Jorrando juros

A informação do IBGE de que, no terceiro trimestre, em comparação aos três meses anteriores, a atividade de intermediação financeira (3,1%) cresceu mais do que a extrativa mineral (1,9%) produz um exotismo econômico. No Brasil em que presidentes eleitos transferem o poder recebido das urnas para tecnocratas sem-voto do Banco Central, emprestar dinheiro é um negócio mais lucrativo do que produzir petróleo.

Desmoralizando Getty
O modelo baseado nos juros reais (descontada a inflação) mais altos do mundo desmoraliza até a antiga pensata do magnata estadunidense Paul Getty, segundo a qual o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor, acrescentava, é uma petrolífera mal administrada. No Brasil, bancos são mantidos bem administrados integrando a turma que abocanha dois terços dos R$ 160 bilhões/ano pagos pelo Bolsa Juros. Já bancos mal administrados são cevados com Proer acima do rombo registrado nos balanços ou recebem aportes de recursos públicos sem que os donos percam o controle acionário.

Enfeite extra
A carga tributária incidente sobre o preço total dos produtos natalinos continua em alta. E, principalmente, nos presentes que os consumidores sentirão o seu peso. É o que mostra pesquisa realizada pela VerbaNet, coordenada pela tributarista Carina D”Angelo. Para decorar a sua casa o contribuinte carrega na árvore de Natal uma carga tributária de 39,23%; no presépio, de 35,93%; e enfeites de Natal, 48,02%. O cartão que envia para os amigos leva de “brinde” 37,48% de tributos.

Recheio
A situação do contribuinte natalino melhora pouco na ceia: peru, chester, pernil, tender e lombo pagam 29,32% de impostos; bacalhau, 43,78%; peixes em geral, 34,48%; frutas, 21,78%; nozes, 36,45%; panetone, 34,63%. Se a ceia for regada a vinhos, são 54,73% de impostos. O champanhe ou o espumante paga 59,49%; cerveja, 54,8%; e refrigerante, 45,8%.

Amigo oculto
O Leão fica com metade do valor dos presentes, em média. Um aparelho MP3 ou iPod recolhe 49,45% em tributos; brinquedos, 39,70%; CD, 37,88%; jogos eletrônicos, 72,18%; roupas, 34,67%; sapatos, 36,17%; telefone celular, 39,80%; tênis importado, 58,59%; e o campeão, perfume importado, tem a carga tributária de 78,43%
A pesquisa computou ICMS, Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, CSLL, Cofins, PIS, Pasep e Imposto de Importação.

Margem de lucro
Apesar dos altos tributos, alguns preços cobrados pelo comércio brasileiro são injustificáveis. Ainda que levando em conta frete e outros gastos, não é possível compreender diferenças de preços de 200% ou 300%. Um jogo para videogame, por exemplo, sai por volta de US$ 40 nos Estados Unidos (menos de R$ 70). No Brasil, o valor pula para R$ 180. Um brinquedo da marca Lego pode sair a US$ 75 na terra de Tio Sam (cerca de R$ 130), enquanto aqui alcança inacreditáveis R$ 600.

Diploma
Depois da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, que, no último dia 23, aprovou, por unanimidade, no última dia 23, projeto de lei exigindo a comprovação de formação superior em Jornalismo para ser contratado pela Casa, quarta-feira passada foi a vez de o Legislativo de Santa Catarina (Alesc) seguir na mesma direção. Quarta-feira, com o voto de 25 parlamentares, a Alesc aprovou o Projeto de Lei 63/10, de autoria do deputado Kennedy Nunes (PP), que estabelece a mesma exigência para provimento de cargos de jornalista na  administração pública estadual direta e indireta.

Depende do Senado
Aliás, na próxima terça-feira, o Senado deve votar a Proposta de Emenda Constitucional 33/09, a PEC do Diploma, que reestabelece a exigência do diploma para exercício da profissão, revogada pelo Supremo Tribunal Federal. Incluída na pauta do plenário da Casa  quarta-feira passada, a matéria foi adiada para a próxima semana. Dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Grupo de Trabalho da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma convocam a categoria e suas entidades para se manterem mobilizadas pela aprovação da proposta.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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