Lições de Hiroshima

Nesta quinta-feira, completam-se 64 anos de um triste aniversário. No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. Quatro dias depois, também bombardeariam Nagasaki. Por conta daquilo que a filosofia chama de razão cínica, pouco mais de meio século depois, o único país a lançar bombas nucleares sobre outra nação, continua a se arvorar o direito de determinar quem pode ou não ter esse tipo de armamento, em vez de dar prosseguimento à destruição do seu próprio arsenal atômico.

Nova onda
Plagiando Mark Twain às avessas, as notícias sobre o fim da crise parecem ser um tanto exageradas. Os italianos Mario Lettieri e Paolo Raimondi, no artigo “Economia real ameaçada por nova onda da crise global”, escrito para o boletim eletrônico Resenha Estratégica, mostram alguns exemplos de que o pessimista pode ser um otimista bem informado: “No Estado de Michigan (EUA), outrora o centro da indústria automobilística, a taxa (de desemprego) é de 14,1% e na Califórnia, que cambaleia à beira da falência, 11,5%. O mesmo vale para a Europa em geral e a Itália em particular. A Confederação Italiana das Pequenas e Médias Empresas (Confapi) menciona uma perda de 350 mil a 450 mil postos de trabalho e o fechamento de cerca de 2% de pequenas e médias empresas (PMEs), além de outras 8% em risco imediato de falência.”

Moralismo seletivo
No seu mais recente revival, o udenismo midiático continua sem responder algumas perguntas-chave para que sua cruzada contra o Senado ganhe alguma autoridade. Por que os mesmos setores da mídia que há cerca de seis meses se empenham em retirar o senador José Sarney (PMDB-MA) da presidência do Senado tiveram comportamento, digamos, tão discreto quando o clã Sarney conseguiu reaver no tapetão o governo do Maranhão que perdera nas urnas para Jackson Lago, afastado do cargo pelo Judiciário?
Boicote ambiental
Alô, Greenpeace! Vamos colocar a boca no trombone. Apesar da proporção do desastre provocado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) no Rio Paraíba – segundo principal fornecedor de água para o Estado de Rio de Janeiro – o assunto ainda não comoveu os jornalões que costumam ceder espaços generosos às ações midiáticas do grupo. Será que é por…

Grande Irmão
O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) apresentou requerimento à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados para discutir a presença de militares estadunidenses em bases da Colômbia e sua influência no equilíbrio político da região e na integridade do território brasileiro. Valente lembrou que as sete bases colombianas foram ocupadas por militares dos Estados Unidos, formando um eixo de militarização entre o Pacífico e o Caribe a partir do território vizinho: “Há suspeitas quanto aos reais interesses da presença americana nas bases da Colômbia. Ela tem todas as características de ocupação militar da região e não, como se quer fazer crer, de ação de combate ao tráfico de drogas”, disse o parlamentar do PSOL.

Histeria coletiva
Escolas, academias, cursos e outros locais públicos Brasil a fora estão fechando suas portas temporariamente devido a histeria provocada pela cobertura midiática da gripe A. Como não existe qualquer garantia de que todos estarão imunes quando voltarem a frequentar os mesmos lugares, a principal consequência – noves fora, os lucros dantescos dos laboratórios produtores dos antivirais – deve ser mesmo o encolhimento do ano letivo. Ou alguém acredita em reposição integral das aulas?

Mídia em pauta
O Portal Vermelho promove, nesta sexta-feira, às 19h, o debate “Como enfrentar o PIG – o Partido da Imprensa Golpista?”, com os jornalistas Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, e Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Após o debate haverá o coquetel de lançamento dos livros A ditadura da mídia e Comunicação pública no Brasil: uma exigência democrática.

Unipar dispara
Em dois pregões seguidos em que a Bovespa andou de lado, terça-feira, ou subiu abaixo de 1%, quarta, chama a atenção a disparada experimentada pelas ações preferenciais nominativas (PN) da Unipar. Na terça, o papel deu um salto de 15%, no dia seguinte, avançou mais 6,57% – em termos compostos, uma alta de cerca de 25%, levando a ação para R$ 1,07. Nos dois dias, no entanto, os negócios não passaram de 600.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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