Limpeza cara

Ao contrário do seu concorrente norte-americano, o setor produtivo brasileiro começa a se adequar às novas regras mundiais de emissão de gás carbônico na atmosfera. Caso realmente decole, essa transformação na produção fará surgir um gigantesco mercado de comercialização de créditos de certificados ambientais (Greenhouse Gás Emission – GGE), que, segundo estimativas do secretário-geral do Programa das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Rubens Ricupero, deve movimentar, num primeiro momento, até US$ 15 bilhões anuais em projetos de meio ambiente. Por ingenuidade ou pragmatismo, os setores ligados a esse mercado esperam que esse potencial de negócios ajude a fazer os Estados Unidos a reverem sua não adesão ao Protocolo de Kyoto, previsto para entrar em vigor em setembro de 2002.

Ferramenta
Ao afirmar que os economistas precisam de novas ferramentas capazes de avaliar os impactos dos ganhos no mercado acionário nos padrões de gastos dos consumidores, o presidente do Fed (banco central norte-americano), Alan Greenspan, atirou no que viu e não acertou no que não viu. Em primeiro lugar, o mercado de capitais está mais para perdas do que para ganhos. Quanto essas perdas vão afetar o mundo real é a questão do momento. Em segundo lugar, não são os economistas que precisam de ferramentas, e sim as ferramentas que precisam de economistas menos comprometidos com o “mercado” e mais dispostos a fazer análises isentas.

Contracorrente
O Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro estão lançando o I Prêmio Ricardo Bueno de Jornalismo Econômico. Fiel à memória do homenageado, o prêmio pretende incentivar a publicação de matérias críticas sobre o cenário econômico e que ajudem na busca de um Brasil soberano, democrático e popular. Os trabalhos, que concorrem a prêmio de R$ 5 mil, precisam ter sido publicados este ano.

Limites
O Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon) e a Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet) realizam nesta  segunda-feira o seminário “Globalização e Desenvolvimento: limites e possibilidades”. O evento será na Câmara Americana de Comércio (Rua da Paz, 1431), a partir das 13h30. Contará com a participação de economistas, professores e especialistas em comércio exterior. Serão discutidas as perspectivas para a economia brasileira e setor externo e a inserção externa, na visão empresarial.  A abertura do encontro será feita pelo presidente da Sobeet, Antônio Corrêa de Lacerda. Em seguida, começará o primeiro painel, com o secretário executivo Camex, Roberto Gianetti da Fonseca, o professor da Unicamp Luciano Coutinho e o economista chefe do BBV Banco, Octavio de Barros. Do segundo painel participarão o professor da UFRJ e ex-presidente do BNDES, Antonio Barros de Castro, o presidente da Câmara Americana de Comércio SP, John Mein, e o presidente do Dresdner Bank Brasil, Winston Fritsch.

Topa tudo
A Força Sindical não aprece confiar muito na mobilização dos trabalhadores para a campanha salarial unificada das categorias profissionais com data-base no segundo semestre do ano. Para aumentar o comparecimento à assembléia nesta segunda-feira, na Praça Ramos de Azevedo, região central de São Paulo, a entidade vai distribuir cupons que darão direito a concorrer a três carros, que serão sorteados na assembléia que está marcada para o dia 22, na Praça da Sé. A central mandou imprimir 3 milhões de cupons, que serão distribuídos entre sindicalizados e não sindicalizados. A campanha salarial unificada deste ano reivindica 15% de reajuste salarial, que corresponde a 9,02% de reposição das perdas inflacionárias mais 5,5% de aumento real, além da redução da jornada de trabalho, garantia de emprego, PLR (participação nos lucros) e piso único de R$ 500.

Estilingue
Cansado de ser vidraça, o ex-prefeito Paulo Maluf devidiu partir para o ataque. Na sexta-feira divulgou nota cobrando investigações do Ministério Público de São Paulo sobre os aditamentos de quase 70% nos contratos para as obras do Rodoanel – rodovia de 170 km que vai circundar a cidade de São Paulo e que está sendo construída com recursos estaduais e federais. Maluf classifica de “pornográfico” e de “uma patifaria” o ajuste nos contratos anunciados há duas semanas pelo secretário dos Transportes, Micheal Zeitlin.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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