Itaú (ITUB4): resultado do 1T26, desempenho da ação e perspectivas

Segundo o analista Sidney Lima, as ações do Itaú não estão performando melhor por causa do desempenho do banco, mas por causa dos problemas dos outros bancos.

445
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos
Sidney Lima (foto divulgação Ouro Preto Investimentos)

Conversamos sobre o resultado do 1T26 do Itaú com Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do Itaú no 1T26?

O Itaú teve um bom resultado, só que chega um momento em que o bom não é mais suficiente para o mercado, já que ele sempre está atrás de uma surpresa. Hoje, no dia pós-divulgação do resultado, a ação abriu em alta, mas depois recuou. Para mim, esse é um movimento puramente técnico de realização, já que não houve nenhuma grande surpresa no resultado divulgado.

Onde o Itaú faz o seu resultado?

O resultado do Itaú vem, principalmente, da carteira de crédito, mas uma das grandes vantagens do banco em relação às outras instituições financeiras é o trabalho de diversificação para captação de receita que foi feito ao longo dos últimos anos. Isso fez com que o banco performasse muito mais, além de trazer a estabilidade que estamos vendo agora.

Qual a sua avaliação sobre a evolução da rentabilidade do Itaú?

A evolução da rentabilidade do Itaú está diretamente relacionada à diversificação de receita feita pelo banco. Como o Itaú cresceu em vários segmentos, isso otimizou a sua receita e diminuiu a exposição a um risco maior, principalmente em um cenário de inadimplência que acaba incomodando boa parte das instituições financeiras que concorrem com o Itaú.

Espaço Publicitáriocnseg

O que faz com que o Itaú não sofra as turbulências de outros bancos, como Bradesco e Banco do Brasil sofreram nos últimos anos?

Os casos do Bradesco e do Banco do Brasil estão diretamente relacionados à inadimplência. Esse é um ponto que está ligado ao contexto econômico e que gera preocupações relacionadas aos resultados das instituições financeiras, já que as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) afetam os lucros.

Na minha opinião, a diversificação beneficiou muito a captação de receita do Itaú. Por exemplo, o Itaú não focou apenas no crescimento da carteira de crédito através da concessão de crédito desenfreada. Essa pode ser uma palavra pesada, mas ao contrário de outras instituições, o Itaú focou em um crescimento da carteira de crédito mais sustentável e organizado. 

O Itaú não eliminou a possibilidade de sofrer com a inadimplência, como ocorreu com o Bradesco, na carteira convencional, e com o Banco do Brasil, na carteira do agro, mas o banco tem demonstrado uma resiliência que tem feito com que boa parte dos investidores e dos gestores olhem com mais carinho para suas ações.

Como você tem visto o movimento de valorização das ações do Itaú?

O Itaú passou a ter uma valorização consistente no início de 2025, sendo que no início de 2026, o banco teve uma valorização bastante significativa, principalmente em janeiro, que está diretamente relacionada às expectativas mais positivas de performance do banco. Cabe destacar que boa parte desse movimento está diretamente relacionada às exigências de exposição dos fundos, já que a maior parte dos recursos que circulam na Bolsa são movimentados por investidores institucionais e estrangeiros.

Como esses fundos possuem métricas de alocação no segmento financeiro, eles analisam a relação risco x retorno dos bancos e veem que os números do Itaú têm demonstrado uma recorrência mais sustentável e saudável. Isso gerou uma realocação no segmento financeiro que beneficiou muito o Itaú, já que, nesse momento, o banco é uma das melhores oportunidades.

Qual a sua avaliação sobre o valor da ação do Itaú?

Existem duas métricas que são utilizadas para se analisar se uma ação está cara ou barata: o P/L, preço/lucro, e P/VP, preço/valor patrimonial. Usando o P/L, o Itaú está com 10,57, sendo que no mercado existe uma “regrinha” de que um P/L começa a ficar atraente abaixo de 15. Ou seja, quanto menor o P/L, melhor a ação. Assim, o Itaú está muito barato em relação à lucratividade que ele proporciona ao seu acionista.

Contudo, pela ótica do P/VP, como o Itaú está com um indicador de 2,20x, a sua ação não está barata. Como o P/VP segue a mesma lógica do P/L, ou seja, quanto menor, melhor, ele está indicando que hoje se paga R$ 2,20 por uma ação que vale R$ 1,00.

