Ladeira abaixo

As vendas reais da indústria fluminense tiveram queda acima de 15% em julho, na série com ajuste sazonal, fortemente influenciada pelo setor metalúrgico. O mercado de trabalho, no entanto, apresentou comportamento oposto e manteve o processo de expansão, com alta de 0,6%. Os demais indicadores serão divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) nesta segunda-feira.

Às ruas
O impasse em que se encontram as CPIs – particularmente, a CPI-mãe, a dos Correios – não se deve, centralmente, às tentativas privadas de apropriação da fama trazida pelas investigações. Este é fenômeno inerente à luta política e proporcional à incapacidade de atores de irem ao fundo das questões-chave. Na verdade, o objeto que permeia as três CPIs caberia a uma única comissão, a da Corrupção, que o PT tentou, sem o entusiasmo da mídia “chapa branca”, emplacar durante o longo mandato de FH. Os fatos já expostos, porém, apontam para questão muito mais candente que uma espécie de campeonato de segunda divisão moral entre o roto e o esfarrapado. A necessidade premente da CPI é dissecar a corrupção institucionalizada nas relações entre os agentes privados e o Estado, beneficiadas por setores enquistados na máquina estatal.
Essa tarefa, no entanto, está longe do alcance – e do interesse – da principal força motora que comanda o ritmo e a direção das CPIs: a mídia acumpliciada com os principais beneficiários. Impedimento semelhante limita a atuação dos agentes coadjuvantes e executivos da CPI:  PT, PSDB e PFL. O primeiro, à procura de acordos que minimizem as perdas, conta com o interesse dos segundos de restringir as investigações a um ponto que torne competitivos seus candidatos a 2006. Para desatar esse nó, é preciso que os movimentos sociais e as personalidades comprometidos com uma democracia mais efetiva levem a discussão sobre a corrupção produzida pela privatização do Estado às ruas.

Espécie em extinção
O economista do Banco Mundial Branko Milanovic, que acaba de lançar o livro Worlds Apart: Measuring International and Global Inequality (Mundos separados: medindo a desigualdade internacional e global), mostra que a classe média está encolhendo. Entre 1960 e 2000, quase todos os países de renda média retrocederam para a classificação de pobres, enquanto o clube dos ricos se tornava quase exclusivamente ocidental: “Enquanto, em 1960, havia 41 países ricos – dos quais 19 eram não-ocidentais -, em 2000 havia apenas 31 países ricos e apenas nove deles eram não-ocidentais. A América Latina e o Caribe, provavelmente, pela primeira vez em 200 anos, não tinham um único país que fosse mais rico que o mais pobre país da Europa Ocidental.”
A classe média está se tornando uma espécie ameaçada de extinção em todo o mundo, informa o boletim Solidariedade Ibero-americana: mais de 77% da população mundial pode ser considerada pobre, com uma renda per capita inferior à do Brasil, contra 16% de ricos, considerando uma renda per capita acima da de Portugal; o que deixa para a classe média apenas 7% da população do planeta.

Clube fechado
Em 2004, o mundo tinha 587 bilionários que controlavam uma riqueza total de US$ 1,9 trilhão, três vezes mais que o PIB do Brasil e equivalente à quinta parte do PIB dos EUA. A dinheirama é suficiente para pagar pelo trabalho da terça parte da força de trabalho mundial que recebe menos durante um ano.

Globalizados
Segundo o Banco Mundial, em 2001, 2,7 bilhões de pessoas, mais que a metade da população dos países em desenvolvimento, viviam com menos de US$ 2 por dia. Em 2004, 852 milhões de pessoas padeciam de fome crônica, 15 milhões a mais que no ano anterior. Mais de 600 milhões de crianças não tinham lares adequados e 4 mil morriam diariamente em decorrência da falta de água tratada e saneamento adequado.

Sobe e desce
Confirmando a previsão desta coluna na véspera, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), depois da forte alta de quinta-feira, fechou o último pregão da semana em queda. A coluna esclarece, porém, não operar com bola de cristal menos enferrujada do que as usadas pelas equipes econômicas em suas fracassadas quiromancias. Nossa análise se limita a respeitar os dois únicos princípios que guiam o mercado financeiro em todo o mundo: especular e  ganhar dinheiro, independentemente das tentativas de racionalização dos analistas-operadores.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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