Lei do enfarte e da usura

Sem estoques e com 10 empresas detendo a comercialização, preços explodem.

Por que o preço da comida sobe e o auxílio de R$ 600 cai?” A pergunta foi feita pela Fundação Perseu Abramo, do PT. E boa parte da responsabilidade é atribuída ao Governo Bolsonaro, ou melhor, às políticas neoliberais radicais implantadas a partir de 2015. A FPA resume alguns pontos:

destruição dos mecanismos de estoques reguladores de alimentos. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) tem, por exemplo, estoques de arroz equivalentes ao consumo de apenas um dia da população brasileira. A última vez que a União comprou arroz para formação de estoques reguladores foi no Governo Dilma, em 2015;

o governo desmontou instrumentos públicos como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) que, somados, contribuíam para incentivar a produção de comida fora do monopólio das grandes corporações;

atualmente, dez empresas privadas são responsáveis por toda a comercialização de arroz no Brasil;

os grandes produtores detêm hoje 4,2 milhões de toneladas de arroz em estoque, suficientes para abastecer por mais de cinco meses o mercado interno;

as grandes corporações dedicam a maior parte das terras de plantio, 60%, para a produção de commodities, ou seja, cereais como a soja, destinada à criação de gado, e outras, que não se destinam prioritariamente à alimentação das pessoas; (vale destacar que esse processo ocorreu também nos governos do PT, e antes deles)

nos últimos 20 anos, houve queda de 40% na área destinada a plantio de arroz;

Portanto, a ‘explicação’ dada pelo presidente (a lei da oferta e da procura) tenta esconder a omissão do governo e sua decisão de deixar os mais pobres à própria sorte”, resume a Fundação. O arroz é um símbolo da alta de preços dos alimentos, mas não é o único “vilão”. Feijão e óleo de cozinha, por exemplo, também subiram. E é falsa a explicação de que a alta dos preços tem ligação com a renda emergencial, que teria feito a população consumir mais alimentos. O aumento já vinha se desenhando desde antes e, principalmente, o que ocorre é queda no consumo dos alimentos por parte da população, fato evidenciado pela volta da fome ao cotidiano nacional, como noticiado durante a semana.

P.S. o título é uma citação ao jornalista Joelmir Beting, que se referia à lei da oferta e da procura como “lei do enfarte e da loucura”.

 

Reconhecida lá fora

O projeto de Reforma Urbana de Colón, realizado na Cidade do Panamá, foi premiado como “Melhor Projeto Global do Ano” na oitava edição do Global Best Projects, organizado pela revista norte-americana ENR – Engineering News-Records, que destacou qualidade em design e construção, inovação, segurança, benefício às comunidades e superação de desafios.

A realização é da brasileira OEC (Odebrecht Engenharia &Construção) em consórcio com a empresa Cusa.

 

Direita festiva

A foto do Partido Novo do RJ no Facebook é uma “galera sarada” curtindo a vida na ensolarada praia de Ipanema. João Amoêdo vive no Planeta Laranja. No diretório “cool” do partido em Ipanema, o Nespresso é liberado. Isso se chama austeridade neoliberal.

 

Rápidas

Educação e Saúde” é o tema do webinar que a EuroCom e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) realizarão nesta quarta-feira, às 16h30, com a participação do secretário-executivo da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Bruno Sobral, e do vice-presidente da Qualicorp, Pablo Meneses *** Sebrae Rio e Fecomércio RJ realizam, até dia 25, campanha de incentivo aos pequenos negócios com foco no Dia das Crianças, com palestras online gratuitas. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no site do Sebrae Rio *** A Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria, em parceria com a Amazon Italia, fará webinar sobre acesso direto de pequenas exportadoras brasileiras ao cliente final no mercado europeu. Será quarta-feira, das 11h às 12h30. Inscrição aqui *** Até domingo acontece a 14ª Semana dos Museus, coordenada pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Entre os temas, as visitas virtuais. A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) participa da ação nacional com transmissão pela sua conta oficial no YouTube.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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