Lembrança de solidariedade contra a desigualdade

Levaremos 35 anos para alcançarmos o atual nível de desigualdade de renda do Uruguai.

Então é Natal. Entre compras e festas, alguém lembra que a data do nascimento de Jesus marca a solidariedade e a esperança. Alguns fatos, que ficam quase sempre esquecidos, mostram que o Brasil desigual tem muito que caminhar. Os dados são da Oxfam:

Uma trabalhadora que ganha um salário mínimo por mês levará 19 anos para receber o mesmo que um super-rico recebe em 30 dias.

Mantida a tendência dos últimos 20 anos, os negros só terão equiparação salarial com os brancos no Brasil em 2089 – 200 anos depois da abolição da escravidão.

Levaremos 35 anos para alcançarmos o atual nível de desigualdade de renda do Uruguai e 75 anos para chegarmos ao patamar atual do Reino Unido, mantido o ritmo médio de redução anual das desigualdades de renda observado desde 1988.

Seis brasileiros possuem a mesma riqueza que a soma do que possui a metade mais pobre da população, mais de 100 milhões de pessoas.

Os 10% mais pobres do Brasil gastam 32% de sua renda com tributos; os 10% mais ricos, 21%.

Considerando dados tributários, o 1% mais rico ganha 72 vezes mais que os 50% mais pobres.

O IBGE calcula que os rendimentos mensais do 1% mais rico representa 36,3 vezes mais que aqueles dos 50% mais pobres.

A metade mais pobre da população teve uma retração de 1,6% de seus rendimentos entre 2016 e 2017. Os 10% mais ricos tiveram crescimento de 2% em seus rendimentos entre 2016 e 2017.

86% dos brasileiros creem que o progresso no Brasil está condicionado à redução de desigualdade entre pobres e ricos (pesquisa Datafolha realizada em fevereiro de 2019).

Dois em cada três brasileiros elegem “fé religiosa”, “estudar” e “ter acesso à saúde” como as três principais prioridades para uma vida melhor.

52% concordam que negros ganham menos por serem negros.

77% concordam com o aumento dos impostos de pessoas muito ricas para financiar políticas sociais.

75% apoiam a universalidade do ensino público fundamental e médio.

57% não acreditam que as desigualdades diminuirão nos próximos anos.

84% concordam que é obrigação dos governos diminuir a diferença entre muito ricos e muito pobres.

73% defendem universalidade para atendimento em postos de saúde e hospitais.

Cabe a todos ter fé, estudo e saúde para mudar esse quadro. Feliz Natal.

 

Todos juntos, vamos

Objetividade sempre foi um conceito difícil no jornalismo, na teoria e na prática. Nesta, a seção de esportes, por seus limites mais difusos, permite enxergar melhor a atuação da mídia e traçar paralelos com outras áreas de cobertura, como a de economia.

A final do Mundial de Clubes motivou notícias engajadas a favor do Flamengo. Se o clubismo travestido de jornalismo já era de difícil justificativa antes da partida – afinal, por motivos históricos, a rivalidade contra o clube do Rio reúne um contingente de torcedores maior do que o de favoráveis – ficou explícito após a perda do título.

Na economia, pode-se traçar um paralelo com a cobertura da política neoliberal radical dos últimos cinco anos. Os resultados são desastrosos, mas a fé de que no ano que vem será melhor permanece no noticiário da grande mídia.

Assim, nos programas de esporte, o Flamengo foi um guerreiro que estará em condições, no ano que vem, de destronar os europeus. O time foi, para os engajados, o melhor brasileiro em mundiais de clubes. Para escanteio são jogadas as conquistas de Santos, Grêmio, São Paulo, Corinthians e Internacional; até mesmo a do Flamengo de 1981.

No noticiário econômico, o fato de, no quinto ano de economia fundamentalista, o resultado previsível (crescimento esperado de 1%) ser inferior até mesmo ao do ano passado (alta do PIB de 1,3%) não impede que jornalistas-torcedores renovem suas apostas: agora vai!

 

Lacunas

O ano chega ao final com duas perguntas de 2018 ainda sem resposta: onde está Queiroz? Quem matou Marielle?

 

Rápidas

O auditório da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro receberá o curso “Como Construir um Novo Futuro?”, no início do ano que vem *** O projeto Ponto de Leitura do Sesc estará no Caxias Shopping em 28 de dezembro para encerrar a temporada 2019 do projeto, das 14h às 18h *** A Luandre, consultoria de RH, tem 300 vagas abertas de técnico de enfermagem e enfermeiro, no Rio de Janeiro. O processo acontecerá no dia 27. É necessário realizar o cadastro no site da consultoria.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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