Londres, majestosa, exuberante e imponente

A majestade e a diversidade de Londres, desde sua história secular até sua influência cultural global. Por Paulo Alonso.

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Londres (foto Xinhua)
Londres (foto Xinhua)

Londres é não só um dos melhores lugares para visitar na Inglaterra, como também um destino perfeito para todos os amantes da história, da cultura, da arte, da moda, da arquitetura, da música, dos teatros e dos museus. Afinal de contas, a chamada cidade do “Grande Nevoeiro” é uma das capitais mais visitadas na Europa e no Mundo. O embaixador Marcos de Azambuja (1935), que serviu em diversos e importantes países e que já esteve em todo o Mundo, costuma dizer que Londres é a sua preferida, porque “reúne todas as cidades em uma única e imensa cidade”. E ao longo dos seus muitos séculos de história, Londres inspirou milhares de artistas e personalidades famosos a expressarem os seus sentimentos por ela. Para o romancista Alec Waugh (1898-1981), por exemplo, “Londres é uma cidade de clubes e casas particulares. Tu tens de ser um membro.” E é com satisfação que retorno ao Reino Unido, terminando esse périplo entre NY, Paris e agora na Terra de Shakespeare (1564-1616). 

Nas ruas e nos pubs, os comentários dos londrinos, atualmente, estão voltados ao estado de saúde do Rei Charles III (1948) e o da Princesa Kate Middleton (1982), ambos em tratamento contra o câncer. A preocupação é grande com uma eventual sucessão, pois alguns acreditam que, na ausência do filho da Rainha Elizabeth II (1926-2022), que reinou durante 70 anos de forma extraordinária, a substituta poderia ser a Rainha Camila (1947), pela qual o inglês não tem a menor simpatia e nem empatia.

Mas para além dessa situação, ilustrada diariamente aqui nos tabloides, Londres é uma cidade grandiosa com várias dezenas de belas atrações, incluindo construções antigas e medievais com um aspecto sempre encantador. Mágico mesmo. Existe muita história por trás dos monumentos da capital do Reino Unido, uma das mais imponentes e impressionantes de todo o mundo. Suas ruas, avenidas e palácios guardam história seculares e o visitante respira um pouco dessa história.

Para Peter Ackroyd (1949), biógrafo, romancista e crítico, “Londres vai além de qualquer fronteira ou convenção. Ela contém cada desejo ou palavra já dita, cada ação ou gesto já feito, cada declaração áspera ou nobre já expressa. É ilimitada. É Londres infinita.” Sim, de fato, trata-se de uma cidade-monumento infinita. E, como Samuel Johnson (1709-1784), escritor, poeta, dramaturgo, ensaísta, crítico, biógrafo, editor e lexicógrafo, “Ao ver Londres, vi tanto da vida quanto o mundo pode mostrar.”

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Há quem diga que Londres é uma cidade paradoxal. Tradicionalista, monárquica e elegante, Londres é também a capital do rock, das vanguardas e da inovação. A cidade absorve a diversidade dos seus imigrantes e turistas da mesma forma que preserva rituais seculares como tomar o chá da tarde. Pensamento confirmado por Donatella Versace (1955), estilista italiana, empresária, socialite e ex-modelo, que diz que “a moda precisa de sangue novo, e Londres é o lugar mais criativo para isso.”

Londres é milenar. Seus castelos e palácios imponentes se misturam com a vida moderna de uma cidade verdadeiramente cosmopolita, que dita tendências ao mundo, seja na economia, na política internacional, na cultura, na música, nas artes, na vida. A metrópole é um dos principais destinos turísticos do mundo, e esse setor gera de 280 mil a 350 mil empregos na capital.

“Londres é um agrupamento de comunidades, grandes e pequenas, famosas e não celebradas; uma cidade de contrastes, uma congregação de diversidade”, como pensa o historiador Roy Porter (1946-2002).

Aproximadamente 27 milhões de pessoas visitam a cidade por ano e o governo britânico estima que o setor represente 10% do produto nacional bruto. Os principais pontos turísticos compreendem as grandes lojas da Oxford Street, lojas de luxo em Knightsbridge e Bond Street, onde se situa a famosa Harrods, e lojas das grandes marcas, teatros e locais como o Soho, Convent Garden, Mayfair, Piccadilly Circus e Leicester Square.

Os monumentos mais conhecidos são a Abadia de Westminster, a Torre do Palácio de Westminster, onde funciona o parlamento inglês, e o Big Bem, principal cartão-postal de Londres e de toda a Inglaterra. “Como é que podes chegar atrasado para alguma coisa em Londres? Eles têm um enorme relógio mesmo no meio da cidade”, diz espirituoso Jimmy Kimmel (1967) apresentador de televisão, comediante, escritor e produtor americano.

