Jogo bruto

O cineasta Luiz Carlos Barreto fez duras críticas Sky, durante a audiência pública que debateu o Projeto de Lei da Câmara dos Deputados 116, que unifica as leis que regulam o serviço de TV paga, abe o mercado para as empresas de telefonia, derruba a restrição à participação do capital estrangeiro no setor, hoje em 30%, e estabelece cotas de conteúdo nacional na programação a cabo. Barreto, que representou o Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav-RJ), acusou a Sky de tirar do ar o Canal Brasil, por este defender o projeto, desconsiderando contrato com vigência até 2014: “Foi uma atitude de retaliação”, enfatizou, acrescentando que a operadora recuou e voltou a transmitir o canal.
Pelo visto, direito adquiridos para certas empresas, é via de mão única.

Lá&cá
Barretão criticou ainda a Sky, que transmite 100% de conteúdo internacional por satélite, sem gerar empregos no Brasil, por querer derrubar o sistema de cotas de conteúdo nacional que faz parte da proposta por considerar absurda, “uma cota insignificante de três horas e meia para produção brasileira semanal, como previsto PLC 116, semanal, praticamente simbólica”. Barretão lembrou que a mesma Sky aceita a cota de 60% de conteúdo nacional determinada na Europa: “E agora vem criar essa idéia falsa de que não há consenso sobre o projeto. Eu acho isso uma falta de ética muito grande”, criticou o cineasta.

Represálias?
Para o cineasta, a Sky teme o fantasma da entrada das teles no mercado de TV fechada. Ele afirmou que preferiu denunciar “a atitude nefasta” da operadora, mesmo sabendo que poderá sofrer consequências: “Só falei porque, aos 82 anos de idade, não posso mais guardar nada debaixo do tapete”, desabou, acrescentando que, se o projeto não for aprovado logo, o setor de audiovisual, “o que mais cresce no país e no mundo, a taxas de até 9% ao ano, terá cinco anos de atraso”.

Arte e sorte
A mudança do marco regulatório era um dos temas do seminário sobre investimentos no setor de petróleo que a Fundação ARO e o MONITOR MERCANTIL realizaram nesta quinta. Isso, algumas horas após a aprovação do sistema de partilha pela Câmara dos Deputados. “Ou o jornal tem fontes poderosas no Congresso ou foi muita sorte”, comentou alguém da platéia.
O jornalista Sidney Rezende, que mediou os debates, lembrou então uma frase do golfista Tiger Woods: “Quanto mais eu treino, mas eu tenho sorte!”

Perdas do Rio
Recém-chegado de Brasília, o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) fez um resumo, no seminário, da votação do marco regulatório e se mostrou pessimista quanto ao veto do presidente Lula ao artigo que muda a distribuição de royalties. Leite acha que se Lula realmente vetar esse item, o Congresso pode derrubar a decisão do presidente. Sua esperança é a próxima legislatura e a liderança da presidente Dilma.

Título
Ainda no seminário, que teve o patrocínio da Petrobras, o secretário estadual de Desenvolvimento e Energia do Rio de Janeiro, Julio Bueno, brincou com a vitória do sistema de partilha sobre o modelo de concessão, que ele apoiava: “Eu tenho sido derrotado ultimamente.”
Terça-feira, Bueno concorrera à presidência do Fluminense, quando foi derrotado pelo candidato da oposição. O secretário disse esperar virar o jogo domingo, quando o tricolor pode se sagrar tricampeão brasileiro.

O verdadeiro vilão
O cientista político Theotonio dos Santos discorda dos que usam o combate à inflação como o álibi preferencial para justificar a alta dos juros. Para Santos, do Conselho Editorial do MM, a queda dos juros pode até diminuir a inflação, por reduzir o custo de produção e o gasto público (com a dívida): “Do jeito que as coisas estão, a taxa de juros brasileira atrai uma quantidade enorme de aplicações especulativas, que entram e saem em alta velocidade. Vimos isso em 1998, quando saíram US$ 60 bilhões em poucos meses. Hoje temos mais reservas, mas a pressão de saída é maior”, advertiu, lembrando que os juros altos valorizam o real e aceleram as importações, em detrimento das exportações.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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