Lista da Mossack ainda trará muita gente

A ausência de políticos do PT no Panama Papers – a lista da Mossack Fonseca na qual estão integrantes do PMDB, PSDB, PDT e outros quatro partidos – pode indicar um descompasso entre as suspeitas da 22ª fase da Operação Lava Jato e o papel do escritório de advocacia na instituição de empresas offshore que poderiam esconder propriedade de apartamentos no prédio do triplex no Guarujá. No final de janeiro, pessoas ligadas à Mossack foram levados em prisão temporária pela Polícia Federal, mas, diferentemente de outros detidos por Moro, libertados dias depois. Agora, por outro caminho – que já era investigado por jornalistas de todo o mundo há um ano – descobre-se que há 107 offshores ligadas a empresas e políticos envolvidos na Lava Jato, o que torna o papel do escritório panamenho ainda mais cercado de interrogações.

Ter uma offshore não é ilegal, se tudo for declarado à Receita e ao Banco Central. Brasileiros que compram apartamentos em Miami ou Orlando normalmente são orientados a abrir uma empresa do tipo, pelas vantagens tributárias. Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo, agiu assim; Gabriel Skaf, filho do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apresentou aos jornalistas cópia da declaração de renda em que a firma dele está declarada. Porém, no meio das legais, ou que têm aparência de legais, estão aquelas criadas apenas para esconder movimentações de dinheiro e posses de bens incompatíveis com a renda.

O que começa a vir à tona. Mas ainda há muitos nomes a revelar. Por enquanto, os órgãos de mídia brasileiros que participam do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos estão concentrados em políticos e em pessoas ligadas à Lava Jato. Mas com certeza há muitos outros nomes, como de barões da imprensa, ainda que indiretamente. No vazamento dos papéis do banco HSBC na Suíça (o Swiss Leaks), os jornalistas brasileiros demoraram a divulgar os envolvidos. Mas, sob pressão dos internautas, acabaram revelando os dados. Agora, o caminho será o mesmo. Não há como esconder. Resta saber se, desta vez, a Receita tomará alguma providência.

‘O povo não é bobo’

A sucessiva multiplicação de palavras de ordem, faixas e cartazes contrários ao grupo Globo nas manifestações populares a favor da democracia e a rejeição estampada nas redes sociais começa a preocupar anunciantes, temerosos que haja risco a suas marcas e ao consumo dos seus produtos. Em seu blog, o jornalista Sidney Rezende disse que teve acesso ao resultado de uma reunião fechada realizada em São Paulo. Estavam lá dois presidentes que representam os interesses de companhias que estão entre os 30 maiores anunciantes do Brasil e seis vice-presidentes de empresas de áreas diversas que decidiram encomendar uma análise a uma agência internacional de acompanhamento de postagens na internet para avaliar os humores dos consumidores em relação aos produtos e serviços dos patrocinadores.

Segundo Sidney, um dos executivos chegou a desabafar: “Todos respeitamos a Globo pelo seu profissionalismo e pela larga vantagem sobre os demais órgãos de comunicação, mas o jornalismo está manipulando de forma criminosa e já há movimentos nas redes sociais pressionando nossos consumidores a não comprarem nossos produtos. Assim não dá. Isso não pode crescer.”

Golpe e eleições

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), em entrevista a Mariana Godoy na última sexta-feira, criticou a saí­da do PMDB do governo: “O que está por trás não é o PMDB sair do governo, é o Temer assumir”. Buarque defendeu ainda a ideia da realização de novas eleições: “Não é golpe tirar a presidente se houver crime. Se não tiver crime, é golpe.”

No mesmo programa, a deputada federal Jandira Feghali (PcdoB-RJ) disse que existe “uma profunda diferença” entre o processo de impeachment de Fernando Collor e o de Dilma. Para a instalação contra Collor, houve uma CPI, uma reunião de provas e fatos: “Não há dúvida nenhuma de que o processo de hoje é absolutamente polí­tico.” Jandira lembrou que em 1992 não “havia ninguém defendendo o Collor e não havia um presidente da Câmara julgado por corrupção. Não existia em 1992 um vice-presidente que articulava para tirar a presidente”.

Rápidas

Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados foi premiado pela International Financial Law Review (IFLR), publicação referência mundial para profissionais de Direito, na categoria “Americas M&A Deal of the Year”. O reconhecimento foi por sua atuação como assessor jurídico, no Brasil, da Olin Corporation, no contexto da fusão internacional envolvendo a Dow Chemical Company. A transação permitiu à Olin adquirir parcela significativa da Dow no setor de cloro, no montante total de US$ 5 bilhões. Com o negócio, os acionistas da Dow passaram a deter 50,5% das ações da Olin e os da Dow 49,5% de participação *** A empresa MC e o Comitê Brasileiro de Túneis (CBT) realizam, nesta quarta, palestra gratuita para profissionais do setor de construção e manutenção de túneis, na capital paulista. Detalhes em http://forms.mc-bauchemie.com.br/mcmkt/palestra-mc-cbt

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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