Liberou

Um dia após a bolsa turca cair 15%, o Parlamento da Turquia aprovou projeto de lei encomendado pelo FMI e pelo Banco Mundial que irá permitir a privatização do setor de energia elétrica do país. O projeto prevê o estabelecimento de mercado livre no setor de energia em um período de transição de 18 meses. Além de pôr fim ao monopólio estatal sobre geração e distribuição de energia, consta no projeto a criação de um conselho regulador composto por sete membros para estabelecer tarifas, emitir licenças de distribuição e geração de energia. Uma vez sancionado pelo presidente, a estatal Teas será dividida em companhias de geração, transmissão e fornecimento de energia – não por acaso, semelhante ao que o Banco Mundial recomenda para o Brasil. A crise no interior do governo turco por conta das exigências do FMI quase provocou o rompimento entre o presidente e o primeiro-ministro. Entraram em ação os especuladores e estava pronta a panela de pressão para aprovação do projeto “made in FMI”. Ontem a bolsa da Turquia fechou em alta de 0,98%.

Resistência
Depois de dez dias de manifestações contrárias ao pacote editado pelo governo em dezembro do ano passado, no último dia 9 a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conai) e o governo do presidente Gustavo Noboa firmaram acordo alterando algumas das medidas econômicas previstas. Entre elas destacam-se a redução do preço do cilindro de gás doméstico de US$ 2 para US$ 1,60 e a garantia de sua distribuição para toda a população; o congelamento do preço da gasolina e do diesel durante 2001; a revisão dos preços das passagens de transportes terrestres; a redução de 50% dos preços das passagens para crianças, estudantes e idosos; a reestruturação e fortalecimento do Banco Nacional de Fomento, com inversão de US$ 10 milhões em créditos especiais para pequenos e médios produtores; a criação de mecanismos para recuperar os recursos entregues aos bancos particulares com problemas de liquidez; e a não admissão da regionalização do Plano Colômbia.

Pró-barbárie
O balão de ensaio do governo que tenta transformar a obrigação de pagar a tunga na correção do FGTS em drenagem de recursos para arcar com a conta de juros é uma provocação inaceitável. Além de revelar a sensibilidade de vampiro, todas as propostas plantadas pelo governo na mídia “chapa branca” têm em comum a busca de se desobrigar de encargos sociais inalienáveis e implodir mecanismos de irrigação da economia, como a garantia mínima de sobrevivência de desempregados e o financiamento à construção civil.
O objetivo é desativar pressões que fortaleçam, ainda que timidamente, o mercado interno, para tentar, via sadismo social, diminuir o crescente risco de colapso cambial, potencializado pelo avanço das importações ao ritmo de dois por um sobre as exportações. Sua simples exposição na mídia revela o grau de deterioração da política econômica, bem como seu nível de incompatibilidade com um projeto de desenvolvimento civilizatório.

Amém
A Petros não vê hora para vender participações em companhias de telecomunicações. Espera, até o fim deste ano, sair, sobretudo, do bloco de controle da Brasil Telecom, “se Deus quiser”, desabafou o presidente da fundação, Carlos Flory. Ele disse ainda que não vai mais fechar nenhum negócio com o Opportunity até que o problema na Brasil Telecom esteja finalizado e que, possivelmente, não fará novas parcerias com o banco. De acordo com Flory, o foco do fundo agora é investir em projetos específicos do setor, especialmente de infra-estrutura. A Petros passaria a ser, então, o caixa para construção de rede para prestar serviços a teles, sobretudo as de cobertura nacional, como Telemar e Telecom Itália.

Entre amigos
Apesar de avisar, antes de fazer discurso na tribuna do Senado atacando Jáder Barbalho e o PMDB, que pouparia o presidente Fernando Henrique Cardoso, ACM não deixou de ameaçar o Planalto. No final do pronunciamento, o senador baiano deu estocadas no presidente ao dizer que não havia tratado do caso Eduardo Jorge nem do dossiê sobre supostas contas de líderes tucanos, entre eles FH, nas Ilhas Cayman. Resta saber se ficará apenas como mais uma das ameaças vazias de ACM ou se em futuro próximo algum dado concreto vai chegar às mãos da imprensa.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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