Licença para matar

Sob qualquer ângulo, o assassinato de pelo menos dez pessoas no ataque das Forças Armadas de Israel, em águas internacionais, contra um grupo de seis navios, que levava 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária, deve ser condenado veementemente. Trata-se de um ato de terrorismo explícito; pior, terrorismo de Estado. Isto não chega a surpreender, em se tratando dos governos que mandam em Israel; um pouco surpreendente poderia ser a posição tíbia, para dizer o mínimo, de Barack Obama. Mas mesmo quem acredita numa mudança nos EUA com o presidente democrata não ignora as fortes pressões que impedem que um presidente norte-americano fuja muito do script. O momento exige condenação – sem atenuantes.

Saudades da ditadura
Quase tão asquerosa quanto o ataque de Israel é a tentativa de alguns empedernidos membros da mídia de direita internacional – incluindo lacaios locais – de atribuir as mortes a uma reação dos soldados israelenses a ataques dos ativistas, em um navio. Cercados por barcos de guerra e helicópteros fortemente armados, a reação de alguns passageiros teve parcela nula no resultado, tramado por Israel desde o momento em que resolveu abordar, assumindo o papel de polícia internacional, as embarcações. Não por acaso, muitos dos que atribuem às vítimas o papel de culpados comungaram, ou ainda comungam, da tentativa de transformar a ditadura brasileira numa “ditabranda” ou outro eufemismo do gênero. Nazistas também atribuíam aos judeus a culpa por suas execuções.

Jorram os preços
O custo da extração do petróleo triplicou em cinco anos no mundo. A informação consta do estudo Perspectivas de desenvolvimento do setor petróleo e gás no Brasil que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta, nesta terça-feira, na sua sede no Rio de Janeiro. Segundo o Ipea, a alta reflete a escassez mundial de equipamentos e serviços e exploração de áreas mais inóspitas e profundas. No Brasil, o aumento ficou abaixo da média mundial, mas, mesmo assim, triplicou em cinco anos, saltando de US$ 3,42 por barril no terceiro trimestre de 2003, para US$ 10,42 por barril, em 2008. O estudo considera que a alta reflete, não apenas a escassez mundial de equipamentos e serviços, como a expansão da fronteira petrolífera brasileira em direção a áreas de profundidade cada vez maior na exploração offshore.

Desafios
De acordo com o estudo, para fazer frente ao forte aumento de custos, o país vai precisar investir em inovações tecnológicas, para maximizar o petróleo e o gás natural a serem produzidos. E defende uma reconfiguração dos aspectos institucionais, políticos e regulatórios: “Afinal, a fronteira de exploração e de produção do pré-sal estabelece uma mudança radical nas condições de contorno da indústria brasileira do petróleo, com fortes repercussões sobre a estrutura de arrecadação e aplicação de participações governamentais. As descobertas recentes do pré-sal irão demandar a reorientação das diretrizes de política energética no Brasil. Entretanto, se houver esgotamento precoce das reservas pode ocorrer a perda de competitividade e/ou atrofia dos demais setores econômicos (“doença holandesa” ou “maldição do petróleo”), alerta o Ipea.

Descentralizar
A Junta Comercial do Rio de Janeiro (Jucerja) inaugura nesta terça-feira, às 11h, na cidade de Magé, a 14ª delegacia regional. As delegacias permitem que cidadãos e empresários possam dar entrada em processos de abertura e registro de empresas. A delegacia vai funcionar na Rua Sebastião Reis nº 21 – Centro.

Tecnologia
O Rio de Janeiro conseguiu atrair um escritório da Bayer Technology Services (BTS). Os serviços da BTS envolvem todas as fases de um projeto de investimento de capital, soluções de tecnologia de ponta e métodos e ferramentas para aumento da eficácia de energia ou da cadeia de suprimento, por exemplo.

Pelo ladrão
Processar o setor público é um vetor tão lucrativo que pelo menos um grande escritório de advocacia do Rio de Janeiro, comandado por um advogado cuja família tem larga militância no Judiciário, inclusive, presença em órgãos dirigentes, criou um setor destinado exclusivamente a ações contra a Cedae.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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