
A elevação nas operações compromissadas em 2020 não decorre da dificuldade do Tesouro em vender títulos, mas foi consequência da redução do compulsório sobre depósitos a prazo decidida pelo Banco Central, mostram os professores Julia Braga, da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Norberto Martins, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
As operações compromissadas são remuneração do sobra de caixa dos bancos feita pelo BC. Desde o início deste ano, passaram de R$ 1,3 trilhão para R$ 1,8 trilhão. Os aumentos ocorreram em março (primeira liberação de compulsórios) e no início de abril (segunda liberação).
“Enquanto o povo morre, empresas quebram e faltam recursos para direitos sociais e investimentos, os bancos parasitas recebem remuneração diária de sua sobra de caixa e ainda vão ganhar trilhões em troca de papéis podres”, protesta a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã, Maria Lucia Fattorelli.
Em dez anos, a remuneração da sobra de caixa – mecanismo que tem sua legalidade questionada – gerou um rombo de R$ 754 bilhões nas contas públicas.
















