Ladeira abaixo

O financiamento oficial para ciência e tecnologia nos Estados Unidos não tem aumentado, em termos reais, desde 1995. Agrava o quadro a dificuldade em pesquisadores entrarem nos EUA desde o 11 de Setembro. As restrições impostas para a obtenção do visto de trabalho H1B a profissionais altamente qualificados “têm negado ingresso no país de cérebros privilegiados oriundos de vários rincões do planeta”, destaca o conferencista especial da Escola Superior de Guerra (ESG) Manuel Cambeses Júnior. “Embora a boa qualidade de suas universidades tenha se preservado, o nível médio educacional vem perdendo, sistematicamente, competitividade em nível internacional”, lamenta.

Sem bolha
“O Brasil não vive uma bolha de consumo, embora seja intenso o desenvolvimento do crédito”, analisa o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) sobre a ampliação dos empréstimos no Brasil. Ressalta a entidade que, numa típica bolha de crédito e de consumo, o financiamento perde referência com a renda. “Isso é fruto da concorrência bancária. Significa que na medida em que o crédito evolui e amplia o poder de compra da população, vai sendo perdida a referência à renda que lhe devia servir de base, de forma que passa a residir na própria disposição das instituições de financiamento de não interromperem a trajetória do crédito a condição de continuidade do processo.”
No caso brasileiro, foi a evolução da massa real de rendimentos da população que propiciou o aumento do crédito. A taxa de inadimplência tem sido na média de 2011 a mais baixa jamais registrada no país, diz o Iedi. “Nossos cálculos indicam que o endividamento (dívida/renda anual) das pessoas físicas passou de 21,8% para 36,6% de dezembro de 2006 a maio de 2011, o que, no entanto, não foi acompanhado de correspondente maior comprometimento da renda mensal, que passou de 20,8% para 22,4% no mesmo período. Além do maior rendimento real das pessoas, os prazos de financiamento mais dilatados explicam a preservação da capacidade de honrar as dívidas.”

Só especulação
Uma típica bolha de crédito está associada a hipervalorizações de ativos, o que não estaria acontecendo no Brasil. “O crédito aqui também não pode parar porque sua sustentação – a valorização dos ativos – cairia junto. O Brasil assiste a um forte aumento dos preços dos imóveis, mas não há nem sombra de uma bolha já que o financiamento imobiliário é baixo – representa cerca de 4% do PIB”. Uma mega especulação imobiliária explica a valorização nesse setor, diz o Iedi.
Como disse no MM o economista Carlos Thadeu de Freitas, “com esses juros não há como ter bolha de crédito”.

Modesto
Os financiamentos para as famílias, em maio último, alcançavam 15,4% do PIB, frente a 10,9% do PIB em maio de 2007. A evolução é, em média, de 18% nos últimos três anos em termos reais, mas ainda assim o percentual em relação ao produto interno é baixo quando comparado a outros países. Apesar da análise, o Iedi alerta pode haver problemas se os financiamentos perderem a referência à renda pessoal. “Por isso, são importantes as medidas macroprudenciais na área do crédito”, finaliza.

Keynes
Entre 3 e 5 de agosto, no Instituto de Economia da UFRJ, na Praia Vermelha, a Associação Keynesiana do Brasil (AKB) realizará seu IV Congresso Internacional. A crise financeira na Europa e as estratégias de Keynes para superação de crises estão entre os principais debates do programa. Entre as atrações internacionais, destacam-se Álvaro Gallardo, da Universidad Colegio Mayor de Cundinamarca, e Matías Vernengo (University of Utah) e Pedro Leão (Universidade de Lisboa). Entre os brasileiros, estão debatedores conhecidos dos leitores do MM, entre eles André Modenesi, Luiz Fernando de Paula, Fernando Ferrari e Franklin Serrano, todos integrantes da AKB.

Chororô
As siderúrgicas brasileiras andam chorando suas pitangas, reclamando de baixo retorno nas vendas para o mercado interno. Difícil acreditar, considerando que não somente o aço chinês é mais barato que o nacional – apesar de sermos os exportadores de minério de ferro, mas até o aço coreano chega ao Brasil (CIF, ou seja, com todos os custos incluídos) 37% mais barato que o produto vendido por Geradau, Usiminas ou CSN.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorVelocidade mortal
Próximo artigoDívida eterna

Artigos Relacionados

Plano B dos bilionários dos EUA

Fuga dos impostos, de Trump e dos bloqueios levam a dupla cidadania.

É a inflação, estúpido

Preços não dão trégua a Bolsonaro em ano de eleição.

Brasil: 3% da população, 6% dos desempregados do mundo

Pode colocar na conta de Bolsonaro–Guedes.

Últimas Notícias

Indústria deve qualificar 9,6 milhões de pessoas até 2025

Segundo a CNI, '79% da necessidade de formação nos próximos quatro anos serão em aperfeiçoamento.'

Gastos com delivery subiram 24% em 2021 ante 2020

Cada brasileiro gastou, em média, R$ 16,21 por refeição fora do lar.

Exportação de sucata ferrosa cresceu 43% em abril

Preços se acomodaram; após pressão forte no mercado em função da guerra e da China, tendência é de normalização no Brasil.

Correspondentes bancários são punidos por irregularidade em consignado

Sidney: 'assédio comercial leva ao superendividamento do consumidor; isso não interessa a ninguém, nem ao consumidor nem aos bancos'.

Inadimplência cresce e atinge 61,94 milhões de brasileiros

Número de inadimplentes no país teve crescimento de 5,59% em comparação a abril de 2021; média das dívidas é de R$ 3.518,84.