Live de Bolsonaro sobre urna eletrônica é ataque à democracia

Para Paulo Rocha, 'ao usar recursos públicos, TV pública e cadeira presidencial para acusar processo democrático, ele avança em tática golpista.'

Senadores criticaram, pelas redes sociais, live realizada pelo presidente Jair Bolsonaro em que ele voltou a dizer, sem apresentar provas, que houve fraude nas eleições de 2018. Para eles, a transmissão ao vivo feita na noite de quinta-feira foi “constrangedora”. E a classificaram como um “grave” ataque ao sistema democrático brasileiro.

“Bolsonaro fez acusações gravíssimas e criminosas, mostrando vídeos que já foram desmentidos, contra a Justiça Eleitoral. Foi grotesca a live de Bolsonaro e um grave ataque à democracia. Ao usar recursos públicos, uma TV pública e a cadeira presidencial para disparar acusações contra instituições e o processo democrático, ele avança em sua tática golpista. Precisamos reagir!”, alertou o líder do PT, senador Paulo Rocha (PA).

O presidente havia prometido apresentar durante a transmissão provas de que houve fraudes nas eleições de 2018, no entanto, voltou a exibir vídeos e teorias que circulam há anos pela internet e que já foram desmentidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O partido Rede Sustentabilidade encaminhou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes um documento em que pede que Bolsonaro seja imediatamente multado em R$ 500 mil cada vez que se manifeste “acerca da inverídica existência de fraudes eleitorais”. A Rede se dirige a Gilmar Mendes que é o relator de mandado de segurança impetrado pelo partido para que Bolsonaro fosse chamado a apresentar, em 10 dias, provas de que as urnas eletrônicas não seriam seguras (MS 38.005).

“Sem surpresas, após três anos falando impropérios sem a mínima comprovação contra a lisura da Justiça Eleitoral, sua apresentação foi repleta de notícias falsas, além de contar com a declaração expressa de que ‘não temos provas, vou deixar bem claro, mas indícios'”, afirma o documento da Rede, que chama as declarações de Bolsonaro de “acusações anedóticas”.

Para a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), ao agir dessa maneira, o mandatário se tornou alguém “sem nenhuma credibilidade”.

“Em uma live com vídeos requentados e teorias delirantes, o presidente não provou absolutamente nada contra as urnas eletrônicas. Mais um blefe para uma plateia cada vez menor e mais radical. É o remake da cloroquina”, criticou.

De acordo com o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), “as teorias conspiratórias” apresentadas por Bolsonaro são criadas pelo próprio mandatário para desestabilizar a democracia.

“Não sei o que é pior: um presidente tão estúpido que acredita em teorias conspiratórias de WhatsApp ou um tão canalha que inventa as teorias conspiratórias de WhatsApp. No final das contas dá no mesmo, são ataques diários contra a democracia. É uma doença que vamos curar no voto”, afirmou.

Na avaliação do senador Humberto Costa (PT-PE), o presidente não pode levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral e seguir impune. Ele acusou o mandatário de ter cometido crime de responsabilidade ao fazer a afirmação e transmiti-la na TV Brasil. O conteúdo foi exibido ao vivo na TV estatal, com uso de equipe e a grade da emissora.

“Bolsonaro fez uma TV pública transmitir ao vivo suas mentiras e cometeu um claro crime de responsabilidade, ameaçando o sistema democrático no país. Foi o maior ataque ao direito de voto desde a redemocratização. E o mais grave: usando a estrutura do Estado brasileiro para isso”, acusou.

Já o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) replicou em uma rede social a defesa do presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, ao modelo de votação eletrônico, que vigora no Brasil desde 1996.

“Uma fraude exigiria que muita gente no TSE estivesse comprometida. Ia ser uma conspiração de muita gente. Não há precedente e não há razão para se mexer num time que está ganhando’, afirmou o também ministro do STF. E você, concorda com ele? Ou é a favor da retomada do voto impresso?”, questionou o senador aos seus seguidores.

 

Agência Senado

Leia também:

Multa de R$ 500 mil para ‘fake’ sobre eleição

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigos Relacionados

Número de inadimplentes subiu 4,8% no acumulado do primeiro semestre

Cartão de crédito é responsável por mais de 80% dos brasileiros endividados.

Comissão da Câmara analisará operações com criptoativos

Não há determinação sobre as hipóteses de quebra de sigilo da chave privada

Roubini: EUA caminham para recessão longa e severa

Economista espera juros ‘bem acima de 4%’.

Últimas Notícias

Vestuário e calçados têm desempenho positivo entre redes de moda

Dia dos Pais impulsionou desempenho do setor; mercado de roupas usadas pode ultrapassar varejo de moda em 2024.

Bares e restaurantes tiveram o maior faturamento do ano em julho

Segundo associação do setor, 32% dos estabelecimentos operaram com lucro no período, enquanto 41% tiveram equilíbrio.

China aprofunda cooperação agrícola pela segurança alimentar global

Quando os ventos sopram a exuberante fazenda de trigo que se estende por cerca de 300 hectares no noroeste do Zimbábue em agosto, é difícil acreditar que essa terra fértil era estéril há uma década.

Câmara do Rio cassa mandato de Gabriel Monteiro

Vereador foi julgado por quebra de decoro parlamentar.

ODI não financeiro da China sobe 4,4% de janeiro a julho

O investimento direto não financeiro (ODI, sigla em inglês) aplicado pela China no exterior atingiu 424,28 bilhões de yuans nos primeiros sete meses do ano, um aumento anual de 4,4%, mostram os dados oficiais nesta quinta-feira.