A Procuradoria Geral da República solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito contra um grupo que pretende promover um “levante” e convocar “atos violentos” para a véspera do feriado de 7 de setembro. Estão envolvidos cantor Sérgio Reis, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), o caminhoneiro Zé Trovão e mais sete pessoas, entre elas empresários do agronegócio.
Ao menos três deles – Sérgio Reis, Eduardo Araújo e Turibio Torres – estiveram em reuniões no Planalto semana passada. No último dia 12, o assessor especial de Bolsonaro, Mosart Aragão, publicou nas redes sociais um vídeo do presidente ao lado de Sérgio Reis e Eduardo Araújo, no palácio.
A PGR pediu a livre distribuição do inquérito que ocorre em meio às cobranças públicas sobre a atuação frente a processos que atingem o presidente Bolsonaro e seus aliados. No entanto, o caso acabou no gabinete de Alexandre de Moraes, ministro que teve o seu nome protocolado com pedido de impeachment no Senado Federal pelo Palácio do Planalto. Fonte que acompanha o caso, disse que o STF deu esse encaminhamento porque Moraes já era relator de uma representação apresentada por senadores sobre o mesmo tema.
O documento assinado pela subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo — braço direito do chefe do órgão Augusto Aras – culminou nas buscas que são cumpridas pela Polícia Federal nesta sexta-feira. A PGR quer investigar a “convocação da população, através de redes sociais, a praticar atos criminosos e violentos de protesto às vésperas do feriado de 7 de setembro, durante uma suposta manifestação e greve de caminhoneiros”. Informou, também, queforam solicitadas diversas medidas cautelares diversas da prisão temporária.
Apoio financeiro
Os pedidos da PGR foram acolhidos por Alexandre em decisão dada nesta quarta, 18, sendo que o despacho registra diversas das suspeitas que recaem sobre os investigados, detalhando as articulações do grupo. No documento de 22 páginas, Alexandre de Moraes não só mandou a PF fazer buscas, mas também proibiu os investigados – com exceção de Otoni de Paula – de se aproximarem da Praça dos Três Poderes, dos ministros do STF e dos senadores da República. Além disso, ordenou o bloqueio de uma chave Pix (e da conta a ela vinculada) que, segundo a PGR, tem recebido “doações de particulares para financiar a paralisação” planejada pelo grupo.
São alvos do inquérito, além de Sérgio Reis, Otoni de Paula e Zé Trovão, o cantor Eduardo Oliveira Araújo, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja Antonio Galvan, Wellington Macedo de Souza, que se apresenta como coordenador nacional da Marcha da Família, além de Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm.
A PGR cita vídeos que circularam nas redes sociais com a convocação da paralisação contra os ministros do STF, frisando que, em uma das gravações, o aliado de Bolsonaro “sugere que o movimento conta com apoio financeiro para manter os manifestantes hospedados e alimentados em Brasília por mais de um mês” e “dá a entender que esteve reunido em Brasília com integrantes do Ministério da Defesa e do Exército, Marinha e Aeronáutica”.
Em outro vídeo citado pela Procuradoria, Sérgio Reis aparece discursando ao lado de Zé Trovão, Eduardo Araújo e Antonio Galvan para 23 empresários do agronegócio na sede da Associação Brasileira dos Produtores de Soja.
Segundo ainda a PGR, um dos empresários que teriam participado da primeira reunião do grupo em São Paulo, Petersen, é presidente de associação chamada Coalização Pro-Civilização que “tem recebido transferência bancárias com uma chave Pix na qual figura o domínio o site Brasil Livre”. “São doações de particulares para financiar a paralisação planejada por Zé Trovão, possivelmente patrocinada por Antonio Galvan e amplamente divulgada por Wellington Macedo e por sua Marcha para a Família”.















