Irã e Venezuela inauguram supermercado Megasis em Caracas

São 3 mil produtos do Irã e Venezuela, que romperam o bloqueio econômico dos EUA

Internacional / 22:13 - 4 de ago de 2020

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Foi inaugurado na Venezuela o primeiro mercado iraniano na América Latina. O supermercado Megasis é uma franquia com 700 unidades no território iraniano, vinculadas a representantes da Guarda Revolucionária Islâmica. Já na capital da Venezuela, o empreendimento envolve 150 empresários persas e venezuelanos. São cerca de duas mil mercadorias trazidas pelo navio Golsán, que aportou nas costas venezuelanas em junho. Somados a outros mil produtos do setor privado venezuelano. O Irã é responsável pela produção de uma série de especiarias, entre elas 90% do pistache e açafrão consumidos no mundo.

Foram três meses para preparar o empreendimento, que previu um investimento inicial de US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) e gerou 500 postos de trabalho diretos e indiretos. “Não existe bloqueio que se valha, quando a vontade dos povos está centrada, concentrada e determinada à independência, liberdade e defesa da soberania”, disse a vice-presidenta Delcy Rodríguez durante a inauguração do espaço.

O lado iraniano confirma a disposição. “Nós, países sancionados, podemos nos complementar. Venezuela tem muitos produtos que o Irã não tem e também algumas necessidades que podemos abastecer”, disse o vice-ministro de Indústrias persa, Issa Rezaei.

Os preços nas prateleiras do supermercado são expressos em bolívares soberanos, moeda nacional venezuelana, ou em dólares.

Além disso, por conta da pandemia da covid-19, que já infectou 19.443 venezuelanos, a nova unidade é equipada com uma cabine de desinfecção na entrada principal e os clientes também devem manter os distanciamento social no período de compras.

Setores de extrema-direita da oposição venezuelana começaram uma campanha, divulgando uma série de fake news que afirmavam que os navios iranianos, tanto aqueles carregados de combustível e materiais para reativar a indústria petrolífera venezuelana, como o último enviado com alimentos, faziam parte de uma infiltração terrorista do Irã na região latino-americano.

Em resposta, o embaixador do Irã em Caracas, Hojjatollah Soltani afirmou que com a inauguração, as duas nações “mandaram uma mensagem ao mundo de respeito ao direito internacional, tal como ocorreu com o envio dos cinco barcos iranianos carregados com combustível para a Venezuela”.

O próximo passo será aumentar as parcerias econômicas para ampliar as vendas no atacado, surtindo os pequenos comércios no interior da Venezuela. Segundo as autoridades persas, o Irã está pronto para suprir as necessidades dos venezuelanos.

O Irã é o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 1,9 milhão de barris diários, de acordo com a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Enquanto a Venezuela possui a maior reserva do combustível fóssil no mundo, com 309 bilhões de barris certificados.

As duas nações mantêm relações diplomáticas há 18 anos, com acordos nas áreas petrolífera, industrial, ambiental, educacional, agrícola e científica.

Em abril, os presidentes Nicolás Maduro e Hassan Rohani acordaram criar uma frente comum contra as sanções, aplicadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, durante a pandemia.

EUA desaprovam

Autoridades dos EUA desaprovaram a abertura do supermercado iraniano na Venezuela, dizendo que qualquer presença do Irã no Hemisfério Ocidental "não é algo que consideramos muito favorável".

O secretário assistente interino do Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Michael Kozak, disse a jornalistas que a abertura do supermercado mostra que isso é como uma aliança de estados "párias".

"Eu ficaria surpreso se a Venezuela pudesse obter muitos benefícios do Irã", disse Kozak em sua resposta à pergunta de um repórter sobre o supermercado. "O Irã está disposto a brincar, está disposto a vender coisas para a Venezuela quando a Venezuela realmente não tem dinheiro para comprar muito".

Kozak ainda descreveu o Irã como "o maior patrocinador mundial do terrorismo. O Irã não vai salvar a Venezuela da situação em que se colocou, mas se coloca em uma situação mais perigosa ao jogar esses jogos", disse ele.

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