Itaú conhece transparência?

Acredite se Puder / 15:33 - 4 de jul de 2001

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Governança corporativa e transparência são os temas mais debatidos no momento e todos acreditam que se as empresas abertas adotarem tais práticas, o investidor brasileiro voltará a aplicar nas bolsas. Bem, com todas as medidas tomadas pela Bovespa, o mínimo que se poderia esperar de uma empresa do nível I é que prestasse todas as informações para não deixar a menor dúvida, principalmente na comunidade dos analistas. Causou surpresa o fato de uma empresa que recebeu o Prêmio Abamec de 1999 e teve escolhido seu dirigente como melhor relações com os investidores, como o Itaú e Alfredo Setubal, não darem a menor explicação sobre as alterações que estão acontecendo nas participações com direito a voto. Só cancelaram as ordinárias O Itaú informou ao mercado que adquiriu, entre novembro de 1997 e junho deste ano, 7.714.765.277 ações de sua própria emissão, das quais 4.694.778.336 ordinárias e 3.019.986.941 preferenciais. Porém, 4.138.142.579 das ações com direito a voto foram canceladas, enquanto 861.952.060 ações preferenciais foram recolocadas no mercado, em alienações privadas, no âmbito do Plano para Outorga de Opções de Ações a seus administradores, e o restante foi depositado na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) para lastrear a emissão de 200 mil "CEDEARs", do Programa de Certificados de Depósitos Argentinos. Dados contraditórios Na assembléia realizada no dia 23 de março houve autorização para nova aquisição de ações, que representa menos de 10% das 10.456.328.069 ações ordinárias e 51.020.934.890 ações preferenciais em circulação no mercado. Acontece que a instituição nas informações anuais prestadas à Comissão de Valores Mobiliários revelou que os minoritários detinham 10.982.709 mil ordinárias e 49.206.179 mil preferenciais. Será que serão rerecompradas as 2.150.535 mil ações sem direito a voto que estão na tesouraria? Qual a política do Itaú? No momento em que se procura fortalecer o mercado brasileiro atraindo novos investidores, o Itaú não parece se importar com a base acionária. Em 1998 tinha 62.078 acionistas pessoas físicas e apenas 74 institucionais. No ano seguinte, a quantidade dos primeiros baixou para 57.765 enquanto a dos segundos aumentou para 464. No ano passado, no entanto, houve redução geral e o número passou a ser de respectivamente 57.120 e 428. E ninguém sabe se entre os institucionais existem fundos de investimento. A grande dúvida Com o dinheiro da tesouraria, o Itaú tem recomprado suas próprias ações. Com o cancelamento das ordinárias verificou-se que a participação da Itausa no capital votante aumentou de 55,49% para 60,28% e a do Itaucorp, de 20,75% para 22,61%. Tudo bem que houve a negociação da parcela da Caixa Geral de Depósitos, que era de 7,81% antes da redução. Mas, os minoritários, possivelmente os instituicionais, aumentaram sua parte de 13,73% para 17,10%. Então, só resta aguardar a explicação para não ficar a impressão de que o controlador aumenta a posição com os recursos da tesouraria.

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