Ir de bicicleta ou dar a ré de carro

Milão ficou em destaque no noticiário sobre o coronavírus pela violência como a cidade e região foram atingidas – 69.092 casos e 12.740 mortos na Lombardia. Também ganhou as redes a convocação inicialmente feita pelo prefeito Giuseppe Sala, que pedia aos cidadãos que seguissem trabalhando porque “Milão não pode parar”. (Ele fez dolorosa autocrítica diante dos fatos, algo que ainda não aconteceu no Brasil)

Pois agora que a crise começa a dar sinais de que está enfraquecendo, a cidade se prepara para o recomeço, mas em novas bases. Milão vai introduzir um dos mais ambiciosos planos para tirar os carros das ruas, abrindo espaço para bicicletas e pedestres. A cidade é uma das mais poluídas da Europa – ou era, até ser obrigada a parar e repensar seu modo de existência.

Facilita a mudança o fato de Milão ser pequena e de alta concentração demográfica. Seu 1,4 milhão de habitantes ocupam o espaço que tem 15km de ponta a ponta. Pouco mais da metade (55%) já usa sistema público de transportes. Outras cidades pelo mundo estão reprogramando seus modais.

Extrapolando dos transportes para outros setores, a pandemia provou que caminhos errados levam a lugares errados. Remontar o que já está carcomido ou aproveitar o momento para aprofundar os equívocos – especialmente refletidos na desigualdade – é dar alguns passos em direção ao abismo. Mudar o rumo depende da correlação de forças que sairá desta crise.

 

O vírus do petróleo

Especialista no setor de energia critica o foco das notícias sobre o preço do petróleo. “O caos no mercado do petróleo não é a Covid-19. A queda da demanda poderia ser resolvida por cortes de produção da Opep+. O caos tem endereço e nome: EUA e Trump.”

E explica lembrando frase do presidente norte-americano no Twitter: “Eu instruí o secretário de Energia e o secretário do Tesouro a formular um plano que disponibilize fundos para que essas empresas (de petróleo) e empregos muito importantes sejam garantidos por muito tempo no futuro!”

 

Ansiedade dobra

O impacto do coronavírus na saúde das pessoas vai além da própria doença. A Med-Rio Check-up registrou que, com a pandemia, a taxa de pacientes com estresse aumentou de 65% para 87%. O percentual dos que sofrem de ansiedade cresceu de 18% para 36% e dos que padecem de insônia, de 23% para 35%. Além disso, 29% passou a se automedicar – antes era 12%.

 

Colaboração

Fintechs – empresas de serviços financeiros baseadas em plataformas tecnológicas – querem ser um canal para fazer o “coronavoucher” chegar até o trabalhador que precisa. A expectativa é que o repasse atinja 54 milhões de pessoas, e o volume financeiro total chegue a R$ 44 bilhões por três meses.

O grande desafio que se apresenta para a distribuição é a quantidade de desbancarizados. Segundo a Caixa, cerca de 85% do público potencial do benefício não tem conta em banco. A “poupança virtual” criada pela instituição estatal tem se mostrado falha.

As fintechs afirmam que 60% da população desbancarizada do país tem acesso a celular e internet, o que facilitaria a distribuição. A proposta é boa e pode ajudar, ainda mais se os beneficiados puderem sacar em máquinas do Banco 24 Horas, sem tarifas.

Mas as empresas financeiras dariam realmente uma contribuição se se comprometessem – a vera e com direito a punição – a não guardarem só contatos ou terem qualquer lucro com os beneficiados.

 

Tio Patinhas

A Disney vai distribuir US$ 1,5 bilhão em dividendos e bônus aos seus executivos. O valor seria suficiente para cobrir 3 meses de salários dos 100 mil trabalhadores que tiveram seus contratos suspensos em abril.

 

Rápidas

A Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) realizará nesta quinta, às 11h, webinar gratuito com a participação da presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministra Maria Cristina Peduzzi. Inscrições: mla.bs/e84c2b6a *** O Tribunal Superior do Trabalho acaba de lançar uma campanha chamada #MeuAprendizFica. O CAMP Mangueira, que inclui jovens adultos de área de risco social no mercado de trabalho, vai na contramão das demissões e registrou uma contratação durante o período do coronavírus, através da empresa Zeiki Medical Produtos Médicos *** Para apoiar profissionais autônomos e pequenos empreendedores durante o período de isolamento, a plataforma imobiliária Quinto Andar criou o Classificados da Vizinhança, uma vitrine virtual gratuita para produtos e serviços oferecidos pelos clientes.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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