Iraque: decisão difícil

Opinião / 14:57 - 17 de jan de 2003

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Os meses estão passando e o anúncio do presidente Bush de intervir militarmente no Iraque de Saddam Hussein vai tendo sua execução sempre adiada. Existe em voga entre os norte-americanos e ingleses uma expressão que bem traduz as dificuldades da tomada de uma decisão de partir para a guerra - o "day after". Quem ataca militarmente e ocupa o território inimigo tem que assumir o compromisso de restabelecer a ordem e instalar um governo no país vencido. Medindo a extensão do "day after" os Estados Unidos, em 1991, derrotado Saddam Hussein, optaram por não ocupar Bagdá. Não quiseram arcar com as responsabilidades políticas, administrativas e financeiras inerentes à organização de um novo governo em país de cultura tão diversa e tão dividido por rivalidades religiosas (sunitas e xiitas) e étnicas (kurdos). Esta dura experiência os Estados Unidos estão vivendo no Afeganistão, onde depois de mais de um ano de instalado um governo nacional amigo, a situação de paz e segurança continua precária. Mas, além deste, há outro problema que está freando a vontade de Bush de partir logo para uma ação militar contra o Iraque. São as crescentes dificuldades político-diplomáticas que envolvem a solução bélica. Todos os países árabes, inclusive os aliados dos Estados Unidos - Egito e Arábia Saudita - já se manifestaram contrários à intervenção militar. Os países europeus, exceto a Inglaterra de Tony Blair, desaprovam a ação bélica, tementes que ela gere um conflito de maiores dimensões. Acrescente-se que o Conselho de Segurança da ONU, que, com a aprovação dos Estados Unidos, está investigando as denúncias de Washington de que o governo de Bagdá fabrica e mantém em depósitos, armas de destruição em massa, ainda não encontrou prova que justifique a denúncia. A recente posição desafiante do governo da Coréia do Norte, quanto à fabricação de armas nucleares, criou para a Casa Branca nova frente de ameaças. Observa-se, da parte do presidente Bush, a preocupação em apressar a solução militar, apesar de todas as dificuldades apontadas acima. Não acredita na afirmação de Saddam Hussein de que não possui armas de destruição em massa e que não tem intuitos de agressão. Em busca de uma decisão, Bush e seu principal aliado, Tony Blair, programaram para o fim deste mês, um encontro de dois dias em Camp David. Vamos esperar o resultado. Carlos de Meira Mattos General reformado do Exército e conselheiro da Escola Superior de Guerra (ESG).

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