Limpa

A política econômica está conseguindo unir gregos e troianos. Até o mercado informal já não agüenta mais o tão esperado “espetáculo do crescimento”. A situação está tão ruim que, recentemente, na Praia de Copacabana, vários vendedores ambulantes estavam reclamando da queda nas vendas. E, para piorar a situação, os catadores de latinhas de cerveja e refrigerantes também faziam a mesma reclamação. “A situação está preta mesmo. A praia está quase limpa. Não tem muita latinhas para serem pegas. Eu preciso delas para conseguir algum dinheiro, pois vivo disso”, reclamou uma senhora que trabalha como catadora há cinco anos.

Enxugando gelo
O superávit primário (economia para pagar juros) de 4,3% do produto interno bruto (PIB) produzido pelo setor público em 2003, quando o governo Lula torrou R$ 145 bilhões com pagamento de juros, não evitou que aumentassem, tanto a dívida pública quanto sua relação com o PIB. Entre 2002 e 2003, a dívida líquida total saltou de R$ 881 bilhões para R$ 913 bilhões. No mesmo período, a relação dívida/PIB passou de 55,5% para 58,1%. Ou seja, diferentemente do que o ministro Antônio Palocci assegurou aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sua política econômico agravou o desequilíbrio do estoque da dívida pública, com melhoras apenas cosmética no perfil da dívida.

Efeito câmbio
Para o Conselho Federal de Economia (Cofecon), a situação fiscal é ainda mais grave, porque a dívida mobiliária (títulos em poder do público) do Tesouro Nacional passou de R$ 533 bilhões, em dezembro de 2002, para R$ 679 bilhões, em dezembro de 2003, mais 27,4%, ou 10% do PIB. O Cofecon observa ainda que, com a apreciação do real de 18,1% no período, que baixou a cotação do dólar de R$ 3,53, no fim de 2002, para R$ 2,89, no fim de 2003, a dívida externa do setor público e parte da dívida interna indexada à moeda norte-americana sofreram forte impacto.
A dívida dos papéis corrigidos por câmbio encolheu 43,4%, mas, como ressalta o Cofecon, cerca da metade dessa redução deveu-se ao “efeito preço”, provocado pela apreciação cambial. Descontando esse efeito, a dívida pública total teria aumentado cerca de R$ 30 bilhões, o que elevaria a relação dívida pública total/PIB acima de 60% do PIB.
O mesmo efeito preço afetou o valor da dívida externa total do setor público. Em moeda nacional, ela caiu de R$ 227 bilhões, em dezembro de 2002, para R$ 187 bilhões, em dezembro de 2003. No entanto, a dívida externa total do setor público, em dólares, cresceu 13,9%, de US$ 122 bilhões, em setembro de 2002, para US$ 139 bilhões, em setembro de 2003.

Sem cigarro
Tramita na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro projeto do deputado André Corrêa (PPS) que, se aprovado, proibirá o fumo em locais como bares, restaurantes, mercados, bancos e shopping centers. Em casos de flagrante, não será o estabelecimento o único a ser punido. O cidadão que for pego fumando pagará multa de 100 Ufir. Resta saber como a multa será paga, já que os governantes mal conseguem multar carros – que têm placas – e que desrespeitam as leis de trânsito.

Casa de ferreiro
Um amigo da coluna que produz documentário sobre a vida nacional ligou para confirmar a informação de que 2003 foi o melhor ano da história do sistema financeiro nacional. Diante da resposta positiva, descobriu ainda que o banco que é um dos patrocinadores do projeto foi um dos que mais motivo$ teve para festejar o primeiro ano do governo Lula.

Sinuca de bico
Diante da afirmação, no último Roda Viva, do diretor de redação de O Estado de São Paulo, Júlio Mesquita, de que o então ministro da Fazenda do governo Médici, Delfim Netto, avisou o Estadão que promoveria uma maxidesvalorização da moeda nacional, Delfim tem duas alternativas: ou processa Mesquita ou explica à nação os critérios utilizados para eleger seus insiders.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorPosfácio
Próximo artigoBrasil vermelho

Artigos Relacionados

‘EUA do Mar’ seria considerado crime de lesa-pátria

Na terra de Biden, entregar navegação a estrangeiros é impensável.

Governo Bolsonaro não dá a mínima para a indústria

País perde empregos de qualidade e prejudica desenvolvimento.

Taxa sobre exportação de petróleo renderia R$ 38 bi

Imposto aumentaria participação do Estado nos resultados do pré-sal.

Últimas Notícias

Fundos de investimento poderão atuar como formadores de mercado na B3

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou os fundos de investimento a atuarem como formadores de mercado na B3, a bolsa do Brasil. A...

ABBC: Selic deve subir 1,50 ponto percentual

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne na próxima terça-feira (7) para decidir sobre a nova Selic, a taxa básica...

Ibovespa fecha a semana em alta

(alta de 0,013%). O volume representou uma extensão do movimento positivo registrado na quinta-feira (2), quando o índice fechou com forte alta de 3,66%,...

China: Incentivos fiscais para investidores estrangeiros

A China anunciou que estendeu suas políticas fiscais preferenciais para investidores estrangeiros que investem no mercado de títulos da parte continental do país. A...

Brasileiro teria renda 6 vezes maior com indústria forte

Entre 1950–70, PIB do País foi multiplicado por 10.