Lucro da Petrobras deve ter alta forte para R$ 23 bilhões

Resultado previsto para o segundo trimestre vem com alta de preços e vendas.

O balanço do segundo trimestre de 2021 da Petrobras será divulgado nesta próxima quarta-feira. Segundo estimativas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a expectativa é de que a empresa registre um expressivo resultado financeiro, com o lucro bruto em torno de R$ 61,7 bilhões, com um Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de R$ 61,1 bilhões e com um lucro líquido esperado da ordem de R$ 23 bilhões.

A Petrobras teve um prejuízo líquido de R$ 2,713 bilhões no segundo trimestre de 2020. No mesmo período de 2019, o lucro alcançara R$ 18,866 bilhões.

A projeção positiva do Ineep é baseada na expansão das receitas de vendas destinadas tanto ao mercado interno como ao externo da estatal. “Isso se deveu ao crescimento tanto dos preços do petróleo e derivados quanto das quantidades vendidas; e das receitas extraordinárias da ordem de R$ 5,9 bilhões, dos quais, R$ 4,4 bilhões referentes à exclusão da base de cálculo do ICMS, em decorrência da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF); e R$ 1,5 bilhão referente à venda de 10% da NTS”, analisa o instituto.

As receitas de vendas estimadas devem ser significativamente maiores, tanto em comparação ao último trimestre como em relação ao 2T20, reportou o instituto. A projeção é que este indicador apresente um valor próximo de R$ 105,3 bilhões, o que deve representar crescimento da ordem de 22,2% em relação ao 1T21 e 106,9% ao mesmo trimestre de 2020. Os resultados do segundo trimestre de 2020 foram e afetados pela crise da Covid-19.

Conforme o Ineep, o possível resultado positivo deverá ser puxado principalmente pelo aumento no volume de vendas de diesel e gasolina para o mercado interno – que registraram altas no trimestre de, respectivamente, 28,8% e 36,9% – o que aconteceu no mesmo momento em que os preços desses combustíveis sofreram altas significativas nas refinarias (de 68,5% no caso do diesel, e 108,3% no caso da gasolina em comparação ao 2T20), em virtude da política de preços de paridade de importação (PPI) da Petrobras.

Esses dois elementos (aumento das vendas da gasolina e diesel e forte elevação dos preços desses derivados) devem fazer com que a receita de vendas da companhia para o mercado interno seja cerca de 107,7% maior que o mesmo período de 2020, ficando próxima a R$ 70,1 bilhões.

As vendas para o mercado externo também deverão ter um peso importante nos resultados deste trimestre. Houve aumento das exportações de petróleo e derivados, na comparação entre 2T2021 e 2T2020, sobretudo de óleo cru, que obteve uma expansão de 8,0%. E esse crescimento das quantidades exportadas veio junto com o aumento generalizado nos preços do petróleo cru e derivados, devendo resultar em uma receita de vendas para o mercado externo próxima a R$ 35,2 bilhões (crescimento de 105,4% na comparação com mesmo trimestre do ano passado), cerca de metade das receitas de vendas do mercado interno.

Os dados reforçam a importância estratégica do setor de refino da Petrobras e coloca em dúvidas a atual política de desinvestimento em curso. De acordo com o Plano de Negócios e Gestão 2021-2025, a companhia pretende vender nove das suas 14 refinarias nos próximos anos, incluindo a sua unidade de industrialização de xisto (SIX) e a refinaria Clara Camarão. Se concluídas, essas vendas diminuirão pela metade a capacidade do parque de refino da Petrobras, o que deve expor a empresa a uma maior vulnerabilidade em relação ao mercado internacional, além de limitar o aproveitamento de uma empresa integrada de petróleo.

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