Juros da dívida pública vão consumir 5 PECs da Transição

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Dinheiro, cédulas de real
Dinheiro, cédulas de real (Foto: ABr/arquivo)

Os gastos com juros nominais do setor público consolidado chegaram a R$ 65,3 bilhões em março, mais do que o dobro dos R$ 30,8 bilhões de março de 2022. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC).

Só no primeiro trimestre de 2023, os juros da dívida já consumiram R$ 181,7 bilhões. Em 12 meses, são R$ 693,6 bilhões.

Se a taxa básica de juros (Selic) não baixar rapidamente, o serviço da dívida nesse ano deve consumir mais de R$ 700 bilhões, equivalentes a quase o montante de cinco PECs da Transição, calcula o Dieese. “Para comparar, o gasto com o serviço da dívida apenas no primeiro bimestre do ano [R$ 116 bilhões] equivale a 80% de todo o montante de gastos sociais previsto pela PEC da Transição para 2023.”

Na comparação interanual, também contribuíram para a evolução dos juros o aumento do estoque da dívida e a alta da taxa Selic no período, que passou de 11,75% ao ano em março do ano passado para os atuais 13,75% ao ano.

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O resultado nominal – formado pelo resultado primário mais os gastos com juros – também aumentou na comparação interanual. Em março, o déficit nominal ficou em R$ 79,499 bilhões, contra o resultado positivo de R$ 26,472 bilhões em igual mês de 2022.

Em 12 meses, o setor público acumula déficit R$ 618,890 bilhões, ou 6,11% do PIB. O resultado nominal é levado em conta pelas agências de classificação de risco ao analisar o endividamento de um país, indicador observado por investidores.

Entre 21 e 22 de março, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) organizou um seminário, no Rio de Janeiro, com o tema “Estratégias do Desenvolvimento Sustentável para o Século XXI”. Entre os convidados internacionais, chamou atenção a intervenção da professora indiana de Economia da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA), Jayati Ghosh.

A professora repetiu o que muitos no Brasil têm afirmado: juros altos seguem orientação essencialmente política, apesar da retórica tecnicista. Para Ghosh, “isso não tem base econômica, beira o masoquismo. Bancos centrais e autônomos são suscetíveis a capturas políticas. O déficit público brasileiro está sob controle. Então, faria muito mais sentido expandir o Produto Interno Bruto do que implantar esta austeridade fiscal”.

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