Investidores se tornam vítimas de empresas renomadas

Advogado: Algumas pessoas chegaram a perder R$ 500 mil em um único dia

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Gráfico de negociações financeiras
Gráfico de negociações financeiras (foto Pxfuel, CC)

No começo deste ano, a B3 registrou recordes de pessoas físicas se tornando investidoras e em dezembro do ano passado, a principal bolsa de nalores do Brasil registrou a marca de cerca de 5 milhões de CPFs cadastrados e, já em fevereiro, passou dos 6 milhões de contas abertas em corretoras. Para o investidor, porém, certos problemas podem surgir no meio do caminho e acarretar elevadas perdas financeiras com invasão de contas.

Com tantas informações sobre o mercado financeiro na palma da mão dos brasileiros, as grandes instituições de investimento e corretoras prometem isenção das taxas mensais e zero cobranças para abertura e manutenção da conta e apesar da proposta inicial parecer tentadora, cautela é a palavra-chave, alerta o advogado Marcos Vinicius Silva Cardoso, fundador do escritório Cardoso & Zaniboni Advogados.

“Já trabalhei em casos de corretoras renomadas e conhecidas no mundo todo, que realizaram golpes. Houve invasão de contas e tudo isso feito de forma remota, pela internet. Há vítimas que chegaram a perder a quantia de RS 500 mil em um único dia.”, conta Cardoso. Ele cita que uma das vítimas desse tipo de golpe contou que demorou um tempo para entender o que estava acontecendo e se dar conta da invasão de sua conta.

“Apliquei meu dinheiro em uma investidora super conhecida e que aparece em vários meios de comunicação, acreditei ser confiável, mas não demorou muito para ter o início das movimentações. Mesmo trocando mensagens com a instituição para saber o que estava acontecendo, eles diziam ser normal e que em breve retornaria o valor. Até hoje, não sei como funciona esse esquema. Entrei com uma ação judicial, representada por advogados especializados, e obtive êxito”, explica a bancária Juliana (o sobrenome dela não foi citado).

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Segundo Cardoso, o relato da vítima é só um dos casos que o advogado recebe praticamente todos os dias. “É preciso atenção desde as grandes instituições até as menores pouco conhecidas no mercado. O investidor tem que procurar saber onde e como vai investir com profundidade e não de uma forma superficial. Essas instituições precisam estar credenciadas e validadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é nada mais nada menos que o Órgão de Fiscalização do Mercado Financeiro. O investidor tem que buscar essa informação”, avisa.

Perda de investimentos

Algumas das pessoas que caem nesses golpes, acabam perdendo seus investimentos e a situação fica por isso mesmo, como explica a advogada Patrícia de Carvalho Zaniboni, sócia do escritório. “Recebemos dois tipos de perfis de vítimas, aquela que está desesperada porque perdeu uma quantia de dinheiro alta e quer de qualquer jeito entrar com uma ação judicial para resgatar e reparar sua perda, e o outro tipo de pessoa que é a que teve vergonha de cair no golpe e pensou duas vezes antes de procurar um advogado. Vale ressaltar que para a ação ter valor e validação é indispensável ter um advogado especializado em crimes financeiros”, conta.

Sobre os valores das perdas causadas por esse golpe pode variar de acordo com o perfil do investidor e o valor aplicado. “Já entramos com ação de perda de R$ 10mil até R$ 3 milhões e, na verdade, não é só o valor que importa e sim ter ciência que, qualquer tipo de golpe no mercado financeiro ou em criptoativos é crime e tomar as medidas cabíveis como denunciar aos órgãos competentes e procurar um advogado especializado são imprescindíveis”, aconselha a advogada.

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