Investimentos chineses caem 74% no Brasil e apenas 0,4% no mundo

Queda foi maior que a média de perda de inversões de todos os países na economia brasileira.

Nos últimos 14 anos, a China se consolidou como um dos principais investidores estrangeiros no Brasil, com um estoque que alcançou US$ 66,1 bilhões em 2020. “Ao longo desse período, houve mudanças no perfil de empreendimentos que atraíram o interesse de empresas chinesas e oscilações no valor dos investimentos em razão de políticas domésticas adotadas por Pequim ou de turbulências no cenário internacional”, analisa Tulio Cariello no estudo “Investimentos Chineses no Brasil – Histórico, Tendências e Desafios Globais (2007–2020)”.

O relatório, feito para o Conselho Empresarial Brasil–China (CEBC), com patrocínio de Bradesco Corporate, atualiza os dados do período 2007–2020 e apresenta pela primeira vez os resultados dos anos 2019 e 2020.

No ano passado, com a conjuntura internacional marcada pela pandemia, houve queda de 74% no valor dos aportes chineses confirmados no Brasil, que atingiram US$ 1,9 bilhão, o menor valor registrado desde 2014. O número de projetos caiu para oito, 68% a menos do que em 2019.

O tombo foi sentido nos investimentos estrangeiros de forma geral no mundo e no Brasil, que caíram 35% e 61,5%, respectivamente, segundo o estudo. Porém, os investimentos não financeiros da China no exterior em 2020, de acordo com dados oficiais de Pequim, tiveram redução de apenas 0,4%.

“A queda dos investimentos chineses no Brasil em 2020 não foi uma exceção à regra. Importantes receptores de aportes chineses no exterior passaram por situações semelhantes”, relata Cariello. A retração, porém, apesar de expressiva, foi bem menor que no Brasil. Houve redução dos aportes na União Europeia e Reino Unido (-43%) e Austrália (-39%), regiões onde há quedas contínuas desde 2017.

Nos Estados Unidos, onde os aportes caíram de US$ 48,5 bilhões (2016) para US$ 6,3 bilhões (2109), houve um movimento inverso em 2020, com alta de 15%, atingindo US$ 7,2 bilhões, reflexo de um número reduzido de aquisições particularmente volumosas.

Até 2020, o Brasil recebeu 47% dos investimentos chineses na América do Sul. Quase metade (48%) do valor do estoque dos investimentos confirmados entre 2007 e 2020 foram direcionados ao setor de energia elétrica, seguido por extração de petróleo e gás (28%), extração de minerais metálicos (7%), indústria manufatureira (6%), obras de infraestrutura (5%), agricultura, pecuária e serviços relacionados (3%) e atividades de serviços financeiros (2%).

As gigantes de energia State Grid e China Three Gorges têm a maioria de seus ativos no exterior localizados no Brasil, com fatias de 48% e 60%, respectivamente. O setor de eletricidade atraiu 97% do valor dos investimentos chineses confirmados em 2020.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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