As lições herdadas pelo mundo após a crise financeira internacional de 2008
que foi precipitada pela falência do tradicional banco de investimento dos EUA Lehman Brothers – pode ajudar os investidores durante a pandemia do coronavírus. As causas são distintas, mas os efeitos são similares como a queda abrupta da atividade econômica, o crescimento vertiginoso do nível de desemprego, a redução da taxa básica de juros e a implementação de programas de expansão fiscal. A conclusão é de um estudo inédito desenvolvido pela Mercer, consultoria global nos segmentos de saúde, previdência e investimentos.
De acordo com João Morais, líder da área de Wealth da Mercer Brasil, a análise sobre as estratégias que se mostraram vencedoras em 2008 e que são recomendáveis para os investidores institucionais diante da crise atual podem ser resumidas em três pilares: “atuar de forma dinâmica, não abandonar a gestão ativa e diversificar a carteira de investimentos”.
A diversificação internacional ainda não é uma prática comum nos fundos de pensão brasileiros. Estes sempre concentraram grande parte de seus investimentos em renda fixa, valendo-se da habitual alta taxa de juros reais que prevalecia no país.
Além disso, a pouca diversificação em relação à renda fixa se concentrava quase que exclusivamente em renda variável local. O estudo revela que esse comportamento não mudou de forma relevante após 2008, mesmo em um ambiente que veio reduzindo cada vez mais as taxas de juros. De fato, no final de 2019, mais de 70% do patrimônio da previdência fechada no Brasil estava alocado em renda fixa, sendo a maior parte em títulos públicos. Pouco menos de 19% estava em renda variável e uma parcela ínfima estava em ativos internacionais (menos de 0,6%).
“As entidades de previdência complementar deveriam apropriar-se desse momento em que a renda fixa no Brasil tem baixo retorno e a Bolsa, alta volatilidade, como uma oportunidade para diversificar os riscos do portfólio, explorando diversas alternativas de investimento no exterior, considerando a baixíssima alocação nessa classe”, afirma Morais.
Diversificação
Para a Mercer, a diversificação internacional em títulos e ações proporciona não só acesso a mercados com ciclos econômicos e características bem diversas como também a empresas e setores em que o investidor local não tem acesso usando apenas os ativos disponíveis no Brasil.
“Por apresentar maior exposição a companhias de setores que por vezes até se beneficiam de algumas crises e outros que têm posição mais sólida em uma recuperação global, verificamos que em tempos de crise os investimentos no exterior são menos impactados, ao passo que nos anos de recuperação as bolsas internacionais mostram resultados mais consistentes”, complementa Morais.
A consultoria recomenda que, dada a baixa exposição dos fundos de pensão brasileiros ao segmento exterior, os gestores dos fundos deveriam olhar para essa classe de investimentos não como uma fonte de riscos adicional, mas sim como uma grande oportunidade de diversificar os riscos a que estão expostos atualmente com a concentração em ativos locais.
