O ponto é que não se pode analisar isso como um retrato específico, pois é sempre preciso comparar com os pares. Por exemplo, o Bradesco tem um P/L de 8,62 e um P/VP de 1,15, enquanto o Banco do Brasil tem um P/L de 7,71 e um P/VP de 0,67. Pelo P/L, por mais que o Itaú pareça mais caro, os três bancos estão dentro da mesma margem (abaixo de 15), mas o P/VP indica que a ação do Itaú está cotada por um valor que ela não vale. A questão é que quando se aloca em uma ação, não se olha se o seu preço é justo ou não, mas sim as perspectivas da companhia. 

Por mais que o Itaú seja um banco incrível, ele não está performando melhor que os concorrentes por causa do seu desempenho, mas por causa dos problemas que os seus concorrentes tiveram. Por exemplo, um Fundo de Investimento em Ações, que possui um regulamento que determina que 15% dos seus recursos precisam estar aplicados no segmento financeiro, pode fazer movimentações dentro do segmento financeiro. Eu vi muito esse tipo de migração para as ações do Itaú em 2025, o que beneficiou muito a ação.

Dessa forma, mais importante do que olhar se uma ação está cara ou barata, é olhar a tese que ela está defendendo. No caso do Itaú, eu vejo três. A primeira é que o banco segue sendo mais eficiente. Neste caso, por mais que a ação pareça mais cara, talvez seja possível capturar um upside. A segunda é que a Selic alta favorece as margens financeiras do Itaú, já que o banco focou em qualidade de crédito, e não na concessão desenfreada. A terceira é a gestão de risco, que segue extremamente disciplinada dentro do Itaú. Por essa ótica, eu não vejo o mercado se perguntando se a ação do Itaú está cara ou barata, mas sim qual tem sido o banco que tem demonstrado mais eficiência, principalmente do crédito, dentro do segmento financeiro.

Qual a sua projeção para o dividend yield do Itaú em 2026?

Como o dividend yield tem relação com o preço da ação, a sua projeção acaba sendo complexa. Hoje, a projeção está em 7,38%, mas com os movimentos técnicos de correção que devem acontecer nos próximos dias, a projeção pode chegar a casa dos 10%. Em termos de volume, a expectativa é que o Itaú distribua de R$ 35 bilhões a R$ 37 bilhões de proventos neste ano.

As ações do Itaú são para que tipo de investidor?

Como a ação do Itaú é mais perene, ela é para um investidor de longo prazo, que busca mais consistência. Diga-se de passagem, esse entendimento não é apenas para as ações do Itaú, mas para as ações dos grandes bancos.

No longo prazo, a ação do Itaú tende a ser muito assertiva tanto nos ganhos quanto nos dividendos. Historicamente, existem empresas que distribuem mais dividendos, mas elas possuem um risco maior. Além disso, já é provado que as instituições financeiras são as mais lucrativas de forma recorrente.

Por exemplo, por mais que a Selic elevada, por um período tão longo, incomode, como as instituições financeiras trabalham com capital de terceiros, isso faz com que elas capturem um spread que gera uma margem muito maior. Com isso, o grande ponto passa a ser a disciplina no gerenciamento de risco, que impacta na questão da inadimplência, mas como o Itaú tem feito a tarefa de casa muito bem feita, ele está lidando bem com essa questão.

Como você está vendo as perspectivas do Itaú?

As perspectivas do Itaú são muito boas, já que o banco tende a seguir performando, mas o mercado tende a precificar novidades. Por exemplo, se o Bradesco ou o Banco do Brasil mostrarem, no atual cenário, uma resiliência e uma recuperação maior, suas ações podem performar melhor que as ações do Itaú, que está fazendo o dever de casa, mas sem nenhuma grande novidade, sem nada que surpreenda de forma sensacional.

No mercado, existe a máxima “compre ao som dos canhões, venda ao som dos violinos”. Enquanto a ação do Itaú possui som de violinos no fundo, os bancos que sofreram estão ao som de canhões, o que acaba gerando oportunidades. Por exemplo, o Itaú está performando bem e não tem sinais de preocupação relacionadas à inadimplência e ao PDD, mas se ele tiver esse tipo problema nos próximos resultados, suas ações vão sofrer uma derretida muito grande.

É por isso que é preciso diversificar sempre, mesmo que seja dentro do mesmo segmento. Eu vejo upsides melhores em ações de outros bancos, mas se o investidor busca consistência para o longo prazo, o Itaú segue sendo uma boa oportunidade.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg