Juiz determina abertura da caixa-preta da privatização da SIX

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Usina de Xisto SIX (foto de Rogério Reis, Agência Petrobras)
Usina de Xisto SIX (foto de Rogério Reis, Agência Petrobras)

O juiz federal substituto da 4ª Vara do Rio de Janeiro, Mario Victor Braga de Souza, acolheu pedido da deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e da deputada estadual Ana Júlia (PT), ambas do Paraná, em ação popular contra a privatização da SIX.

A decisão determina que a Petrobras apresente toda a documentação e garantias firmadas com a Forbes & Manhattan Resources Inc. (F&M) na venda da Unidade de Industrialização do Xisto (Paraná Xisto S/A, SIX) para o grupo canadense.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a decisão é mais um passo em direção à possível anulação da privatização da SIX.

Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, discursa ao microfone (foto de Fabio Rodrigues, ABr)
Gleisi Hoffmann, presidente do PT (foto de Fabio Rodrigues Pozzebom, ABr)

Ação visa anular a privatização

A ação popular foi ajuizada no último dia 14 contra Petrobras, F&M Brazil e União Federal visando a anulação da venda da companhia. Segundo a FUP, a F&M descumpriu cláusulas contratuais ao não pagar a estatal por serviços prestados em TSA (Suporte Temporário Administrativo e de Apoio Técnico à Operação da Refinaria) à SIX, unidade localizada em São Mateus do Sul, no Paraná.

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Entre os documentos solicitados pelo juiz estão avaliação de crédito da Forbes e Manhattan firmada no processo de privatização da SIX que ateste a capacidade da empresa compradora de cumprir suas obrigações contratuais; contratos firmados entre Petrobras e F&M envolvendo garantias de cumprimento do contrato; e Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças (CCVA) e seu respectivo termo de aditamento.

“Essas medidas representam um importante avanço na luta contra a privatização da SIX”, afirma o advogado Ângelo Remédio, do escritório Garcez, que representa as parlamentares da ação pública.

Ele explicou que, com a análise desses documentos, será possível verificar, entre outras coisas, se a compradora apresenta garantias legais, financeiras e operacionais para assumir a SIX. “A partir da análise dos contratos, eventuais inconsistências poderão ser cobradas judicialmente”, disse Remédio.

SIX foi privatizada no apagar das luzes do governo Bolsonaro

Esta ação popular se soma a outros processos e iniciativas adotados pela FUP, Anapetro (associação que representa os petroleiros acionistas minoritários da Petrobras) e o sindicato dos petroleiros (Sindipetro PR/SC), que questionam irregularidades na venda da refinaria do Paraná, na atividade de produção e exploração de xisto e questões ambientais.

A SIX foi privatizada em novembro de 2022, ao apagar das luzes do governo Bolsonaro, comprada pelo grupo canadense. Pelo contrato, a Petrobras seguiria administrando a unidade até que a nova empresa constituída (Paraná Xisto) pudesse operar sozinha. Enquanto isso, a Petrobras seria remunerada pelo trabalho.

Apesar de diversas ações judiciais em curso, a diretoria da estatal anunciou a conclusão da venda em novembro do ano passado. O negócio incluiu a Petrosix, tecnologia desenvolvida e patenteada pela companhia brasileira.

A SIX foi vendida por US$ 41,6 milhões (aproximadamente R$ 210 milhões à época). O valor é pouco superior ao lucro registrado pela SIX no último ano (cerca de R$ 200 milhões).

Valor da venda é menor do que pagamento que Petrobras fará à ANP

O valor da venda não chega à metade do que a Petrobras desembolsará no acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para sanar as dívidas relativas ao não recolhimento de royalties sobre a lavra do xisto entre 2002 e 2012. A companhia concordou em fazer o pagamento de R$ 564 milhões.

Presidente da Petrobas, Jean Paul Prates (Foto: José Cruz/ABr)
Jean Paul Prates, presidente da Petrobras (foto de José Cruz, ABr)

Em abril deste ano, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, determinou apuração interna sobre a venda da SIX.

A F&M Brazil deixou de pagar um valor estimado de R$ 140 milhões à Petrobras, o que levou a estatal a suspender as atividades do contrato de TSA. A Petrobras retomou na noite de sexta-feira (14) os serviços de suporte administrativo e técnico temporário, “após o cumprimento das obrigações contratuais assumidas em contrato assinado em novembro de 2022, com a anuência da Forbes Resources Brazil Holding S/A, adquirente da Paraná Xisto S/A”, disse nota da companhia brasileira.

“Mesmo durante o período de suspensão, a Petrobras manteve todas as medidas sob sua responsabilidade para garantir a máxima segurança das pessoas e das instalações nas quais atua em São Mateus do Sul”, concluiu a nota.

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