33.2 C
Rio de Janeiro
sábado, janeiro 16, 2021

Juros e amortização da dívida crescem 60% em 2 anos

O Congresso Nacional aprovou o Orçamento Federal para 2020, destinando para juros e amortizações da dívida R$ 1,603 trilhão, ou seja, 45% dos R$ 3,565 trilhões do Orçamento. “Isso mostra que a dívida pública continua sendo o principal entrave ao atendimento dos direitos sociais no país, implicando cortes de investimentos sociais”, critica a Auditoria Cidadã da Dívida.

São previstos R$ 409 bilhões para pagamento de juros da dívida e R$ 1,193 trilhão para amortização. O Orçamento para 2020 prevê, assim, um salto de R$ 1,065 trilhão (executado em 2018) para R$ 1,603 trilhão, aumento de quase 60%.

As Organizações Globo, no Jornal Nacional dessa noite (quarta-feira), sonegaram cinicamente a informação dos valores que vão para a dívida pública, seja para juros ou para as amortizações. Essa é a verdadeira causa do desequilíbrio fiscal entre receitas e despesas. Entretanto, o ajuste em busca do equilíbrio de receitas e despesas vem sendo feito às custas dos direitos sociais e do investimento”, protesta o professor Paulo Rubem Santiago, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Façam seus jogos

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou suas previsões para 2020. A estimativa é que o PIB cresça 2,3% no ano que vem. Também ajustou a projeção para 2019: alta de 1,1% do Produto Interno Bruto. Bem, nessa hora é importante resgatar as previsões do Ipea feitas no final do ano passado.

A Carta de Conjuntura do órgão projetava um crescimento de 2,9% para 2019. Se a realidade ficar mesmo em 1,1%, será um erro de 1,8 ponto percentual, quase 180%. Apesar de ter sido lançada no final de 2018, não conseguiu acertar nem mesmo a taxa no ano: acreditava em 1,6%, mas os números oficiais do IBGE deram 1,3%.

Não se trata de uma questão de pessimismo ou otimismo, mas de atenção à realidade; e o passado ensina. Outro exemplo vem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que, em dezembro de 2018, apostava em um crescimento econômico de 2,7%, “impulsionado pela expansão de 3% da indústria”. A produção industrial estava em queda de 1,1% até outubro.

Pesquisas que medem a expectativa de empresários também apresentam margens de erro espantosas. O Índice de Confiança do Comércio da FGV Ibre atingiu em novembro o maior valor desde 2014. No final do ano passado, o otimismo também estava em alta, mas cedeu à realidade e mergulhou após abril de 2019. Uma montanha-russa que não guarda relação com a realidade de quem produz, mas com notícias mais pessimistas ou mais otimistas circulando na mídia.

 

Limpo

Na semana passada, o BNDES mostrou que não sofreu perdas com os empréstimos e outras operações com o Grupo JBS. Agora, o presidente do banco, Gustavo Montezano, informa que não existiu e nem existe irregularidade em qualquer das operações do banco. Isso desmente o presidente Jair Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral de 2018, ele vivia dizendo que havia uma caixa-preta no BNDES.

 

Inimigo interno

A participação dos países em desenvolvimento no comércio mundial de serviços tem crescido a taxas superiores ao do comércio de bens. Porém, a presença é concentrada na China, Hong Kong (também China, mas contabilizada separadamente pela Organização Mundial do Comércio, OMC), Coreia do Sul, Cingapura e Índia, que ficam com 25,2% do bolo. As demais 125 nações em desenvolvimento, Brasil inclusive, dividem 10,7%.

O comércio de serviços é lucrativo e disputado. Não à toa, quando o Brasil começou a dominar o segmento de construção, foi bombardeado pelos concorrentes, que contaram com valorosa ajuda dos patriotas detratores do BNDES.

 

Crime sem castigo

A desistência de construir uma refinaria no Comperj, polo petroquímico do Rio, é prejuízo para o país, mas um crime contra o estado, o maior produtor de petróleo no Brasil. O que tem a dizer o governador Wilson Witzel?

 

Batom na cueca

Jair Bolsonaro sempre conduziu sua família com disciplina militar. Não existe possibilidade de ele não saber o que seus filhos faziam. O cheque de R$ 24 mil na conta da primeira-dama e o emprego da filha de Fabrício Queiroz no gabinete do então deputado federal, hoje presidente, são apenas duas de muitas provas.

 

Rápidas

Camilo Adas será o presidente da SAE Brasil para o biênio 2020/2021 *** Neste domingo, o Caxias Shopping terá uma edição extra da Feira Caxias Shopping, das 9h às 18h, com temática natalina.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

Não foi a disrupção que derrotou a Ford

Mercado de automóveis está mudando, mas montadora sucumbiu aos próprios erros e à estagnação que já dura 6 anos.

Quantas mortes pode-se debitar na conta de Bolsonaro?

Se índice de óbitos por Covid-19 no Brasil seguisse a média mundial, teriam sido poupadas 154 mil vidas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Varejo sente redução no auxílio e alta da inflação

Comércio ficou estável em novembro e quebrou sequência de recuperação.

Senado quer que Pazuello se explique

Pedido de convocação para cobrar ação do Ministério da Saúde no Amazonas.

Lenta recuperação na produção industrial dos EUA

Setor ainda está 3,6% abaixo do nível anterior à pandemia.

Realização de lucros em âmbito global

Bolsas europeias e os índices futuros de NY operam em baixa nesta manhã de sexta-feira.

Desaceleração deve vir no começo do primeiro trimestre

Novo pacote de estímulo fiscal, bem como o avanço da imunização, deve garantir reaceleração em direção ao final do período.