A produção industrial brasileira variou 0,1% na passagem de agosto para setembro, após assinalar 0,2% no mês anterior e -0,3% em julho, de acordo com o IBGE. O quadro configura uma estabilidade preocupante, em que os juros paralisam a indústria. Mesmo com os dois meses seguidos de resultados positivos, o setor industrial ainda se encontra 1,6% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
O crescimento “é pífio”, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike, para quem o segmento industrial vem passando por um desaquecimento. “Estamos em uma situação de desindustrialização que não ocorre só no Brasil, mas em todos os países que vão se sofisticando, devido à equiparação ao longo do tempo”, diz.
Eyng lembra que a atividade econômica sempre começa pela extrativista, depois pela agricultura e, na sequência, ela vai para a indústria. “Hoje, a indústria representa 18,9% do PIB brasileiro, mas já representou algo entre 40% e 45% décadas atrás, principalmente antes de o País se abrir para a importação, quando, por conta disso, precisava fabricar tudo de tudo”, ressalta.
A principal influência positiva no resultado de setembro veio da atividade de indústrias extrativas, com alta de 5,6%. Em relação a setembro de 2022, a indústria nacional apresentou alta de 0,6%. No ano, apresentou queda acumulada de 0,2% e, nos últimos 12 meses, variação nula (0%). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira.
“O resultado de setembro da produção industrial nacional marca o segundo mês seguido de crescimento, mas não altera o comportamento de menor dinamismo que a caracteriza nos últimos meses. Para além disso, no índice desse mês, observa-se predomínio de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos industriais investigados”, destaca o gerente da pesquisa, André Macedo.
Crédito ainda caro: juros paralisam indústria
“Em linhas gerais, taxa de juros elevada, mesmo com o movimento de redução verificado nos últimos meses, nos ajuda a entender esse comportamento do setor industrial, com influência direta sobre as decisões de investimento, por parte das empresas, e de consumo, por parte das famílias. Para além disso, explica o crédito ainda caro e as elevadas taxas de inadimplência”, completa Macedo.
“A indústria de bens de capital vem de um desaquecimento bastante grande, de 8,7% no acumulado dos últimos 12 meses, devido à política monetária, que vinha mais apertada, levando a um alto juro”, pontua Eyng.
“Embora o crescimento de setembro seja pífio, ainda assim é desafiador competir com toda a indústria internacional. Além disso, o BNDES faz um ótimo trabalho e ajuda muito na automatização e modernização da indústria brasileira”, aplaude o CEO da gestora e securitizadora.
Veja o desempenho por atividade
Entre as atividades, a influência positiva mais importante foi assinalada por indústrias extrativas, que avançaram 5,6% nesse mês, após acumular perda de 5,6% no período julho-agosto de 2023. Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos químicos (1,5%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,5%).
“O setor de indústrias extrativas, para além da baixa base de comparação, visto que vinha de duas quedas em sequência, ainda foi favorecido pela maior extração de petróleo e minérios de ferro nesse mês. Esse segmento representa aproximadamente 15% da indústria total e exerce o principal impacto positivo no consolidado do ano”, ressalta Macedo.
Entre as 20 atividades que apontaram redução na produção, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-16,7%), máquinas e equipamentos (-7,6%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,1%) exerceram os principais impactos em setembro.
“Pelo lado da indústria farmacêutica, esse setor caracteriza-se pela alta volatilidade. Quedas e avanços elevados em sequência são comuns ao longo da série. Para além disso, o recuo de dois dígitos desse mês guarda relação importante com o avanço de 30,2% acumulado nos meses de julho e agosto de 2023”, analisa o gerente da pesquisa.
Macedo pontua ainda que os 3 ramos que mais influenciaram negativamente o setor industrial nesse mês também exerceram impactos positivos relevantes em agosto último.
Leia também:
-
Lula inaugura linhas do Sirius e destaca: ‘Investir em ciência não é gasto’
‘O Brasil precisa sair do atraso a que foi submetido durante todo o século 20’, disse Lula ao defender que é preciso investir em ciência.
-
Copa vai levar 99,2 milhões de consumidores às compras
CNDL/SPC Brasil: 47% pretendem adquirir produtos licenciados e 41% vão realizar apostas em bets
-
Giro de estoque mais rápido, em abril, revela estabilidade das vendas de 0km
Aumento da média de descontos nos preços praticados pelas concessionárias é uma das apostas para aumentar a rotatividade, segundo Megadealer
-
Durigan defende taxação de ultrarricos em agenda do G7
Ministro da Fazenda diz que Brasil está atrativo a investimento externo
-
Bandeira vermelha volta ao radar do setor elétrico para junho
Condições hidrológicas e custos do sistema mantêm risco de novas altas na conta de luz
-
PL que compromete atuação de Procons pode ser votado amanhã
Proposta legislativa prevê redução de multas de quase R$ 15 milhões para menos de R$ 100 mil





















