Kafka perde

O abuso do Leão no afã de aumentar a arrecadação provoca situações impensáveis. Um contribuinte foi chamado à Receita no Rio para dar explicações sobre a renda de aluguel de um apartamento que tem em outro estado. Acontece que tanto o inquilino como a mulher deste lançaram, integralmente, o valor pago em suas respectivas declarações de renda. A Receita, ao invés de cobrar dos dois os recibos do suposto pagamento duplicado, exige do contribuinte carioca que prove que não recebeu em dobro!

Por que os juros sobem?
A nova alta dos juros perpetrada pelo Banco Central não encontrou um só defensor fora do mercado financeiro e seu entorno. Além de partir de uma premissa falsa – existiria uma alta generalizada de preços – não tem qualquer eficácia contra o setor que vem, efetivamente, numa escalada altista – o de alimentos. Estes sobem, centralmente, pelo fato de meia dúzia de poderosos grupos transnacionais com ramificações nos mercados futuros terem passado a controlar a indústria alimentícia mundial, rebatizada de agronegócio.
Ou seja, a especulação desenfreada que até os anos 90 restringia-se ao mercado financeiro foi estendida ao campo, tornando povos de todas partes do mundo reféns do cassino financeiro mundial. A alta de juros não apenas é incapaz de sensibilizar esse tipo de movimento especulativo, como lhe facilita a constituição do mix de seus carteiras de ativos.
Se a alta dos juros é repudiada pelas forças produtivas, não reduz a inflação, além de produzir efeitos colaterais, como contratar uma crise nas contas externas e inflar a dívida pública, por que sobem os juros? Sobem porque os responsáveis pela sua alta têm um único e singular compromisso: garantir o pagamento de juros aos especuladores e rentistas que há cerca de duas décadas são cevados pelas taxas reais mais elevadas do planeta, em detrimento do crescimento nacional.
Esse reduzido grupo de 8 milhões de investidores tem, no entanto, um micronúcleo, constituído por apenas 15 mil clãs, que se apropriam de dois terços da gastança com juros – coisa de R$ 100 bilhões, apenas em 2007. Assim, para que os juros não subam, a nomenclatura que garante a sua escalada tem de descer.

Vitaminado
A Unilever investiu R$ 65 milhões no lançamento da nova linha de frutas da AdeS, marca que detém quase 70% do mercado de bebidas à base de soja. O produto acrescentou a sua formulação mais vitaminas e minerais.

Eu uso o gato
A Nova Cedae e policiais da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados encontraram um furto de água nas obras do depósito central da rede de supermercados Carrefour, em Guadalupe, bairro da Zona Norte do Rio. A obra sequer possui matrícula da Cedae, concessionária de águas e esgotos do estado. Até o final deste mês a companhia está com a campanha “Ser legal não custa nada”, em que os clientes com ligações irregulares poderão regularizar sua situação sem ter que pagar qualquer multa. Mais informações pelo telefone 0800 2821195 ou pelo site www.cedae.rj.gov.br

Substituição
Como esta coluna antecipou, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, demitiu o ministro do Trabalho, Jose Ramon Rivero. O novo titular da pasta é o deputado Roberto Hernandez, primeiro vice-presidente da Assembléia Nacional.

Meirelles bolivariano
O superávit fiscal de 2007 na Venezuela ficou em 3% do PIB, o que, segundo representantes do governo, “demonstra a forca, solidez e sustentabilidade das contas do governo central e o equilíbrio das contas públicas”.

Cristão
Nesta segunda-feira, movimentos sociais realizam, em Valença, no Rio de Janeiro, ato de solidariedade ao padre Medoro. A manifestação ocorrerá após a missa  pelos 27 anos da  ordenação do padre. Conhecido por sua história de defesa dos pobres e carentes, o sacerdote tem recebido ataques anônimos de setores incomodados com sua atuação.

Em alta
O jornal CORREIO DA BAIXADA, do grupo MM, dará início ao projeto “Baixada que Encanta”, com diversas atividades culturais, sociais e ambientais.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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