Juros altos nos EUA preocupam o mercado

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Bolsa de Valores (Foto: divulgação)
Bolsa de Valores (Foto: divulgação)

Dia negativo para as bolsas, com os investidores cautelosos com a divulgação do CPI nos EUA, que pode reforçar as apostas de juros altos por mais tempo, em meio à guerra política em torno do teto da dívida nos EUA. Juros operam de lado, após quatro altas seguidas e, nas moedas, dólar opera com leves ganhos, se beneficiando do clima de aversão ao risco global. Commodities tem dia misto, com minério em alta, enquanto petróleo devolve os ganhos de ontem. Por aqui, destaques para a 1ª prévia do IGP-M, que deve reforçar o momentum negativo dos preços no atacado, e a produção industrial, que deve seguir patinando, apesar da alta na indústria extrativa, mas a dinâmica deve ser pautada pela reação de NY ao CPI, especialmente os números referentes ao núcleo, após payroll forte reforçar as apostas de cenário de inflação alta por mais tempo. A abertura deve ser negativa para o Ibovespa e de alta para o dólar, em linha com o clima de aversão a risco, enquanto, nos juros, o IGP-M deve comandar a reação da ponta curta, enquanto, os vértices de médio e longo prazo devem subir, em linha com a reação do câmbio.

Ásia: bolsas fecharam em queda, em meio ao clima de cautela com o CPI americano. Na Coréia, a taxa de desemprego caiu de 2,7% para 2,6% (exp 2,6%) em abr/23. Ueda (BoJ) afirmou que levará tempo ate que o objetivo de inflação seja atingindo. Hoje, conta corrente do Japão (mar/23) às 20h50 e CPI e PPI da China (abr/23) às 22h30.

Europa: bolsas em queda, com ações de varejo liderando as quedas, com os investidores optando por esperar os dados de inflação nos EUA. Na Alemanha, o HICP subiu 0,6% (prévia 0,6%) em abr/23, somando 7,6% em 12 meses. Na Itália, produção industrial abaixo do esperado (exp 0,3%), caindo 0,6% (-3,2% a/a) em mar/23. Nagel (Buba) afirmou que os juros devem subir mais devido à inflação extremamente elevada. Schnabl (BCE) disse que a inflação começou a cair, mas que o núcleo está resiliente e que o momentum segue elevado. Na agenda, Centeio (BCE) Fala às 8h20 e às 11h. ABN (Holanda), Alstom (França) e Credit Agricole (França) divulgam resultado.

EUA: em linha com a performance global das bolsas, em meio ao embate sobre o teto da divida, futuros operam em queda. A confiança das PMEs da NFIB caiu de 90,1 para 89,7 pontos (exp 89) em abr/23. Williams (Fed NY, vota) disse que a inflação de serviços tem sido mais persistente, que não vê razões para cortar juros em 2023 e que, se necessário, o Fed voltará a subir os juros. Hoje, CPI (abr/23) às 9h30, estoques de petróleo do DoE (5/mai) às 11h30 e resultado do governo (abr/23) às 15h. Leilão de T-Notes (10 anos) às 14h. Walt Disney divulga resultado após fechamento.

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Brasil: apoiado pela perspectiva de queda na inflação, após Tebet (Planejamento) dizer que o IPCA virá um pouco abaixo das expectativas, e as altas das commodities levaram à sessão de alta no mercado domestico, com o Ibovespa fechando em 101.114 pontos (1,01%), engatando a 4ª alta seguida. As tensões com a indicação de Galípolo ao BCB, a ata mais dura do Copom e o avanço das taxas de juros no exterior levaram a dia de alta na curva de DI futuro, com o miolo da curva subindo cerca de 10 pontos. No câmbio, em dia de ganhos para as moedas emergentes, o Real se beneficiou do tom hawkish do Copom e dos ganhos nos termos de troca, com o dólar fechando aos R$4,99 (-0,49%).

Na ata da última reunião, o Copom seguiu com a descrição de um cenário externo adverso e, no cenário local, a visão de que a desaceleração do crédito local está em linha com os ciclos anteriores e que, apesar da força no começo de 2023, a atividade econômica segue em moderação, conforme esperado pelas autoridades. O processo de desinflação deve ser mais lento, mas houve uma novidade: as autoridades discutiram a influência da deflação dos preços no atacado no comportamento futuro da inflação. O comitê segue preocupado com a desancoragem das expectativas e que, apesar do arcabouço fiscal reduzir os cenários de cauda na trajetória da dívida pública, o Copom esperará sua aprovação final e sua transmissão nas expectativas para alterar o rumo da política monetária, evidenciado no ‘não há relação mecânica entre a convergência de inflação e aprovação do arcabouço fiscal’.

Ou seja, o comitê segue pedindo paciência e serenidade para que os efeitos do ciclo de alta sejam transmitidos na inflação corrente e nas expectativas, o que exigirá o apoio do desenho e da aprovação da política fiscal, em um contexto de mercado de trabalho resiliente, moderação da atividade e uma desinflação lenta, para, então, iniciar o ciclo de cortes da taxa Selic. Acreditamos que a ata é consistente com um ciclo de cortes no fim do 3T23, o que deve ocorrer na reunião de set/23, em nossa opinião. Na agenda, 1ª prévia do IGP-M (abr/23) às 8h, produção industrial (mar/23) às 9h e fluxo cambial (5/mai) às 14h30. Allied, Alper, Alupar, Pine, Bemobi, Boa Vista, Brisanet, Copel, D100, Dimed, Enauta, Equatorial, Estapar, Grupo Mateus, Guararapes, Lavvi, Log-In, Metal Leve, Marisa, Melnick, Odontoprev, PetroRecôncavo, Petz, Positivo, Profarma, Qualicorp, Randon, Rossi, São Carlos, T4F, TC, Tupy, Viveo e Wilson Sons, após fechamento.

Nicolas Borsoi é economista chefe da Nova Futura investimentos

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