A fama da pontualidade britânica se deve ao seu relógio que, desde 1859, marca o horário do mundo, a partir do Meridiano de Greenwich. A Torre de Londres, localizada às margens do Tâmisa; o Palácio de Buckingham, agora aberto ao público para visitações, cercado pelo tráfego intenso das avenidas que o contornam, é a residência oficial da Corte de Saint James. A arquitetura austera do palácio se completa com o exuberante e gigantesco jardim.

Construída no século 19, a Tower Bridge é também um dos principais postais de Londres. A ponte passa pelo Rio Tâmisa e é sustentada por duas torres belíssimas. Já a Catedral de Saint Paul, cada vez mais escondida pelos arranha-céus do centro financeiro de Londres, ainda mantém a sua imponência.

London Eye, a roda gigante de Londres
London Eye, a roda gigante de Londres (foto de Li Ying, Xinhua)

A Millennium Bridge é a única ponte de Londres exclusiva para pedestres, ligando o Museu de Arte Moderna à Catedral de Saint Paul. Sua arquitetura arrojada, quando iluminada à noite, parece uma lâmina fina cortando o Tâmisa, que se encontra limpo.

O Museu de Cera Madame Tussaud – Pelé (1940-2022) e Ayrton Senna (1960-1994) estão lá imortalizados, assim como a nova composição da Família Real, com o Rei Charles III e a Rainha Camila. A Rainha Elizabeth II (1926-2022), claro, mantém seu lugar de honra – o Museu Britânico e Parques Reais de Londres, dentre eles o monumental Hyde Park, e a roda gigante, a London Eye, terceira maior do mundo, são também atrações imperdíveis, assim como visitar os pubs e tomar o famoso chá britânico, de preferência às 17h, como manda a tradição.

Esteticamente, Londres, como pregava Sara Bareilles (1979), cantora e compositora, atriz, autora e produtora norte-americana, “é simplesmente bela; é uma cidade linda. A arquitetura, os monumentos, os parques, as pequenas ruas – é um lugar incrível para se estar.”

Mas não são somente a beleza e os pontos turísticos que distinguem Londres. Suas universidades são de altíssima qualidade e figuram entre as melhores, entre as 300 do ranking mundial recentemente elaborado. A Universidade de Cambridge foi selecionada como a melhor dos cinco continentes, deixando a norte-americana Harvard, em segundo lugar.

Vários escritores viveram e se inspiraram em Londres para escrever suas obras. Samuel Pepys (1633-1703), por exemplo, escreveu sobre a epidemia de peste e o grande incêndio; Dickens (1812-1870) retrata em seus livros a época vitoriana; Agatha Christie (1890-1976) baseou em Londres muitas das aventuras das suas personagens; Beatriz Potter (1866-1943), escritora de livros infantis, possui um museu em sua homenagem, o National Trust; J. K. Rowling (1965), autora da série Harry Potter, menciona a cidade diversas vezes em suas histórias.

O consagrado Shakespeare, nascido em Stratford-upon–Avon, passou grande parte de sua vida na cidade e fundou o Globe Theatre. Londres abriga várias escolas de artes dramáticas, como a Central School of Speech and Drama, London Academy of Music and Dramatic Art e a prestigiosa Royal Academy of Dramatic Art.

A cidade reúne ainda alguns estúdios de cinema, dos quais se destaca o Pinewood, fundado em 1934, onde foram feitos vários filmes do Agente 007. Essa cidade culturalmente efervescente reúne várias casas de espetáculo musical, como o Royal Albert Hall e a Barbican Arts Centre, dentre outros. Possui a Orquestra Filarmônica de Londres e o Royal Ballet. A cidade é sede do primeiro Hard Rock Cafe do mundo e do famoso Abbey Road Studios.

Londres é completa, mágica, majestosa, exuberante, absolutamente sensacional e imponente. Suas largas avenidas, sua história secular e seus hábitos e costumes, além da cultura presente em toda a vida da cidade e em seus cidadãos fazem com que essa cidade seja única no mundo, seduzindo visitantes de todos os lugares. Londres é simplesmente singular, impressionante e espetacular.

Para Virginia Woolf (1882-1941), escritora, “Londres atrai perpetuamente, estimula, dá-me uma peça e uma história e um poema, sem nenhum problema, exceto o de mover minhas pernas pelas ruas… Andar sozinha por Londres é o maior descanso”.

Bom dia, Rio de Janeiro.

Paulo Alonso, jornalista, é reitor da Universidade Santa Úrsula

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