem acontecendo aqui no Brasil e deve começar a acontecer nos Estados Unidos em breve.

“O mercado projeta uma Selic saindo dos atuais 11,75% para 9% até o fim de 2024. Os dados de inflação vindo em linha e até abaixo do esperado corroboram com essa expectativa”, afirma Duarte. “A queda por si só já deve fazer com que os ativos de risco brasileiros se valorizem. Dentre eles, ações e fundos imobiliários, principalmente aqueles que vinham enfrentando problemas relacionados ao endividamento ou a queda de demanda por conta das maiores taxas praticadas no mercado”, avalia Duarte.

“A mudança para a renda variável pode ser atribuída a vários fatores. Taxas de juros baixas tornam os investimentos em renda fixa menos atraentes, pois oferecem retornos menores. A recuperação econômica pós-pandemia e a busca por maiores retornos também podem estar influenciando essa transformação”, destaca Vinicius Moura, economista e sócio da Matriz Capital.

Moura lembra que a renda variável oferece a oportunidade de retornos potencialmente maiores, o que é atraente em um ambiente de baixa taxa de juros. “Ela desempenha um papel crucial na diversificação de portfólios e pode oferecer e oferecer o rendimento de 1% ao mês que muitos dos investimentos buscam.”

Para ele, os investidores devem se educar sobre os riscos e oportunidades da renda variável. Isso inclui entender a volatilidade do mercado de ações, diversificar investimentos e talvez buscar aconselhamento de especialistas financeiros.

“Também é importante ter uma estratégia de investimento de longo prazo e não reagir precipitadamente a flutuações de curto prazo do mercado. Segmentos como tecnologia, saúde e commodities estão recebendo mais atenção”, comenta Moura.

Por Gilmara Santos, especial para o Monitor

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