Lições

A opção do Governo Dilma Rousseff e sua equipe econômica por ampliarem a drenagem de recursos da economia para gastar com juros – perversão social batizada de superávit primário pelos economistas – aponta grave retrocesso no enfrentamento dado pelo Governo Lula à crise de 2008. Naquela época, ao flexibilizar o torniquete fiscal, o governo conseguiu sair da crise que até hoje paralisa os países desenvolvidos. Como integrante da administração anterior, na qual teve papel-chave, a presidente Dilma não pode, apenas três anos depois, trocar a receita vitoriosa por políticas bolorentas e recessivas, apenas para obedecer aos condicionamentos ideológicos e financeiros do “mercado”.

Unidos do pré-sal
Se o veto do ex-presidente Lula à mudança na distribuição de royalties do pré-sal for derrubado, as bancadas de deputados do Rio de Janeiro, São Paulo e do Espírito Santo não irão mais votar nenhum projeto de interesse do Governo Federal. Este é o prognóstico do governador do Rio, Sérgio Cabral, que, porém, aposta num acordo no Congresso, patrocinado pela União.
Cabral, que foi ao Espírito Santo reunir-se com o governador Renato Casagrande, disse que, se a conciliação falhar, irão recorrer ao STF, o que pode “atrasar a contratação do novo modelo de exploração do petróleo, uma vez que o Supremo pode levar até um ano para votar a matéria”, disse Casagrande.

Fome
O faturamento do setor de franquia de alimentação cresceu 16,8% em 2010, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Franchising (ABF) e da consultoria ECD junto a 40% do segmento. Para este ano, a WebSoftware, empresa de TI que produz soluções digitais para franquias, prevê crescimento de 30% sobre o ano passado. A empresa participa do Rio Franchising Business 2011, em setembro, no Riocentro.

Pró-banca
Não somente extemporânea, a proposta da vereadora carioca Andrea Gouvêa Vieira (PSDB) de conceder a Medalha Pedro Ernesto ao Proer – Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional é uma ofensa aos cidadãos que pagam impostos. Diz a vereadora que “o ajuste do sistema financeiro privado e público (bancos estaduais) possibilita ao Brasil enfrentar hoje, com menos sobressaltos, as sucessivas crises internacionais.”
Menos, por favor, menos. O que possibilita aos bancos aqui instalados passar com relativa tranquilidade pela crise financeira é o fato de que eles não precisam correr riscos; amealham bilhões de reais simplesmente aplicando nos seguros títulos do governo – esta, sim, herança do governo tucano recebida e mantida pelo governo petista.

Imagem arranhada
Não se pode dizer que a concessão da maior honraria da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro ao Proer – a cerimônia será nesta quarta-feira – é uma novidade no que toca à Medalha Pedro Ernesto. O deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB) também recebeu a sua.

Não merecia
Pedro Ernesto, se tivesse condições, pediria que o incluíssem fora dessa. O baiano que fixou residência no Rio no início do século passado sempre foi um progressista. Apoiou os movimentos de 1922 e 1924 por democracia; fez da casa de saúde de sua propriedade refúgio e ponto de encontro dos revolucionários, enquanto a Coluna Prestes corria o interior; participou da campanha de Getúlio Vargas – do qual tornou-se médico particular.
Foi nomeado por Vargas interventor no Distrito Federal, mas em um momento revolucionário no país, que varria as elites, especialmente paulistas. Liderou a campanha pela autonomia da cidade do Rio de Janeiro. Com o sucesso, foi eleito pela Câmara de Vereadores prefeito da cidade. Marcou seus governos por uma atenção especial às áreas de saúde e educação, essa última dirigida pelo educador Anísio Teixeira.
Em 1935, aproximou-se da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização de caráter antifascista e anti-imperialista, que reunia comunistas, socialistas, “tenentes” de esquerda. Acabou preso, acusado de comunista. Solto, em setembro de 1937, foi saudado por calorosas manifestações populares, relata o Cpdoc da Fundação Getúlio Vargas. Foi preso pouco antes da instauração do Estado Novo Libertado três meses depois, afastou-se das atividades políticas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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