Liberou geral?

Funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviço ao sistema financeiro têm acesso a dados dos clientes dos bancos. A denúncia consta do dossiê Terceirização no Sistema Financeiro, que será entregue pela Confederação Nacional dos Bancários (CNB) e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, nos próximos dias, ao ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, se Berzoini continuar ministro.
Com cerca de mil páginas, o documento faz denúncias sobre fraudes trabalhistas, comprovações de acesso ao sigilo bancário dos clientes por trabalhadores de empresas terceirizadas e condições sub-humanas de trabalho: “Tenho acesso a contas de clientes, faço jornada de, no mínimo, 12 horas diárias, meu salário é de pouco mais R$ 300. Não recebo há dois meses, não tenho carteira assinada e não tenho qualquer benefício”, disse um dos trabalhadores terceirizados que presta serviço a um grande banco.

Antecipado
Com um mercado oferecendo prazos maiores e até juros menores, cresce a tendência de consumidores quitarem financiamentos antes do tempo em busca de maior facilidade de pagamento. Para a diretora-sênior de Análise da Fitch, Maria Rita Gonçalves, o aumento da competição entre os bancos em Crédito Direto ao Consumidor (CDC) Consignado, nos últimos trimestres, tem contribuído para a migração nos prazos dos créditos ofertados, de 36 para 48 meses, e o crescimento das campanhas promocionais de refinanciamento. Não raro, os bancos incentivam ativamente os tomadores deste crédito, após pagamento de 50% das parcelas totais, a tomarem um novo empréstimo com liberação de um valor maior e quitação do montante restante do contrato anterior.

Perdas
A tendência de antecipar pagamentos de financiamentos podem afetar investidores de fundos de direitos creditórios (FDIC). De acordo com o diretor de Finanças Estruturadas da Fitch no Brasil, Jayme Bartling, “quando um FIDC adquire um direito creditório a uma taxa de cessão inferior à taxa de juros do contrato, o investidor, que pensa estar alocando seu investimento para ativos a valor de mercado (valor de face), ignora o fato de que passa a deixar uma parcela representativa da receita financeira antecipada para o banco originador, ficando somente uma parte da rentabilidade bruta do direito creditório transferida ao FIDC”. Traduzindo: se ocorrer o pagamento antecipado deste direito creditório, a uma taxa inferior à contratada, poderão faltar recursos não só para remunerar o cotista, mas para retornar seu principal investido.

0800
O presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), promulgou a Lei 4.525/2005, determinando que as empresas públicas, privadas ou de concessões tenham atendimento telefônico gratuito para atender aos consumidores. Os estabelecimentos também deverão dispor de balcões ou lojas de atendimento ao consumidor. O descumprimento da lei acarretará multas entre mil e 10 mil Ufirs. As empresas terão três meses para fazer as adaptações necessárias para o cumprimento da lei.

Antinatural
O fenômeno dos juros não é algo restrito ao mundo das finanças, mas se manifesta em diversas situações da vida prática. Para explicar essa realidade, o professor do Ibmec São Paulo Eduardo Giannetti realiza amanhã, às 19h, o seminário “As raízes biológicas dos juros”. Giannetti analisará inúmeros exemplos concretos de trocas intertemporais no mundo natural (como abrir mão de algo no futuro em prol de algo no presente) para ilustrar como funciona a lógica do “viver agora, pagar depois”. Difícil será enquadrar as taxas de juros brasileiras no mundo natural. Mais informações em www.ibmec.br/sp

Aço no exterior
O presidente da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), Aristides Gambelini, disse que a empresa – parceria entre a Vale do Rio Doce e a alemã Thyssen-Krupp Stahl – vai exportar 100% da produção. “Isso vai representar US$ 1,6 bilhão por ano, ao preço de US$ 350 dólares/tonelada”, anunciou. Ainda em fase de estudos, as obras devem começar no final deste ano. A siderúrgica vai gerar 3 mil empregos diretos e 15 mil indiretos.

Causa e efeito
“O Rio de Janeiro tem os maiores índices (de inadimplência) do país”, afirmou o representante da concessionária Ampla em debate ontem na Assembléia Legislativa  (Alerj) José Alves. O furto de energia também foi assunto da reunião. Os dois problemas, claro, não guardam nenhuma relação com a tarifa, reajustada mês passado em 12,65%.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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