Lucro do Bradesco cresce 90% no trimestre

No ano, banco registra ganho de quase R$ 20 bilhões, mas desconfiança dos investidores permanece

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Banco Bradesco
Bradesco. Imagem: divulgação

O lucro líquido recorrente do Bradesco atingiu de R$ 5,402 bilhões no quarto trimestre de 2024, um crescimento de 87,7% em relação ao mesmo período de 2023 (R$ 2,878 bilhões) e 3,4% superior ao do terceiro trimestre do ano passado. No ano de 2024, o lucro do banco registrou incremento de 20%, para R$ 19,554 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) foi de 12,7% no período.

A receita aumentou 5,4% no trimestre e 7,9% na comparação com o ano anterior. Os dados desconsideram o aumento de participação na Cielo. Segundo o Bradesco, o incremento foi impulsionado pelo forte crescimento dos três principais componentes: margem financeira total, receitas com serviços e seguros.

Os resultados, apesar de positivos, não animaram o mercado. “O Bradesco reportou um resultado pouco abaixo de nossas expectativas em termos de lucro líquido, no entanto, acima do consenso de mercado. O banco entregou R$5,4 bilhões no trimestre, totalizando R$19,55 bilhões no ano. Tal resultado expressa uma melhora significativa em comparação anual, evidenciando a recuperação em 2024. Estimamos que o banco entregaria R$5,5 bilhões com um ROAE de 12,7%, que veio em linha com o projetado”, afirma o analista da Levante Inside Corp, Matheus Nascimento.

Para ele, a leitura para o resultado é neutra, com aspectos positivos, como margem com mercado e a seguradora, no entanto, a cautela é mantida quanto à dinâmica do Bradesco para 2025 diante do cenário mais desafiador para o crédito.

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Crédito

A carteira de crédito acelerou nos três últimos meses do ano, atingindo R$ 981,7 bilhões. O aumento ocorreu com equilíbrio, apresentando bom crescimento particularmente em linhas de baixo risco e boa margem líquida, seguindo o trimestre anterior. No crédito para PF, diversas linhas registraram alta, como rural, imobiliário, crédito pessoal e veículos. O segmento de cartões evoluiu, com destaque para alta renda. Em 2024, a carteira de crédito PF aumentou 13,3% contra o ano anterior. Em MPME, a prioridade foi a originação de crédito para médias empresas, que tem menor risco, e em linhas com garantia para pequenas empresas. Em 2024, o crédito para MPME cresceu 28% a/a. Em grandes empresas, a carteira ficou relativamente estável no trimestre e cresceu 2,5% no ano.

“Com essa expansão, a qualidade da carteira nos pareceu ter ganho qualidade quando analisada diante da exposição por rating (AA-H). Os níveis de NPL +90 e Índice de Cobertura atingiram, respectivamente, 4% (-0,2 p.p. t/t) e 168,6% (-0,7 p.p.), apresentando certo nível de estabilidade, em nossa visão”, analisa Nascimento.

A margem com clientes, que reflete o ganho em operações de crédito, aumentou 4,7% em um ano, para R$ 16,153 bilhões. Já margem financeira total cresceu 5,4% no quarto trimestre no comparativo anual, para R$ 16,995 bilhões.

“Em 2024, aproveitamos oportunidades para crescer em linhas de alta margem líquida, mesmo que tenham spread brutos menores, o que nos propiciou melhor resultado e maior percentual de crédito com colateral. O plano de transformação também nos trouxe seus primeiros frutos. Olhando para frente e com a perspectiva de cenário macro mais desafiador, ajustamos o nosso apetite ao risco e as condições de oferta de crédito”, afirmou o Bradesco em comunicado.

A inadimplência da carteira de crédito, considerando atrasos superiores a 90 dias, caiu 0,2 p.p. no trimestre e 1,1 p.p. em um ano. A redução ocorreu em todos os segmentos e foi mais acentuada em MPME. O índice de cobertura ficou estável no trimestre.

Seguros

O desempenho das operações de seguros foi destaque no ano, com ROAE de 25,1% nos últimos três meses do ano. O resultado das operações de seguros foi de R$ 5,5 bilhões no trimestre (9,6% t/t e 16,6% a/a) e o lucro líquido atingiu R$ 2,5 bilhões (6,6% t/t e 1,9% a/a), com crescimento do resultado financeiro e continuidade da melhora operacional, impulsionada pela redução da sinistralidade.

“O lucro líquido de R$2,5 bilhões, equivale a 47% do resultado líquido do grupo, composto pela operação bancária e seguradora. O resultado refletiu uma melhor dinâmica de sinistralidade e um nível mais elevado de resultado financeiro da operação, beneficiada pela abertura da curva de juros. No ano, a seguradora atingiu R$9,1 de lucro líquido”, observa Nascimento

Perspectivas

Em comunicado, o Bradesco afirma que espera para 2025 que o crescimento das receitas, com o risco de crédito controlado, seja o principal fator a contribuir para a melhora da rentabilidade. “A margem financeira total líquida tem a perspectiva positiva de crescimento, mesmo em cenário macro desafiador. O resultado de seguros tende a melhorar, com importante contribuição dos seus componentes operacional e financeiro. A receita com serviços deve subir moderadamente. O custo de crédito deve se manter controlado. Já as despesas operacionais continuarão pressionadas, entre outros, pelos investimentos no plano de transformação. Em suma, esperamos que a nossa rentabilidade continue a aumentar de forma gradual e segura”, afirma o documento.

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