Joinha

Joinha
A confiar na exatidão da narrativa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o presidente Lula teria comemorado o crescimento de 3,4% do país no primeiro semestre como “jóia”. O comentário reafirma a razão dos que consideram a presidência de Lula mais para Campos Sales – na economia – que para Juscelino Kubstichek. Em seu Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2005, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Comércio (Unctad) reserva ao crescimento brasileiro papel medíocre: meros 3% para este ano. Esse número é inferior aos 4,2% previstos para o crescimento médio da América Latina e bem abaixo dos 5,5% projetados para os países emergentes. Para ficar na imagem de Lula, o crescimento do país este ano será, no máximo, joinha.

Juscelino paraguaio
Para que a comparação de Lula com Juscelino Kubstichek deixasse o terreno das bravatas para o mundo real, o Brasil teria de acompanhar, ao menos,  o ritmo dos países da América Latina. Aqui, a Venezuela, segundo a Unctad, deve fechar 2005 crescendo 8%, seguida por Argentina (7,5%) e Chile (6%). Com suas políticas monetárias e fiscal, no entanto, Lula impõe ao Brasil crescer abaixo de países como Peru, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Sem falar na África, cujo PIB deve avançar, em média, 5% este ano, segundo a Uncatd.

Revisão ou golpe?
Reunidos em Gramado  (RS), no 77º Encontro Nacional da Indústria da Construção  (Enic), cerca de 1.200 empresários do setor aprovaram a Carta de Gramado, um protesto contra a atual crise política que o país atravessa e a política econômica conservadora. Um tema polêmico, porém, foi incluído: a necessidade de uma Constituinte exclusiva, tese que alguns setores da sociedade encaram como tentativa de golpe.
De fato, o conservador presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, propos que fosse convocada em 2006 uma Constituinte revisora “enxuta”, com, no máximo, 100 pessoas “com respeitabilidade na sociedade”, a serem eleitas para integrarem a assembléia que teria um prazo de 360 dias para aprovar as reformas. As prioridades seriam as mudanças na legislação eleitoral, tributária e previdenciária.
Como mostrou sexta-feira J. Carlos de Assis, na coluna aqui ao lado, o impasse político no país nasce justamente da tentativa de desmontar a Constituição de 88, que garantiu a democracia social, beneficiando a ampla maioria da população. Parte da elite brasileira, porém, não aceita abrir mão de seu quinhão e busca manter seus privilégios.
Não se sabe quem seriam os “100 notáveis”, mas os temas propostos parecem ir no caminho de uma revisão que só agravaria a crise brasileira.

Doping ao contrário
Mais realista, o economista Rabello de Castro – que nunca integrou hostes heterodoxas ou esquerdistas – disse, no 77º Enic, que é grande o potencial de desenvolvimento da economia, “se houver algum abrandamento no aperto monetário”. Ele comparou a economia nacional a um atleta que não corre nem metade do que é capaz. Em relação à construção civil, projeta um cenário melhor para 2006, com a baixa nos juros que deve ser iniciada este mês.

Memória
Este não foi o primeiro encontro da indústria da construção que se realiza sob o clima de uma grave crise política. Em abril de 1991, a edição do encontro realizado em Belo Horizonte culminou com a Carta de Belo Horizonte, que fazia um alerta à nção e em especial ao governo, sobre as denúncias de corrupção – que acabaram causando a queda do então presidente da República, Fernando Collor de Mello.

Barbárie
Os saques, estupros, roubos, entre outras amplificações dantescas que se seguem à tragédia em Nova Orleans confirmam antiga advertência feita em tempos muito anteriores aos dos apologistas contemporâneos do neoliberalismo: fora do Estado, só a barbárie.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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