Jovem baixa-renda é mais requisitado para voltar a trabalho presencial

Quanto menor a renda familiar, maior o percentual; brasileiros de 18 a 25 anos somam 42% das contratações temporárias no primeiro semestre.

A mais recente etapa da Pesquisa Jovem Covid-19, sobre a influência da pandemia na vida pessoal e profissional dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos, revela que 52% deles já estão trabalhando presencialmente. E quanto menor é a renda familiar, maior é a chance de essa parcela da população ter que sair de casa para trabalhar.

Realizada pelo Ensino Social Profissionalizante (Espro), o estudo já colheu 18.855 entrevistas desde abril de 2020, com respostas de 18 estados, mais o Distrito Federal. Nesta etapa, a sétima onda do levantamento, foram ouvidas 1.463 pessoas entre junho e julho.

De acordo com a pesquisa, o percentual de entrevistados que está em regime de trabalho presencial atingiu pico no país: 52%, ante 46% da etapa anterior (abril de 2021). Esse percentual era de apenas 11% no início da pandemia (abril de 2020).

A pesquisa mostra a forte influência da renda familiar no trabalho presencial dos adolescentes e jovens: quanto menor a renda familiar, maior a probabilidade de o jovem ser requisitado a trabalhando presencialmente.

Na faixa de até um salário mínimo, o percentual de entrevistados que atualmente vai fisicamente ao trabalho é de 56%. A porcentagem vai caindo na medida em que a renda familiar sobe: 55% (de um a dois salários mínimos), 52% (dois a três salários mínimos), 45% (três a quatro salários mínimos) e 39% (de quatro a cinco salários mínimos). Acima de cinco, o percentual é de 40%.

No trabalho remoto, o inverso é verdadeiro: apenas 18% dos jovens com famílias que recebem até um salário mínimo trabalham de casa, enquanto 42% deles fazem teletrabalho em famílias com renda acima de cinco salários mínimos. São Paulo é o estado com maior número de jovens que fazem trabalho remoto (29%), ante 15% de Minas Gerais e 16% de Pernambuco.

A pesquisa mostra que, no geral, o número de jovens que trabalham remotamente sofreu variação mínima em relação à última etapa da pesquisa: 23% nesta edição, ante 22% de abril de 2021. De acordo com a pesquisa, 11% dos entrevistados saem de casa sempre que necessário, independentemente de ser algo essencial – 5 pontos percentuais acima da etapa anterior (6%), mas bem abaixo do pico, em novembro de 2020, quando um em cada quatro (24%) saía de casa mesmo para algo não essencial.

O estudo mostra, ainda, que a saúde continua sendo mais importante do que a economia para os adolescentes e jovens: 95% dizem que têm preocupação muito alta ou alta de que amigos ou familiares peguem a doença; 89% têm medo de ficar doente; 89% temem os impactos na economia do país; e 88% temem perder o emprego ou a fonte de renda.

Ainda de acordo com o levantamento, 94% dos entrevistados dizem estar “mais pensativos do que o normal” e 90%, “mais ansiosos”. Eles também mostram estar bem conscientes dos riscos da doença ao adotar práticas de prevenção: 98% dizem usar máscara, 97% usam álcool em gel e 93% lavam as mãos frequentemente.

Já levantamento realizado pela Employer apontou que os jovens entre 18 e 25 anos representaram 42% das contratações na modalidade temporária no primeiro semestre deste ano, um aumento de cerca de 5% comparado ao mesmo período de 2020.

Houve ampliação de 39% na contratação de temporários no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2020, de acordo com outro levantamento realizado pela mesma Employer. A expectativa é a de que a modalidade de contratação continue em crescimento, já que, por conta da vacinação e da reabertura das atividades econômicas, as demandas pela admissão de pessoas estão em crescimento.

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