IPCA de dezembro veio acima da nossa expectativa

Resultado reforça perspectiva de elevação de 150bps na Selic em fevereiro e põe viés de alta na projeção de 0,35% para o IPCA de janeiro.

O IPCA de dezembro ficou acima do esperado, avançando 0,73% (Modal: 0,57%, mercado: 0,64%).

Pelos grupos, a maior surpresa veio de saúde e cuidados pessoais (0,75% ante expectativa de 0,42%), puxado pela reversão do movimento baixista de produtos de higiene pessoal observado na Black Friday, principalmente em perfumes. Além disso, alimentação e bebidas (0,84% contra expectativa de 0,66%) confirmou nossa expectativa de elevação nas frutas e carnes, mas houve surpresa desfavorável na alimentação fora do domicílio (0,98% ante expectativa de 0,56%). Em vestuário (2,06% contra expectativa de 1,33%), ocorreram altas generalizadas entre todos os itens, reforçando efeitos sazonais e pressões sobre bens industriais. Para artigos de residência, a alta ficou concentrada em móveis e eletrodomésticos, contraposta pelo comportamento mais favorável de consertos e manutenção.

Pelas aberturas, os preços administrados ficaram em linha com o esperado (0,05% ante 0,00%), com queda nos combustíveis e elevação na energia elétrica. Paralelamente, a surpresa nos preços livres (0,88% contra expectativa de 0,78%) ocorreu, em grande parte, pela dinâmica desfavorável dos bens industriais (1,41% ante expectativa de 0,88%), que seguem pressionados por aumento nos custos e gargalos de produção. Enquanto isso, a leitura de serviços (0,79% contra expectativa de 0,75%) ficou próxima da nossa expectativa, respondendo aos ganhos de mobilidade no final do ano.

Nas leituras subjacentes, os industriais (1,80% ante expectativa de 0,96%) ficaram ainda mais pressionados pela exclusão do etanol da base de cálculo, que apresentou variação negativa no mês. Já serviços (0,80% contra expectativa de 0,73%) apresentou variação semelhante à observada na medida setorial cheia.

A média dos cinco núcleos acompanhados pelo Banco Central voltou a acelerar no mês, indo de 0,61% em novembro para 0,90% em dezembro, levando a medida em 12 meses para 7,42% (ante 7,16%). Adicionalmente, o índice de difusão subiu para 74,80%, maior valor desde fevereiro/2016.

De modo geral, enxergamos uma composição desfavorável do IPCA, advinda principalmente de pressões em bens industriais, mas também de repasses nos serviços a partir da reabertura econômica e do aumento nos preços dos alimentos. Estes pontos de atenção não devem ceder nos próximos meses, fundamentando nossa visão de que o BC priorizará o controle inflacionário em detrimento da atividade econômica. No entanto, deveremos observar dinâmica favorável nos itens administrados, com alívio no preço dos combustíveis e potencial antecipação na queda nas tarifas de energia, em função das maiores chuvas.

Dada a permanência de pressões subjacentes no IPCA, entendemos que este resultado reforça nossa perspectiva de elevação de 150bps na Selic em fevereiro. Além disso, esta leitura coloca viés altista na nossa projeção de 0,35% para o IPCA de janeiro.

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Felipe Sichel

Estrategista-chefe do Banco Digital Modalmais

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