Lições da História

Em recente debate no Clube da Aeronáutica, o presidente da instituição, brigadeiro Carlos Batista, perguntou ao candidato do PV ao governo do Estado do Rio Janeiro, Fernando Gabeira, se identificava semelhanças entre o cenário político atual e o do período pré-golpe em 1964. Gabeira disse identificar no atual governo “tentações” em suprimir a liberdade de imprensa e “até as próprias leis”, mas fugiu de aprofundar o assunto, limitando-se a apontar a “maior maturidade política” atualmente em comparação a 64.
Com isso, deixou o brigadeiro Batista sem resposta, desperdiçando a oportunidade para uma anamnese dos acontecimentos que culminaram com o movimento de 64. Talvez  a identidade construída com o DEM – um dos partidos sucedâneos em que se dividiu a Arena – e o processo de envernizamento de neoudenista tenham inibido Gabeira. Foi pena, porque a pergunta indica que os acontecimentos que levaram ao antagonismo entre brasileiros que, ainda que por vias diversas e ideologias distintas, tinham em comum a preocupação com os interesses nacionais continua uma questão em aberto.
A exemplo de 64, nos dias de hoje, cortinas de fumaça ideológica continuam a impedir e/ou dificultar que alguns desses brasileiros concentrem-se na essência do que se encontra em jogo: a urgência de o país voltar a definir um projeto de desenvolvimento nacional que garanta a inclusão da maioria dos seus cidadãos. A descoberta das bilionárias reservas do pré-sal e a reconfiguração do poder mundial deflagrada pela crise tornam mais premente a concentração de esforços nessa questão-chave.
Essa definição não elimina, por suposto, divergências ideológicas, algumas importantes. No entanto, essas não podem servir de biombo para os verdadeiros opositores da retomada do desenvolvimento usarem a propaganda psicológica para voltar a dividir os milhões de brasileiros, que, em diferentes espectros ideológicos, não se conformam em que o país seja rebaixado à condição de mero fornecedor de commodities. Até porque, como reafirma a experiência histórica contemporânea, aqueles são mestres em, depois de usarem atores sociais para alcançar seus objetivos pecuniários e antinacionais, os descartarem como simples carga ao mar, reservando-se, ainda o direito de reescrever biografias de ex-aliados, ao mesmo tempo, em que mitificam sua própria participação nos acontecimentos.

“Efeito Greenspan”
Entre 1991 e 2008, as taxas de juros reais nos Estados Unidos estiveram em1% ao ano, em média. Nesse período, a dívida federal bruta passou de 60% para 75% do produto interno bruto (PIB); a dívida dos consumidores passou de 63% para 94% do PIB; e a dívida externa aumentou de 4,87% do PIB para 24,32%.

“American way of life”
Dados publicados pelo Frankfurter Allgemeine Zeitung mostram que os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) tinham, em 2002, um consumo privado que representava 14% do que os estadunidenses consumiam. Agora representam 30%. Em outros números: o consumo privado de 2,8 bilhões de pessoas atingiu menos de um terço do que consomem 307 milhões de estadunidenses. Em outras palavras: sem a recuperação do emprego, e consequente reativação do consumo nos EUA, a crise continuará por um bom tempo.

Novo mapa
O crescimento das vendas do comércio lojista carioca em agosto foi maior na Zona Norte (16% de aumento nas vendas de bens não-duráveis e 12%, no segmento de duráveis em relação ao mesmo mês do ano passado). No Centro, o crescimento ficou em 8,1% e 10%, respectivamente; na Zona Sul, de 5% e 4,7%. No total, as vendas cresceram 10,4%.

Imagem e razão
Google continua sendo a empresas mais atraente do mundo para os empregados, mas sofre concorrência cada vez mais aguda das quatro grandes empresas de auditoria. Na pesquisa da Universum (The World”s Most Attractive Employers 2010), KPMG, Ernst & Young, PricewaterhouseCoopers e Deloitte seguem a gigante norte-americana da Internet. Em sexto lugar vem a Procter & Gamble. Completam o ranking das dez mais Microsoft, Coca-Cola, J.P. Morgan e Goldman Sachs. A pesquisa foi feita com 130 mil pessoas em busca de boas carreiras.
O ranking mostra que a imagem que os candidatos fazem de um bom emprego não tem relação direta com o mundo a sua volta, nem com o longo prazo: enquanto o promissor setor de óleo e gás pouco atrai o trabalhador, bancos de investimento, que estiveram no centro da crise de 2008, assim como as empresas de auditoria, que sofreram em tempos recentes (vide caso Enron), são percebidas como os melhores empregadores.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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