‘Je suis Cajazeira’

“No dia 7 de janeiro de 2015, há três anos, dois atiradores, Saïd e Chérif Kouachi, mataram 12 pessoas em Paris,...

No dia 7 de janeiro de 2015, há três anos, dois atiradores, Saïd e Chérif Kouachi, mataram 12 pessoas em Paris, incluindo parte da equipe do jornal Charlie Hebdo. Até aquele momento, aquele atentado foi considerado um dos piores que Paris havia presenciado e, imediatamente, uma gigantesca comoção mundial se fez. O clamor, a dor, a indignação tomou conta das redes sociais. Orações de desespero, manifestações de solidariedade e empatia com a dor dos franceses que foi demonstrada nos milhões de perfis no mundo que passaram a estampar as cores da bandeira francesa com o lema solidário, ‘Je suis Charlie’. Aqui no Brasil isso não foi diferente, de tal maneira que, na época ficava-se na dúvida sobre em que país estávamos.

Pois bem, ontem, dia 27 de janeiro de 2018, um grupo armado metralhou um clube pobre da periferia da capital cearense, Fortaleza, e muito pouco se falou. Os mortos foram adolescentes, mulheres, alguns trabalhadores autônomos num forró. Ninguém mudou o perfil, tampouco empunhou algum slogan dizendo, ‘Je suis Cajazeira’, ‘Je suis Fortaleza’…

Quem se importa com isso? Foram 18 pobres a menos, ‘que se matem’, é o que dizem e pensam alguns. Para a periferia, acossada pelas facções criminosas que dominam esses bairros, não há democracia, não há solidariedade. Há o medo, o desespero, a desgraça de não ter nascido em Paris. O simples espaço geográfico que habitam condiciona os olhares, os sentimentos, a desconfiança, a rejeição. Meus conterrâneos são os esquecidos moradores de uma periferia de uma capital do Nordeste. São invisíveis. A lista de mortos do jornal não trazia nomes, ‘duas adolescentes’, ‘um motorista de aplicativo’, ‘um ambulante’… não são ninguém, só têm um sexo e uma idade. Nesse país grande e equivocado chamado Brasil, se chora pelo distante e se comemora a tragédia e a dor dos que estão perto. Uma nação que odeia o pobre porque é o reflexo no espelho que quer negar.”

O texto, que leva a refletir, é da professora Sônia Meneses, da Universidade Regional do Cariri, e foi publicado no jornal O Povo, do Ceará.

 

Leite derramado

Os produtores paranaenses de leite debitam à falta de orçamento para os programas de compras do Governo Federal a conta da crise no setor. Além disso, acusam o governo de favorecer a importação de leite em lugar da exportação.

O resultado desta equação é que o preço do litro de leite, que variava entre R$ 2 e R$ 1,60 em 2016, caiu para R$ 1,15 no segundo semestre de 2017, e chegou até R$ 0,70 por litro.

Uma das soluções propostas pelos produtores seria o fim das importações e a compra voltada para o mercado interno, o aumento da verba para a compra do leite estocado, o crédito para as cooperativas e renegociar a dívida dos agricultores.

O deputado federal Zeca Dirceu alertou que “o governo tem dado preferência à importação do leite de países como Argentina e Uruguai, em detrimento da aquisição da produção interna. Sem falar no desmonte promovido nas políticas públicas voltadas para a compra da produção nacional”.

 

Vai parar

Em reunião na manhã desta quarta-feira, as centrais sindicais (CUT, CSB, CTB, Força Sindical, Nova Central, UGT e Intersindical) aprovaram a realização de uma Jornada Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência. As entidades orientam para um Dia Nacional de Luta em 19 de fevereiro. A palavra de ordem é “Se botar pra votar, o Brasil vai parar”.

 

Sem Lula

A pesquisa DataFolha divulgada nesta quarta-feira vai ao encontro do que a coluna escreveu e de encontro ao que os especialistas ouvidos pelos jornalões disseram após a confirmação da condenação de Lula. Com o ex-presidente fora do páreo, aumentam as intenções de voto de Bolsonaro e de candidatos vistos como progressistas (Ciro e Marina).

Alckmin fica estacionado, e Luciano Huck, mesmo com toda a exposição em horário nobre dominical, variou na margem de erro. É cedo para conclusões, assim como pesquisas tão longe da eleição enganam, mas taxar Bolsonaro de anti-Lula é um equívoco – que, aliás, não desagrada o ex-militar.

 

Rápidas

São Paulo sediará, de 10 a 12 de abril, a quarta edição da LAAD Security – Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, no Transamerica Expo Center *** Até 10 de fevereiro, a Loja do Bem do Center Shopping Rio, em Jacarepaguá, recebe doações de itens de material escolar que serão destinados à Associação Ler e Saber na Comunidade, de Madureira.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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