Lentidão

Um acidente ontem na Ponte Rio-Niterói envolvendo três carros e um ônibus deu uma visão do despreparo da concessionária que administra a rodovia em qualquer outro assunto que não seja arrecadar o (caro) pedágio. A colisão ocorreu no final do trecho em obras, no vão central, sentido Rio. Apenas duas pistas estão operando – uma terceira, reversível, fica separa pela mureta central. Apesar de ser um trecho crítico, não havia ao menos um reboque parado ao final das obras. Um guincho teve que vir pela pista sentido Niterói e fazer uma delicada manobra, parando com isso a única pista que se encontrava livre no sentido Rio. O trânsito ficou parado por alguns minutos e lento por vários. A paciência dos usuários foi para o espaço.

Lucro certo
Nas áreas leiloadas “a preço de banana” pelo governo para extração de petróleo existem campos com capacidade de produzir 10 mil barris por dia – quantidade comparável à de países como Iraque ou Arábia Saudita. A denúncia consta de um dos últimos artigos escritos pelo jornalista Aloysio Biondi, que morreu no dia 21 de julho. A matéria, publicada pela Revista Crea-RJ, do Conselho Regional de Engenharia do Rio de Janeiro, denuncia também o lucro absurdo que estes poços trarão: a extração de cada barril custa de R$ 2,50 a R$ 3,00, enquanto a cotação atual do barril é superior a US$ 30.
Enquanto isso, a Petrobras segue batendo recordes. O campo petrolífero de Marlim, o maior produtor da Bacia de Campos (RJ), superou no mês de agosto a marca dos 500 mil barris de petróleo produzidos por dia, atingindo média de 508 mil. Segundo a Petrobras, a marca do mês passado representou quase 40% da produção nacional de petróleo. Cavando buracos
Outra denúncia do artigo publicado na Revista Crea-RJ: as remessas de lucros, que saltaram de US$ 700 milhões para US$ 7 bilhões em sete anos, estão sendo camufladas no item “reinvestimentos”, incluído na rubrica “investimentos”. Multinacionais que entraram no país atrás das pechinchas de privatização de telefonia e eletricidade estão recomprando ações de milhares de pequenos acionistas, para depois poderem fechar o capital das empresas e enviar fortunas em lucros para suas matrizes.

Conde?
O prefeito Luiz Paulo Conde declarou ontem ser contra o plebiscito das dívidas externa e interna, promovido pela CNBB: “É uma irresponsabilidade. O país não agüenta mais demagogia”, disse ele. Segundo Conde, o líder chinês Mao Tsé Tung após a vitória da revolução socialista teria dito que “a primeira coisa a fazer é pagar a dívida para sermos independentes”. Conde fez coro às palavras do ministro Pedro Malan, para quem “a dívida não é o grande problema do país” e, questionado sobre os recursos captados no período do regime militar, declarou que “muitos se beneficiaram da dívida, mesmo na ditadura”, não citando, no entanto, quais seriam os beneficiados. “É um problema histórico”, resumiu.
Conde!
Quanto à dívida municipal, o prefeito Conde informou que “vêm sendo feitas negociações e há possibilidade de abater a dívida municipal através de acerto entre as dívidas da União com o município”. É, empurrar com a barriga, só que ele elevou o débito à estratosfera.

À la Malan
Ronaldo Cezar Coelho, candidato tucano à Prefeitura do Rio, diz que a primeira coisa a ser feita com relação à dívida do Município do Rio “é um ajuste fiscal, com uma redução grande dos gastos da prefeitura com o custeio da máquina”. Tradução: aprofundar a política de cortes nos investimentos e gastos sociais que vem sendo executada pelo governo federal. Depois Ronaldo Cezar não entende porque as intenções de voto nele patinam na casa de 3%.

Provocação
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) considerou “uma provocação” do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, a nomeação da diretora de Fiscalização, Tereza Grossi, para substituí-lo por quase uma semana, período em que estará no exterior. “Acho deselegante. Ele (Fraga) poderia colocar qualquer um como interino. Sua escolha é provocação. É um ato de força. Não dão bola para a Justiça e para o Senado”, disse Simon. A participação de Tereza Grossi na operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam – em janeiro de 99 – está sendo investigada pelo Ministério Público.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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