Letras ao vento

Praticamente todas as instituições financeiras, com exceção do Banco do Brasil, ignoram a Resolução 3.563 do Conselho Monetário Nacional (CMN) que concedeu prazo até 1 de outubro para pagamento das parcelas de dívidas de financiamento de investimento que venceriam entre 1 de abril e 30 de setembro. A denúncia é de produtores rurais ligados à Federação de Agricultura do Paraná (Faep).
Os produtores, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores, acreditam que as parcelas têm prazo prorrogado de forma automática. Os bancos, porém, alegam que a resolução apenas autoriza a prorrogação, e não a obriga.

Os novos Maias
Quando o finado Governo Collor já fazia água pela cintura, o hoje prefeito César Maia veio a público empunhar a tese da defesa da “política econômica progressista” da então ministra Zélia Cardoso de Mello contra “a direita econômica”. Graças à generosidade habitual da mídia nesses casos, experimentou o dom da ubiquidade, aparecendo, simultaneamente, em quase todos canais de TV. A política de RP de Maia, porém, deu em nada; ele foi expulso do PDT e duramente criticado pela oposição, incluindo o PT.
Quase 20 anos depois, bastou o tímido crescimento do país, ano passado, provocar a nova escalada de juros do Banco Central, para os “progressistas” do PT e seu entorno reagirem à la César Maia. Contra a direita econômica do BC, defendem um aumento cavalar do superávit primário. Ou seja, o que divide “progressistas” e seus opositores é uma questão tática. O que os une é evitar que o Brasil continue a crescer.

“Revival”
Um dos principais defensores, dentro do Governo Lula, do aumento do superávit primário (economia para pagar juros), “em pelo menos um ponto percentual”, como suposta alternativa à alta dos juros, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo decepciona seus admiradores pela segunda vez. A primeira foi quando defendeu o Plano Collor, que confiscou a poupança. Aliás, à época, a ministra Zélia Cardoso de Mello afirmou que Belluzzo era um dos inspiradores intelectuais do plano. O que para alguns seria uma homenagem, para um economista da trajetória do professor da Unicamp passou a ser uma mancha no currículo.

Coxia
O Instituto Votorantim patrocina, pelo segundo ano consecutivo, o projeto cultural “Passageiro do Futuro”, realizado na Vila Kennedy, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foram investidos R$ 275 mil no projeto, que capacita jovens para o mercado das artes cênicas, através de oficinas e treinamento nas áreas de cenografia, iluminação, sonorização, maquiagem, figurino, interpretação, expressão corporal e vocal. Em 2007, o Grupo Votorantim investiu R$ 44,8 milhões em projetos sociais e culturais.

Revelação
Correntistas têm tomado um susto ao receber os extratos bancários adaptados às novas regras do Banco Central, em que os bancos são obrigados a revelar o Custo Efetivo Total (CET) anual dos empréstimos. No caso do cheque especial, a taxa cobrada vai além de 180% ao ano. Antes, os bancos costumavam informar apenas a taxa mensal.

Eleição
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, prometera “contar o que está por trás da especulação imobiliária associada a setores do estado”. Foi mais interessante o anúncio que a realidade. Em seu Ex-blog, Maia mencionou as “iniciativas” do senador e secretário-chefe de gabinete do governador, e candidato declarado a vice-prefeito do PT, como mostra da articulação entre eleição e especulação imobiliária. Disse ainda que “num ano eleitoral, fica cristalino que há uma clara relação entre a disputa pela prefeitura e a associação entre a especulação imobiliária na Zona Sul do Rio e as candidaturas empalmadas pelo Governo do Estado”. “Isso é grave! É predador!”, bradou o prefeito, que preferiu ficar só nisso.

Tijolada
Não deixa de ser irônico que denúncias contra especulação imobiliária venham de um prefeito que só teve olhos para a Barra da Tijuca, bairro em que mais se constrói no Rio.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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