Jejum decisório

O fracasso da conferência da FAO para enfrentar a alta dos preços dos alimentos e da fome no mundo revela mais pelo que silenciou do que pelas propostas cosméticas sugeridas. Enquanto defenderam a necessidade de o mundo investir mais US$ 20 bilhões por ano para aumentar a produção de comida, os representantes dos países presentes ao fórum, principalmente, dos mais ricos, foram omissos ou extremamente cerimoniosos em apontar a especulação nos mercados futuros e a concentração da produção e da distribuição dos alimentos como causas-chave da crise. Ou seja, faltou fome em resolver o problema.

Herança Menem
Com o crescimento econômico anual entre 8% e 9% do PIB, nos últimos cinco anos, a Argentina vive uma explosão da demanda por energia. Porém, enfrenta problemas estruturais para aumentar as reservas de petróleo e gás, conforme disse Fausto Maranca, da Câmara Argentina de GNV, ressaltando que a Argentina é um dos poucos países que privatizaram essa indústria estratégica. O país vizinho estuda o uso do gás natural comprimido em veículos pesados.

Campeão
O engenheiro Wagner Victer recebeu nesta quinta o prêmio NGV World Champion From Latim America, que pela primeira vez é entregue a um brasileiro. De acordo com os organizadores do prêmio, a escolha de Victer foi unânime, em função do seu trabalho frente à Secretaria de Energia do rio de Janeiro entre os anos de 1999 a 2006. Enquanto esteve à frente do setor, o número veículos convertidos aumentou de 5 mil para 500 mil, o número de postos de abastecimento de GNV no estado saiu de 18 para 520 e o número de municípios atendidos saltou para 30 – em 1999, apenas a capital recebia gás.

Tricolor
Victer, atual presidente da estatal de saneamento do Rio de Janeiro, a Cedae, tinha outro motivo para abrir um largo sorriso: a vitória do seu Fluminense sobre o Boca Juniors, na noite anterior.

Concentração
Em 2006, o Governo Lula e as estatais federais destinaram R$ 1.015.773,83  à publicidade oficial. O recorde anterior fora registrado, em 2001, no governo FH: R$ 953,7 milhões. A quase totalidade desses recursos beneficiou os nove grupos empresarias que controlam cerca de 85% dos meios de comunicação no país. Os dados são apresentados pelo jornalista Altamiro Borges em seu blog – http://altamiroborges.blogspot.com/ – para defender a necessidade de democratizar a distribuição da verba publicitária para os meios de comunicação.

No mínimo, o máximo
Borges acrescenta que 62% das verbas publicitárias do governo Lula foram destinadas a emissoras privadas de televisão, 12% a rádios, 9% a jornais, 8% a revistas, 1,5% à Internet, 1,5% a outdoors e 6% a outras mídias: “Somente a onipotente TV Globo abocanhou mais de 60% dos recursos da televisão. Já os três principais jornalões do país (Folha, Estadão e Globo) ficaram com o grosso da verba publicitária do setor. A ditadura midiática, que prega o “Estado mínimo” e critica os gastos públicos, iria à falência sem os recursos oficiais”, ironiza Borges.

Cobras
O jornalista admite existir “enorme decepção com o Governo Lula” entre os que alimentaram ilusões sobre uma distribuição menos concentrada das verbas de publicidade. Para ele, nesses setores, “o adjetivo trivial” para definir  a postura do governo diante “da ditadura midiática” é o de “covarde”: “Ninguém aguenta mais percorrer os corredores burocráticos do governo para solicitar verbas publicitárias. A desculpa apresentada é dos critérios do mercado, da audiência e tiragem. Na prática, o governo incentiva a monopolização do setor com recursos públicos e castra a possibilidade de estímulo à diversidade e à pluralidade informativas. Repetindo: o Governo Lula alimenta cobras!”

Ataque ao bolso
Os Correios trocaram, desde o último dia 13, o telefone gratuito (0800 5700100) da Central de Atendimento aos Clientes (CAC) por números em que o usuário paga a ligação. Para passar telegrama fonado, por exemplo, o número é 2503-8585. A troca, afirma a empresa, é temporária.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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