Juros paralisam indústria brasileira

Decisões de investimento são adiada; indústria está 18% abaixo do recorde de 2011

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Produção de minério de ferro
Produção de minério de ferro (Foto: Ricardo Teles/Portal Brasil)

A produção industrial brasileira variou 0,1% na passagem de agosto para setembro, após assinalar 0,2% no mês anterior e -0,3% em julho, de acordo com o IBGE. O quadro configura uma estabilidade preocupante, em que os juros paralisam a indústria. Mesmo com os dois meses seguidos de resultados positivos, o setor industrial ainda se encontra 1,6% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

O crescimento “é pífio”, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike, para quem o segmento industrial vem passando por um desaquecimento. “Estamos em uma situação de desindustrialização que não ocorre só no Brasil, mas em todos os países que vão se sofisticando, devido à equiparação ao longo do tempo”, diz.

Eyng lembra que a atividade econômica sempre começa pela extrativista, depois pela agricultura e, na sequência, ela vai para a indústria. “Hoje, a indústria representa 18,9% do PIB brasileiro, mas já representou algo entre 40% e 45% décadas atrás, principalmente antes de o País se abrir para a importação, quando, por conta disso, precisava fabricar tudo de tudo”, ressalta.

A principal influência positiva no resultado de setembro veio da atividade de indústrias extrativas, com alta de 5,6%. Em relação a setembro de 2022, a indústria nacional apresentou alta de 0,6%. No ano, apresentou queda acumulada de 0,2% e, nos últimos 12 meses, variação nula (0%). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira.

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“O resultado de setembro da produção industrial nacional marca o segundo mês seguido de crescimento, mas não altera o comportamento de menor dinamismo que a caracteriza nos últimos meses. Para além disso, no índice desse mês, observa-se predomínio de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos industriais investigados”, destaca o gerente da pesquisa, André Macedo.

Crédito ainda caro: juros paralisam indústria

“Em linhas gerais, taxa de juros elevada, mesmo com o movimento de redução verificado nos últimos meses, nos ajuda a entender esse comportamento do setor industrial, com influência direta sobre as decisões de investimento, por parte das empresas, e de consumo, por parte das famílias. Para além disso, explica o crédito ainda caro e as elevadas taxas de inadimplência”, completa Macedo.

“A indústria de bens de capital vem de um desaquecimento bastante grande, de 8,7% no acumulado dos últimos 12 meses, devido à política monetária, que vinha mais apertada, levando a um alto juro”, pontua Eyng.

“Embora o crescimento de setembro seja pífio, ainda assim é desafiador competir com toda a indústria internacional. Além disso, o BNDES faz um ótimo trabalho e ajuda muito na automatização e modernização da indústria brasileira”, aplaude o CEO da gestora e securitizadora.

Veja o desempenho por atividade

Entre as atividades, a influência positiva mais importante foi assinalada por indústrias extrativas, que avançaram 5,6% nesse mês, após acumular perda de 5,6% no período julho-agosto de 2023. Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos químicos (1,5%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,5%).

“O setor de indústrias extrativas, para além da baixa base de comparação, visto que vinha de duas quedas em sequência, ainda foi favorecido pela maior extração de petróleo e minérios de ferro nesse mês. Esse segmento representa aproximadamente 15% da indústria total e exerce o principal impacto positivo no consolidado do ano”, ressalta Macedo.

Entre as 20 atividades que apontaram redução na produção, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-16,7%), máquinas e equipamentos (-7,6%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,1%) exerceram os principais impactos em setembro.

“Pelo lado da indústria farmacêutica, esse setor caracteriza-se pela alta volatilidade. Quedas e avanços elevados em sequência são comuns ao longo da série. Para além disso, o recuo de dois dígitos desse mês guarda relação importante com o avanço de 30,2% acumulado nos meses de julho e agosto de 2023”, analisa o gerente da pesquisa.

Macedo pontua ainda que os 3 ramos que mais influenciaram negativamente o setor industrial nesse mês também exerceram impactos positivos relevantes em agosto último.

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