IPCA: combustíveis puxaram preços dos transportes

Indicador tem a maior taxa do ano, com acumulado de 12 meses em 10,67%; inflação medida pelo IBGE acelera para 1,25% em outubro.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 1,25% em outubro, o maior índice para o mês desde 2002, quando o indicador foi de 1,31%. Com isso, o indicador acumula alta de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses.

No período de 12 meses imediatamente anteriores, a alta havia sido de 10,25%. Em outubro de 2020, a variação mensal ficou em 0,86%. Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Felipe Sichel, estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais, “a leitura acima do esperado por nós e pelo mercado. Por dentro do índice, a surpresa foi ampla. Destacam-se o avanço de alimentação e bebidas (1,17% contra 1,04% esperado), artigos de residência (1,27% ante 0,72% esperado) e despesas pessoais (0,75% em comparação com 0,45% esperado). Transportes foi praticamente em linha com nossas expectativas. Nas aberturas, a surpresa central foi nos preços livres, com avanço de 1,21% ante expectativa de 0,96%. Dentro destes, tanto industriais como serviços surpreenderam fortemente, sendo que industriais subjacentes registraram impressionantes 1,23% no mês. A difusão ficou em 66,84% ante anterior 64,99%. O dado coloca viés altista para nossa projeção de IPCA no ano e aumenta a probabilidade de uma alta maior do que a projetada para a Selic em dezembro.”

Já José Márcio Camargo, Eduardo Ferman e Yihao Lin, da Equipe Macro da Genial Investimentos, reforçam que “a variação do IPCA em outubro foi de 1,25% m/m, resultado acima do teto das expectativas do mercado (1,19%, Broadcast). Essa foi a maior variação para o mês de outubro desde 2002 (1,31%). Todas as nove categorias analisadas pelo índice subiram no mês.”

Segundo eles, “a taxa de inflação dos últimos 12 meses ficou em 10,67%, permanecendo acima do teto para meta de inflação de 2021 (5,25%). No ano, o IPCA acumula alta de 8,24%. Já o INPC, que é o indexador da maior parte das despesas públicas, acumula alta de 11,08% em 12 meses. Três categorias puxaram o índice no mês, com cerca de 77% do impacto total. A maior contribuição ocorreu no grupo transportes. Em seguida, tivemos os impactos com o grupo de alimentação e bebidas e habitação. O grupo transportes aumentou 2,62% em outubro, impactando em 0,55 p.p. o índice cheio. O crescimento expressivo do grupo decorre da elevação dos combustíveis (3,21% e 0,24 p.p.), com destaque para elevação da gasolina (3,10% e 0,19 p.p.) que apresentou o maior impacto individual no mês. Além disso, tivemos forte crescimento das passagens aéreas (33,86% e 0,15 p.p.). Esse crescimento advém da desvalorização cambial, elevação dos preços dos combustíveis (querosene), além da maior demanda por voos com o arrefecimento da pandemia que pressiona os preços. Por fim, os transportes foram impactados também pelos preços dos veículos novos (1,77%) e transportes por aplicativo (19,85%).”

Os analistas lembram que “o segundo maior impacto veio do grupo alimentação e Bebidas (1,17%), com impacto de 0,24 p.p. no índice cheio. O grupo foi impactado pela elevação do tomate (26%) e batata inglesa (16%), acelerando a inflação da alimentação no domicílio (1,32%). E o grupo habitação (1,04% e 0,17 p.p.) avançou no mês, porém apresentou desaceleração na margem (6,47% em setembro), com o menor impacto da energia elétrica (1,16%). Em outubro, foi mantida a bandeira de escassez hídrica, com reajustes em regiões importantes para o IPCA, como São Paulo, Goiânia e Brasília. A queda na margem do grupo habitação (principalmente energia elétrica) foi compensada pelo crescimento intenso do grupo de bens industriais. A inflação de bens avançou 1,40%, sendo a maior elevação desde março de 2003. A categoria já apresenta 11,1% de inflação acumulada em 12 meses. Além disso, a inflação de serviços, com o arrefecimento da pandemia, continua crescendo, subindo 1,04% e chegando a 4,92% a/a. Com isso, a média dos núcleos do IPCA chegou a 6,98% a/a.”

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, teve alta de 1,16% em outubro, também o maior resultado para o mês desde 2002 (1,57%). No ano, o INPC acumula alta de 8,45% e, em 12 meses está em 11,08%. Nos 12 meses imediatamente anteriores, a alta havia sido de 10,78% e em outubro de 2020, a taxa foi de 0,89%.

 

Com informações da Agência Brasil

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